Enquanto pensava nisso, me lembrei de uma história antiga. Na época da faculdade, eu tinha uma amiga que vivia no improviso. Faltava às aulas para ir ao bar, não colocava energia em nada que exigisse disciplina, parecia caminhar sem qualquer preocupação com o futuro. Até que um dia, sem aviso, ela solta:
“Daqui a um ano, vou estar casada.”
Minha reação interna? Um deboche silencioso, quase arrogante: “Claro… tá bom.”
Mas um ano depois, lá estava ela: casada. Aquilo me fez questionar se desejar algo com intensidade seria, por si só, suficiente para que ele simplesmente aconteça. Mas a verdade é que existem sonhos — e muitos deles — que não dependem apenas de nós. Sonhos que envolvem fatores além da nossa vontade: outras pessoas, circunstâncias, tempo, sorte, natureza, e aquilo que, no fim das contas, só Deus entende.
E então buscamos o famoso plano B. Essa alternativa confortável que nos faz acreditar que ninguém realmente “perde”: se o que mais queremos não vier, substituímos por outra coisa. Ajustamos o roteiro, tentamos convencer o coração de que está tudo bem. Mas será que esse consolo funciona? Será que existe alívio quando percebemos, com toda a lucidez, que não alcançamos aquilo que desejávamos tão profundamente?
Há quem diga que a verdadeira sabedoria é aprender a querer aquilo que já se tem. Mas não é sobre isso que estou falando. A pergunta que realmente pesa é: como atravessar o intervalo angustiante entre o sonho e a sua realização — ou a sua renúncia?
Talvez a única saída possível, nesse momento, seja viver de forma coerente com a vida que desejamos, mesmo que ela ainda esteja muito distante. Se eu quero algo de verdade, preciso me tornar alguém capaz de receber. Minhas escolhas, atitudes e prioridades precisam conversar com o que eu digo querer — ainda que seja abstrato, ainda que pareça improvável.
É como aquela metáfora antiga: primeiro você coloca o pé, depois Deus coloca o chão.
E se, mesmo assim, os meus esforços não forem suficientes, se tudo desabar apesar da luta honesta… ainda assim terei minha coerência para me sustentar. A consciência tranquila de que caminhei na direção certa, mesmo que o destino tenha escolhido outro final.
Porque, no fim, continuo confiando em Deus — mesmo quando o que eu quero não coincida com o que Ele quer para mim.
Eu desejo que você encontre serenidade no próprio processo, coragem para continuar e a confiança silenciosa de que aquilo que é para ser seu, encontrará um caminho — mesmo que a sua vontade não coincida com a vontade de Deus.
Se você ainda encontra dificuldades em dar sentido a tudo o que te acontece – e até mesmo a sua vida, busque o apoio de um bom profissional. Eu tenho certeza de que você encontrará o seu caminho.
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