Trini é doutora em Geografia e trabalha na Universidade Internacional de La Rioja há 11 anos.
Mas, um dia, sentiu-se chamada a se preparar para cuidar de seus pais e decidiu cursar o técnico em enfermagem.
No segundo ano, precisava cumprir quatro meses de estágio. Procurou um local próximo de casa e encontrou “um lugar cheio de alegria e amor”: o Lar Don Orione, em Pozuelo de Alarcón, Madri.
“Foi a coisa mais bonita que já fiz na vida — explica a Aleteia. — O trabalho dos orionitas com pessoas com deficiência é impressionante.”
Respeito por todo ser humano
Trini passou a fazer parte de uma grande família que cuida de cada pessoa com profundo respeito à sua dignidade.
“Muitos pensam que essas pessoas totalmente dependentes não servem para nada; algumas, sequer as deixam nascer”, lamenta.
“Mas existe toda uma congregação inspirada por São Luís Orione que se dedica a acolhê-las — acrescenta. — E cuidam delas com valores que transmitem também aos funcionários de seus centros.”
“Você vê Deus em cada uma das pessoas com deficiência — afirma Trini Cortés. — Com eles, tão frágeis, era com quem eu mais me aproximava de Cristo.”
Ela compartilha uma experiência que lhe ensinou uma grande lição:
“Eu estava trocando a fralda de um senhor na enfermaria quando, de repente, um funcionário fechou a porta”, recorda.
“Eu não tinha percebido que aquele homem não precisava estar exposto, à vista de qualquer pessoa”, reconhece.
“Aquele colega me ensinou que toda pessoa tem sua dignidade, e que devemos respeitar sua intimidade. Quando está limpo e arrumado, então abrimos a porta — são detalhes que vão se enraizando nos lares”, agradece.
No Lar, Trini sentia que suas preocupações desapareciam:
“Ali se acabavam meus problemas — familiares, de trabalho, angústias, medos… — eu sentia que tinha entrado no céu e, muitas vezes, saía de lá chorando de alegria.”
“Atender essas pessoas não me causa repulsa, me desperta ternura — sublinha. — Elas dependem de você; algumas não conseguem se mover, outras se alimentam por sonda, gritam… mas sua existência transforma o coração de quem as conhece.”
Uma devoção “de fato”
Embora não tenha o hábito de rezar diretamente a São Luís Orione, Trini o reconhece como um dos santos que mais a impactou.
“Ele já entrou no meu coração por meio das ações e me levou a viver seu carisma — afirma. — Mesmo sem conhecê-lo pessoalmente nem rezar a ele, sua experiência de vida marcou profundamente o meu coração.”
“Às vezes, descobrimos a grandeza de um santo por meio de suas obras — observa. — Vi documentários e li um livro sobre sua vida, mas o que realmente me marcou foi o que vivi no lar com seu povo. Seu legado continua vivíssimo.”









