A Igreja Católica, por meio de seu magistério e lideranças, intensifica sua voz profética no debate climático, lançando um olhar crítico e propositivo sobre as Conferências das Partes (COPs), especialmente com o foco na próxima COP 30 a ser realizada em Belém.
O Papa Francisco não poupou críticas ao modelo atual das COPs. Segundo Dom Malaspina, o Santo Padre apontou para uma série de falhas que impedem ações reais e estruturais. Dentre elas, estão a falta de compromisso efetivo e a falta de influência dos interesses econômicos. Segundo Dom Eduardo, agrava o quadro a "falta de vontade política" dos países ricos e poluidores, que resistem a mudanças que possam afetar seus interesses econômicos, o que exige a construção de um "multilateralismo desde baixo".
Para o Papa, as COPs, embora sejam o maior fórum global de debate, serão insuficientes sem uma mudança radical na forma como a crise é encarada, clamando para que a sociedade civil e a Igreja exerçam maior pressão por decisões concretas.
Ecologia Integral na COP 30
A presença e a voz da Igreja na COP 30 e em outros fóruns climáticos são guiadas pela Ecologia Integral, um conceito central em documentos como Laudato Si’ e Querida Amazônia.
Cuidar da Criação é fundamental para a fé, e a crise climática é vista não apenas como um problema ambiental, mas como uma injustiça social que atinge de forma desproporcional os mais pobres e vulneráveis.
A presença da Igreja na COP 30 visa fortalecer a Ecologia Integral, que conecta meio ambiente, justiça social e economia sustentável; Articular propostas concretas para incidir nas decisões socioambientais; Promover a conversão ecológica e incentivar ações locais de cuidado com a "Casa Comum."
Conversão ecológica
O mandato bíblico de "domínio sobre a terra" foi reinterpretado pelo Papa Francisco não como licença para exploração, mas como um "chamado radical à responsabilidade." A Laudato Si’ e a Laudate Deum convocam a uma conversão ecológica, que é uma transformação espiritual, ética e social.
Essa conversão exige um profundo exame de consciência para reconhecer o "pecado estrutural do extrativismo econômico, do consumismo e da indiferença global." A Igreja propõe a sinodalidade – um método participativo de diálogo e construção de consensos – para enriquecer as respostas à crise.
A Igreja oferece uma ética do cuidado que transcende a sustentabilidade técnica, fundamentada no conceito da Criação como dom e na prioridade dos pobres. O compromisso na COP 30, segundo Dom Eduardo Malaspina, é uma "expressão ética e profética do seguimento de Cristo, o Pastor que 'veio para que todos tenham vida'.” A esperança ativa é a chave para orientar não apenas os grandes debates, mas também as práticas cotidianas, gerando frutos para o futuro.
Os pontos de defesa da Igreja
Como expressão de seu papel profético, a Igreja apresenta uma agenda clara de defesa para as negociações climáticas, ancorada nos princípios da Doutrina Social e da dignidade humana:
Proteção de territórios e soberania dos povos originários, tradicionais, camponeses e pescadores.
Apoio à agricultura familiar.
Rejeição à financeirização da Natureza.
Transformação do sistema econômico.
Detenção de toda expansão da fronteira petroleira e dos combustíveis fósseis.
Combate radical à degradação dos ecossistemas.
Garantia de financiamento climático equitativo.
Abordagem da migração climática.
Constituição de uma coalizão do norte ao sul pelo clima, natureza e humanidade.









