Com um cachecol branco estampado com o logotipo da viagem de Leão XIV ao Líbano e uma bandeira do Vaticano na mão, a irmã Geneviève mal consegue esconder a emoção enquanto aguarda a aparição do Papa na basílica de Nossa Senhora do Líbano, em Harissa, nesta segunda-feira. Como mais de 2.000 padres e religiosos libaneses, ela não teria perdido este encontro com o pontífice americano por nada no mundo. “É uma alegria inexplicável”, confessa a religiosa da comunidade das Irmãs do Rosário de Jesus. Baseada em Saïda, no sul do Líbano, ela dirige uma escola com 330 alunos junto com outra irmã de sua congregação. O que ela pede a Deus em suas orações, e o que espera desta visita do Papa ao seu país: “O direito de viver em paz”. Pois a irmã Geneviève conheceu, no ano passado, a angústia dos combates. “Tivemos de deixar a escola durante três meses por causa dos bombardeios israelenses”, conta.

Após o ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, a guerra recomeçou entre o Estado hebraico e o Hezbollah — essa milícia xiita nascida após a invasão israelense do Líbano em 1982 e cuja influência é particularmente forte no sul do país. A escola em que trabalha a irmã Geneviève tem tantos alunos cristãos quanto muçulmanos. “Todos participam das orações. E quando há grandes festas muçulmanas, nós também fazemos alguma celebração”, testemunha a religiosa, que não esconde que seus alunos muçulmanos crescem em famílias ligadas ao Hezbollah.
Neste ano, apesar do cessar-fogo obtido em novembro de 2024, sua escola precisou fechar por dois dias devido à ameaça e aos bombardeios. Mas a guerra pode recomeçar, pois Israel exige que o Hezbollah seja desmilitarizado. Para muitos, a visita do papa Leão XIV ao Líbano protegia o país do Cedro do colapso total do cessar-fogo. “O que vai acontecer depois?”, pergunta a irmã. “Seria preciso um milagre!”, afirma ela, não vendo outra solução imediata.
“É uma guerra contra o Hezbollah, não contra nós”
Na noite de segunda-feira, na sede do patriarcado maronita, cerca de 15 mil jovens estão reunidos para rezar e celebrar a vinda do papa Leão XIV. Embora o ambiente seja excepcional, ele não elimina o medo de um amanhã mais sombrio. “Esperamos que, depois desta visita, tenhamos paz com Israel. É tudo o que queremos”, insiste Augustin, de 18 anos, vindo de Jounieh, ao norte de Beirute. “Acho, porém, que a mídia exagera a possibilidade de retorno da guerra. Eu imagino que Israel enviará mísseis, como antes, mas que o país inteiro não será atingido”, acredita o jovem.

Não muito longe dali, Peter, 22 anos, veio com seu uniforme de escoteiro do Líbano. Para ele também, os combates que podem recomeçar não dizem respeito aos cristãos. “É uma guerra contra o Hezbollah, não contra nós”, avalia o recém-formado em negócios internacionais. Após a partida do Papa para Roma, Peter dará a si mesmo alguns anos antes de decidir se deixará o Líbano. “A gente vê bem esta noite: se todos os jovens forem embora, o Líbano deixa de existir”, diz ele.
Instalada perto do palco que acolhe o pontífice, a irmã Claudine se emociona ao ver toda essa juventude vibrar. Há dois meses, ela se dedica à organização desta noite, que toma ares de pequenas Jornadas Mundiais da Juventude. Mas a religiosa antonina não esconde seu receio quanto aos próximos dias. “Oxalá as palavras do Papa tenham tocado a consciência dos nossos políticos”, murmura. A guerra? “Sim, temos medo. Rezamos a Deus… rezamos a Deus, fazemos tudo o que é preciso! E, na quarta-feira, veremos como estão as coisas”, sorri, mencionando “o dia seguinte”.
“Leão XIV saudou pessoas que arruinaram nossa vida”
Professora de francês em Beirute, Nour também veio celebrar o Papa. A questão da guerra a deixa perplexa. “Todo mundo diz que a situação vai piorar. Mas ela já é muito grave!”, considera a jovem, enquanto o Líbano se afunda em uma crise multifacetada e a emigração juvenil cresce fortemente — sobretudo entre os cristãos.
Para ela, o problema libanês não é primeiramente externo, mas interno. “Esta visita do Papa nos traz uma luz. Mas seria preciso que permitisse também a conversão dos corações de cada um, começando pelos de nossos dirigentes”, insiste a professora. Na véspera, ela ouviu trechos do discurso do Papa dirigido às autoridades. “Leão XIV saudou pessoas que arruinaram nossa vida. Ele percebe isso? E eles escutaram sua mensagem?”, suspira ela, antes de acrescentar: “Como no Pequeno Príncipe, não sei se as pessoas grandes escutam.”










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