As celebrações litúrgicas que marcam a vida dos católicos, como a Primeira Comunhão, a Confirmação (Crisma) ou o Matrimônio, são momentos de profunda união a Cristo. No entanto, há uma regra de "bom senso pastoral" que, frequentemente, passa despercebida: aqueles que são o foco da celebração não devem ser, também, os leitores da Palavra de Deus.
Mas todos achamos bonito quando uma criança que faz a Primeira Comunhão realiza a leitura nesse dia tão importante; ou quando um dos jovens que recebe o Sacramento do Crismo proclama a leitura; ou até mesmo quando um dos noivos, durante a celebração do matrimônio, com emoção, profere uma leitura bíblica. Certamente isso não é um problema, nem algo ruim, mas a fé na Igreja se nutre pela escuta da Palavra de Deus. Dessa forma, quem está no centro da celebração de um sacramento deve ser, primariamente, "mais ouvinte da Palavra do que seu leitor".
A união com Cristo
A principal razão para esta recomendação é garantir que o fiel viva o sacramento em sua plenitude. O ponto mais importante para quem vai receber a Primeira Comunhão ou celebrar outro sacramento é fazê-lo "numa profunda união a Cristo".
Além disso, a recomendação visa proteger a serenidade e o foco dos celebrantes. “As responsabilidades trazem quase sempre consigo alguma ou muita agitação interior e exterior. Se for possível evitá-la, tanto melhor," afirma uma orientação da Igreja Católica em Portugal. Crianças da Primeira Comunhão, adolescentes do Crisma ou jovens casais têm tudo a ganhar em estar serenos, e, por isso, quanto menos serviços litúrgicos tiverem de realizar, melhor.
Esta orientação encontra eco nas normas gerais da Igreja, que insistem na distinção de funções na Missa. O Missal Romano determina que, na celebração, "todos, ministros ordenados ou fiéis cristãos leigos, ao desempenharem a sua função ou ofício, façam tudo e só o que lhes compete" (IGMR 91).
Ler a Palavra de Deus em uma celebração é muito importante, emocionante e marcante. Mas, também ouvir a Palavra deve ser importante. Apesar da regra geral, não é necessário a rigidez. Nas questões litúrgicas, é preciso haver discernimento. Pode haver exceções válidas que justifiquem a participação no púlpito.
É importante ter equilíbrio e saber que a vida está acima das normas, mas que elas servem para favorecer o ordenamento da vida.
Resumindo, as crianças da Primeira Comunhão podem realizar as leituras, como também os noivos e os crismandos, mas não deve ser visto como “obrigatório” que sejam eles, o mais importante para eles naquela celebração é o sacramento que recebem.









