O enredo é bonito, e mexe com a gente. Imagino que você já saiba o porquê: dialoga com o anseio mais profundo de nosso coração.
O nome da obra em língua inglesa é “Beauty and the Beast”. Percebam que o nome da protagonista não é simplesmente “Bela”, mas “Beleza”. Acredito que este seja o ponto principal de todo o filme.
A beleza tem a missão de nos despertar para o verdadeiro amor, e faz com que saiamos de nós mesmos, para adentrarmos no grande mistério divino. Isso acontece porque a beleza é um atributo divino (ou seja, Deus não é só belo, mas a própria beleza). Tudo o que é belo reflete a sua imagem, e nos atrai, sobretudo, porque somos atraídos por Ele. Não é por acaso que Agostinho exclama: “Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova! ”.
A Bela era uma jovem mulher, encantadora, porém estranha, como se dizia na aldeia. Vivia nas nuvens, não era como as outras. Sua diferença foi percebida pelo fiel escudeiro do Gaston (o vilão): a dignidade. Bela conhecia a sua dignidade – e isso se explica muito pelo amor de seu pai a ela, afinal, sabemos do papel da paternidade na vida de uma mulher.
“A Bela é um mistério para nós”, afirma um aldeão. Uma mulher que compreende a Beleza que carrega em si aprende a vela-la, pois sabe que são poucos os que irão compreende-la. Ela sabe que é portadora de um mistério que deve ser adentrado com reverência.
Já a Fera era um homem que, por não saber amar, fechou-se em si mesmo e se tornou um monstro - aqui nota-se a importância do exemplo masculino na formação de um homem, visto que boa parte da maldade no coração do príncipe se explica diante da criação severa de seu pai. A liberdade existe para o Amor, e quando isso não se realiza o nosso interior é tomado por monstruosidades. Para ser liberto da forma monstruosa o príncipe precisaria aprender a amar, e ter o amor correspondido antes que a última pétala de uma pobre rosa caísse. “Mas quem amaria uma Fera?”.
Bela sabe que nasceu para ser amada
Gaston é o símbolo do egoísmo, da autossuficiência. Este nunca chega ao amor, pois não entende que isto exige um caminho de maturidade para além de si mesmo. Fica parado na atração sem avançar à benevolência (o querer o bem do outro) e muito menos ao amor esponsal (a experiência do dom de si, explicada por Karol Wojtyla em ‘Amor e Responsabilidade’ e altamente desenvolvida na Teologia do Corpo).
Bela sabe que nasceu para ser amada, e não aceitaria para si nada menos que o Amor, mesmo diante da possibilidade de, segundo Gaston, acabar sozinha, já que não se comportava como as outras mulheres da aldeia. Bela desejava a plenitude do amor, e entendeu que, pior do que estar sozinha é estar na companhia do outro por desespero e carência. Por isso, Gaston não é uma opção.
Quando Bela se encontra com a fera monstruosa ela se choca. Mas, não para aí. Busca sua história, a sua origem. Quando uma mulher que compreendeu a sua beleza se encontra com um homem aberto ao amor (a Fera desejava o amor, pois qualquer coisa que não fosse amor o deixaria preso na maldição para sempre) uma revolução acontece nas vidas dos dois. Tem algo mais belo nesta terra do que um homem e uma mulher que trilham o caminho do amor? “É ao amor que devemos nos agarrar. Nunca é fácil, mas tentamos”.
Eles caminham por suas histórias, e cuidam das feridas um do outro. Dão novo sabor e significado à vida. Como diz parte da música: “O inverno vira primavera, a fome vira banquete. A natureza mostra o caminho, não há nada mais a ser dito. A bela e a fera”. O amor é autor desta obra.
E já que “a liberdade existe para o amor”, a pobre Fera liberta Bela para que ela salve seu pai. Ele aprendeu amar, e por isso a deixa livre. Sabe que se ela permanecesse com ele por coação o amor se apagaria. E Bela retorna porque compreende e corresponde a esse amor que deixa livre. Eles experimentam o dom de si.
Bela fez uma experiência com a Beleza da fera. Não a exterior, pois dessa ele não tinha a oferecer. Mas a do interior, a da sua masculinidade – com o seu cerne no sacrifício, manifestada no momento em que é capaz de arriscar a sua vida para salvar a vida da Bela quando ela, tentando fugir, se depara com os lobos.
A experiência da beleza masculina e feminina
A fera fez uma experiência com a beleza da Bela, e isto abriu o seu coração para o amor. E não foi a beleza física, não só. Foi a beleza da alma, de sua feminilidade. A docilidade com que ela lidou com ele, a sua postura de mulher que o fazia assumir sua missão de homem.
Irmãos, este filme faz um convite a nós. Primeiro a assumirmos a nossa masculinidade, a nossa missão de dar a vida, o desafio de amar. Depois, a olhar para as mulheres com a consciência de que estamos diante de um Mistério maravilhoso, e não de um objeto a ser usado. A elas nada a menos que amor. Por ela, a donzela da sua vida, tudo vale a pena, até mudar o seu coração.
Irmãs, também a vocês. Primeiro a assumir a feminilidade, fazer florescer a beleza interior. Não tenham medo de serem mulheres femininas. Isto implica serem, sim, vulneráveis. Não no sentido de fraqueza, mas de sensibilidade, de se fazerem acessíveis. Depois, a valorizarem o seu ser feminino, assumindo o lindo Mistério com o qual Deus as criou, compreendendo que vocês não foram feitas para menos que o amor.
A beleza da feminilidade é fonte de cura para a masculinidade. A beleza da masculinidade é fonte de cura para a feminilidade. Deus nos criou homens e mulheres. Não há nada mais belo que isso nessa terra!
A beleza é capaz de levar os nossos corações ao alto!









