Deus conhece as suas criaturas. Ele as preenche com a sua graça, fazendo-as participar da sua vida divina. Graça designa a benevolência absolutamente incondicional que Deus, desde toda a eternidade, demonstra à humanidade, chamando-nos a participar de sua própria vida. Essa é a intimidade com o Senhor concedida pelo batismo e renovada pelos sacramentos. É pela graça que Deus nos salva. Além da graça santificante recebida pelos cristãos no batismo, o Senhor concede outras formas de graça que auxiliam os fiéis em momentos específicos de suas vidas.
Graça santificante
O homem nasce marcado pelo pecado original, e a única maneira de ser libertado dele é o batismo, por meio do qual Deus o lava e o preenche com a sua graça santificante, como afirma o Catecismo da Igreja Católica: “A graça é participação na vida de Deus. Ela nos introduz na intimidade da vida trinitária: pelo batismo, o cristão participa da graça de Cristo, Cabeça do seu Corpo. Como ‘filho adotivo’, ele agora pode chamar Deus de ‘Pai’, em união com o Filho unigênito. Ele recebe a vida do Espírito, que o preenche de caridade e forma a Igreja (Catecismo da Igreja Católica, 1997).”
Cristo já realizou tudo. É por isso que essa graça é chamada de dom gratuito. “A graça de Cristo é o dom gratuito que Deus nos dá de sua vida, infundida pelo Espírito Santo em nossa alma para curá-la do pecado e santificá-la: é a graça santificante ou divinizante, recebida no batismo. Ela é em nós a fonte da obra de santificação (cf.Jo 4, 14; 7, 38-39). “Portanto, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo! Tudo isso provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo.” (2 Cor 5,17-18).” Essa graça pode ser perdida? Sim, através do pecado mortal, por isso, a única maneira de recuperá-la é através do sacramento da confissão. Idealmente, a vida cristã floresce na ausência do pecado mortal e na graça habitual, essa disposição permanente de viver e agir de acordo com a vocação divina.
Graças sacramentais
Outra forma de graça é aquela que Deus concede nos sacramentos; por isso são chamadas de graças sacramentais. “A graça inclui também os dons que o Espírito Santo nos concede para nos associar à sua obra, para nos capacitar a colaborar na salvação dos outros e no crescimento do Corpo de Cristo, que é a Igreja. Estas são as graças sacramentais, dons próprios dos diferentes sacramentos.”(Catecismo da Igreja Católica, 2003).
Assim, aqueles que se casam e aqueles que recebem o sacramento da Ordem obtêm graças que os ajudam a perseverar em seu estado de vida. Mas há também graças específicas para aqueles que recebem a Unção dos Enfermos ou que se confessam, pelas quais Deus os fortalece e os ajuda a continuar sua vida perto Dele, a observar os mandamentos e a se esforçar no caminho da santificação.
Carismas: graças especiais
Existem também graças especiais, também chamadas carismas, segundo o termo grego usado por São Paulo, que significa favor, dom gratuito, benefício (cf.LG12) “Seja qual for a sua natureza, por vezes extraordinária, como o dom dos milagres ou das línguas, os carismas estão ordenados à graça santificante e têm por fim o bem comum da Igreja. Estão ao serviço da caridade, que edifica a Igreja (cf.1 Cor12)” (CEC 2003).
Esses dons são por vezes espetaculares, mas não nos esqueçamos de que não se destinam ao benefício do destinatário, e muito menos a serem exibidos ou aproveitados, mas sim a servir a comunidade. E entre essas graças particulares, o Catecismo menciona as “graças de Estado que acompanham o exercício das responsabilidades da vida e dos ministérios cristãos dentro da Igreja” (CEC 2004) Por exemplo, São Paulo era conhecido por seu carisma ao ensinar.









