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O púlpito do futuro: Padres brasileiros na missão digital 

Ksiądz nagrywa siebie smartfonem

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pteixera - Paulo Teixeira - publicado em 19/11/25
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Também o clero busca habitar o "continente digital" com autenticidade, superando o individualismo e focando na "rede de amor" proposta pelo Papa Leão XIV.

A Igreja Católica brasileira está intensificando seu esforço para decifrar e habitar o "continente digital". Nos dias 28 e 29 de outubro, a Casa Dom Luciano, em Brasília, sediou o Encontro dos Padres em Missão Digital, reunindo sacerdotes de diversas regiões para refletir sobre os desafios e oportunidades da evangelização nas plataformas online

Promovido pela Comissão Episcopal para a Comunicação da CNBB, o evento buscou inspiração para uma presença digital que seja autêntica, criativa e alinhada com os valores eclesiais.

Essência divina

Dom Jaime Spengler, presidente da CNBB, sublinhou que a própria essência de Deus é comunicação, e que evangelizar é "participar de modo especial do divino". 

Ele fez um apelo à unidade na diversidade e alertou contra a tentação de reduzir a Igreja a uma "funcionalidade ou negócio". Dom Jaime questionou  sobre o desafio de promover o "nós" em uma sociedade marcada pelo individualismo e pela cultura digital: "As fronteiras foram superadas. Como ser evangelizadores hoje numa cultura urbana e digital?" 

O Núncio Apostólico no Brasil, Dom Giambattista Diquattro, trouxe o foco para a Exortação Apostólica Dilexi te do Papa Leão XIV, lembrando a importância de se deixar "evangelizar pelos pobres" e de reconhecer a sabedoria que brota da experiência dos mais vulneráveis. 

"Bolha de filtros"

Dom Valdir José de Castro, presidente da Comissão para a Comunicação, enfatizou que a comunicação é, primeiramente, uma "realidade humana" que exige comunhão fraterna. Ele resgatou a mensagem do Papa Leão XIV aos Missionários Digitais, que convocou os comunicadores a construírem uma "rede de amor"

"Redes que consertem o que está partido e curem a solidão. Redes que deem espaço ao outro mais do que a nós mesmos, onde nenhuma 'bolha de filtros' possa apagar a voz dos mais fracos," citou Dom Valdir. 

Paolo Ruffini, do Dicastério para a Comunicação, reforçou a urgência da comunhão: "Não é possível tornar o mundo um lugar melhor sozinhos. Se a Igreja não oferece uma narrativa unificadora, quem o fará? Os verdadeiros líderes da humanidade são aqueles que unem, não aqueles que dividem." 

Ruffini lembrou que o "Bom Samaritano está nos esperando fora dessa bolha", na realidade concreta, e enfatizou que a fé é "comunitária", e não individualista. 

Cristo e a autenticidade

As contribuições dos padres presentes reforçaram o chamado à autenticidade e à humildade na presença digital. Padre Joãozinho destacou que a missão da CNBB, e da comunicação, é "gerar comunhão". Ele relembrou que a visão de Bento XVI sobre o ambiente virtual como um "novo continente missionário" exige da Igreja o aprendizado de um "idioma novo" para que a mensagem do Evangelho seja compreendida. 

Frei Gilson resumiu a chave da autenticidade na máxima de João Batista: "Importa que Ele cresça e que eu diminua." Ele afirmou: "Nós anunciamos Jesus. Não anunciamos a nós mesmos. Eu que levo a mensagem não posso ser maior do que a mensagem. Sou apenas um servo dela." Padre Júlio Lancellotti enfatizou que a presença autêntica exige princípios, especialmente o amor aos pobres, conforme a Dilexi ti. "Não basta ter reunião, é preciso ter união," declarou, exortando o clero a ser fiel a Jesus e "não ter medo do martírio". 

O encontro em Brasília marcou um passo significativo da Igreja brasileira para consolidar uma estratégia digital que seja não apenas de presença, mas de verdadeira encarnação da fé no vasto e complexo universo das redes. 

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