Quantos de nós não temos rotinas assim? Ou, mesmo que não sejam exatamente assim, tão intensas quanto - uma mãe e dona de casa, por exemplo. E Deus nisso tudo? Onde encontrá-lo? Quando encontrá-lo? Será que sobra tempo para Ele? Nós, leigos, temos uma missão: fazer do mundo nossa capela.
É próprio da vocação à vida religiosa o chamado a ter mais tempo disponível para Deus. E, por isso, os religiosos param tantas vezes o que estão fazendo durante o dia para estarem com o Senhor e com sua comunidade. Eles são separados por Deus para isso: serem exclusivos para Ele. E isso é uma vocação específica.
Não é que nós, leigos, não somos chamados a estar com Deus. Nós somos! E com o mesmo nível de intensidade e frequência, mas de uma forma diferente. O encontramos sim na capela e nos momentos específicos de oração, e para isso até criamos ocasiões. Mas, com nosso dia a dia intenso, tendo que dividir nosso tempo com tantas realidades importantes (família, trabalho, estudos, etc), somos chamados a encontrar Deus justamente nesse cotidiano.
É uma jaculatória rezada com sinceridade no meio de uma tarefa cansativa; um olhar para o crucifixo e uma rápida palavra de louvor; um terço rezado no transporte público; um versículo recordado no coração: pronto! O lugar onde estamos deixa de ser um simples espaço, e é consagrado a Deus por um pequeno gesto de amor e fé. Uma mesa de trabalho se torna genuflexório, o ônibus vira um oratório, a sala de casa é um enorme santuário.
Leigos, eis a nossa missão: santificar as realidades do mundo. E faremos isso, sem dúvida, com o nosso testemunho vivo e coerente, luz na escuridão do mundo.
Mas, antes, precisamos beber da fonte da água da Vida, conviver com o Mestre - que viveu um cotidiano como o nosso. E aí sim, estando com Ele, oferecendo cada minuto de nossas vidas a Ele, faremos a “transubstanciação” de nosso dia: aparentemente segundos, minutos e horas comuns, mas na essência um tempo extraordinário, porque nele houve a presença de Deus.
Certamente isso é um desafio. Exige treino, persistência, luta. Mas também é fonte de alegria, porque é capaz de dar sabor à vida, sentido à existência. Saber-se enxergado, querido e amado por Deus é o começo do Céu, a eternidade que viveremos junto com Ele.









