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O testemunhos dos pobres. “Leão realmente assumiu o legado do papa Francisco”

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Cibele Battistini - I. Media - publicado em 17/11/25
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Por ocasião do Jubileu dos Pobres e do 9º Dia Mundial dos Pobres — celebração inspirada ao papa Francisco — a agência I. MEDIA acompanhou cerca de 1.500 pessoas da associação Fratello , em situação de fragilidade e precariedade e um dia muito especial.

No domingo, 16 de novembro, na Praça de São Pedro, Laurent, usando um boné rosa, não sabe para onde olhar. Ele está em Roma pela primeira vez. Esse homem alto, barbudo, de olhos claros, confessa ter ficado “chocado” ao descobrir o Vaticano, especialmente o interior da Basílica de São Pedro, onde participou da missa celebrada por Leão XIV. “É grandioso, um lugar cheio de história… nem sei como explicar”, diz com sua voz rouca o sexagenário que veio com um pequeno grupo da região de Rouen.

Durante os três últimos dias, Laurent caminhou muito por Roma, visitou muito. Uma colega conta ter ficado profundamente tocada pelos quadros “absolutamente magníficos” de Caravaggio, que eles foram contemplar juntos na igreja de São Luís dos Franceses. O famoso “Tríptico de São Mateus” era particularmente querido por Francisco, que via na vocação do apóstolo — retratada pelo mestre italiano da luz e das sombras — um eco de sua própria chamada.

O legado de Francisco no coração do Jubileu

Em Roma, a memória do papa argentino — criador do Dia Mundial dos Pobres em 2017 — permanece viva, mais de seis meses após sua morte. Enquanto acompanha o grupo de Rouen, Wilson, “extraordinariamente marcado” pela viagem, diz estar feliz em perceber que “Leão XIV realmente assumiu o legado de Francisco”. “Eu vi de verdade a Igreja dos pobres aqui”, afirma, colocando as mãos sobre o coração para expressar sua gratidão.

No Ângelus daquele domingo, Leão XIV anunciou que estava “entregando” simbolicamente ao povo de Deus sua exortação apostólica Dilexi te, publicada algumas semanas antes. O pontífice revelou ter completado “com grande alegria” esse texto iniciado por seu predecessor pouco antes de morrer.

Assim como Francisco, o papa americano-peruano organizou no Vaticano um almoço solidário com pessoas em situação de rua, famílias em dificuldade, desempregados e migrantes, reunidos na Sala Paulo VI. Mas não havia espaço suficiente para os 1.500 peregrinos da Fratello, que acabaram realizando seu piquenique fraterno nos jardins do Vaticano, ao lado da réplica da Gruta de Lourdes.

Esse momento de confraternização — ápice dos três dias de peregrinação — foi interrompido pela chegada inesperada do papa, recebido aos gritos de alegria dos “Fratelli”, como são chamados os membros da rede Fratello. Visivelmente contente, Leão XIV improvisou um pequeno discurso, em parte em francês. “A fraternidade, sim, é vida”, disse na língua de Molière antes de abençoá-los. Também agradeceu calorosamente aos organizadores pelo empenho.

“Se estamos aqui, é porque temos nosso lugar”, afirma Dalia-Agnès, uma parisiense que descreve a viagem como “intensa, cheia de graça”, embora admita estar um pouco desapontada por não ter conseguido conversar com o papa, que permaneceu apenas cerca de dez minutos. Procurando uma vaga como assistente de direção, ela conta ter sido muito tocada por seu encontro com o cardeal François Bustillo, durante um momento de diálogo na igreja da Trindade dos Montes. “Ele demonstrou grande sensibilidade pelas pessoas vulneráveis, que vivem a precariedade”, garante.

Atrás de Nossa Senhora da Ternura

Integrado à intensa programação do Jubileu, o peregrinaje da Fratello não passou despercebido em Roma: bonés e lenços cor-de-rosa surgiam em cada esquina do centro histórico. Havia visitas, missas e ainda duas vigílias especiais na Cidade Eterna. A primeira aconteceu na noite de sexta-feira, em São Paulo Extramuros, onde um “coro dos Fratelli” — formado por pessoas em situação de precariedade e profissionais do gospel — encantou o público.

Depois, houve a oração mariana iluminada por velas na Praça de São Pedro, marcada por uma longa procissão ao redor do obelisco, atrás da estátua de Nossa Senhora da Ternura. Gisèle, sexagenária de Romont, na Suíça, que já passou por situações de fragilidade, seguiu a imagem vestida com um patchwork de tecidos enviados de vários países, emocionada com esse “tempo de graça”.

Ela admite ter hesitado em viajar, sobretudo por ser protestante, mas acabou se deixando convencer: tem muitos amigos católicos, especialmente no coral onde canta. “É meio louco, mas realmente me deixei tocar por toda essa fraternidade e esperança”, conta, feliz por ter feito “tanta coisa”, inclusive visitar a caserna da Guarda Suíça — experiência que a marcou.

Também muito recolhido, Nicolas segue a procissão. Ele vive há alguns meses em uma república da associação Lazare, em Toulouse, onde divide o cotidiano com ex-sem-teto. Vários deles pediram para acompanhá-lo a Roma, e juntos passaram pela “Porta Santa”. “É muito importante que a Igreja organize eventos assim, porque tudo ganha sentido quando passamos à ação e nos colocamos a serviço do próximo”, afirma.

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