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O segredo de um matrimônio sólido como fundamento do amor

Et si vieillir libérait la tendresse ? Des pistes pour rendre la vie plus belle

Avec le travail du temps et les changements du corps, il y a une évolution psychique, une sorte de déprise qui favorise la libération de la tendresse.

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Guillermo Dellamary - publicado em 25/11/25
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O teólogo John R. Searle nos recorda que o amor verdadeiro não apenas se sente: ele se escolhe, se cultiva e floresce onde genuinamente habita a confiança.

Há amores que nascem de um relâmpago e morrem em um suspiro, e outros que, sem alarde nem fogos de artifício, criam raízes profundas na terra do cotidiano.

O matrimônio pertence a este segundo tipo: não é um jardim que cresce sozinho, mas uma semeadura constante que exige mãos, paciência e fé.

Em tempos em que tudo é facilmente descartado, amar até o fim parece quase uma raridade.

Mas o Padre John R. Searle, sábio professor da Pontifícia Universidade Gregoriana, nos convida a olhar o amor sob uma nova luz.

Ele nos lembra que o amor autêntico não é um sentimento passageiro, mas uma decisão perseverante, que só pode respirar onde há confiança.

Um ato de amor

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O Pe. Searle ensina que o amor conjugal é mais um ato do que uma emoção. Ele não se sustenta nas borboletas do enamoramento, mas no “sim” renovado a cada manhã: na ternura que retorna após uma discussão, no perdão que cicatriza uma ferida, no gesto silencioso de quem serve sem esperar aplausos. Esse amor, quando se encarna, deixa de ser promessa e se torna presença. Mas, para respirar, precisa de um ar essencial: a confiança mútua.

A confiança no matrimônio

Confiar não é ingenuidade; é acreditar que o outro, mesmo com seus defeitos, deseja o meu bem, que seu amor é lar e abrigo, não campo de batalha. É saber que existe um porto onde posso descansar sem medo de ser traído.

Essa confiança não nasce do nada; cultiva-se como se cultiva uma videira: com tempo, cuidado e delicadeza. E floresce cercada por outros pilares que a nutrem: a admiração, o respeito, o afeto e a ajuda mútua. O amor não vive sozinho.

Alimenta-se de um conjunto de forças invisíveis que sustentam seu equilíbrio interior. Confiar é olhar o outro além dos seus erros, é admirar seu esforço, sua luta diária contra as próprias sombras, sua capacidade de recomeçar. Quando admiramos, fortalecemos a confiança. E quando confiamos, renasce a admiração. É um círculo virtuoso que mantém viva a chama do amor.

Respeito mútuo

Respeitar é reconhecer o espaço sagrado do outro: seu ritmo, suas opiniões, sua história. É não invadir, não impor, não controlar. O respeito protege a confiança como uma muralha invisível — quem respeita, cuida. Os afetos e o carinho são a linguagem silenciosa do amor: uma mão que busca a outra, um olhar que consola, um abraço que não julga.

Cada gesto de ternura é uma palavra que diz:

“Você pode confiar em mim. Eu continuo aqui.”

As rachaduras do amor não aparecem de repente

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Tudo começa com um pequeno descuido, um gesto de desconfiança, um segredo desnecessário, uma palavra que fere.

Com ciúmes insistentes. A suspeita, como uma térmita invisível, começa a corroer os alicerces. E, sem perceber, o que antes era casa torna-se campo minado. O Pe. Searle adverte:

“A desconfiança paralisa a entrega: o medo substitui a confiança, e o amor, privado de oxigênio, asfixia-se lentamente.”

Quando a confiança se quebra, a alma do matrimônio treme. O vínculo fica em risco. Mas nem tudo está perdido.

A confiança pode ressuscitar

Requer humildade para pedir perdão, coragem para perdoarconstância para voltar a acreditar. Ela não se reconstrói com palavras, mas com atos: promessas cumpridas, olhares sinceros, fidelidades pequenas.

Cada gesto de verdade coloca um novo tijolo no alicerce. E pouco a pouco, a casa volta a ter teto e calor. O matrimônio que aprende a refazer sua confiança torna-se mais sábio. Compreende que amar não é viver sem feridas, mas escolher continuar amando apesar delas. E entende que a confiança não é um contrato — é uma forma de fé.

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