Em uma formação online promovida pela CNBB SUL 1, o Padre Iago Barbosa Ferreira, da Arquidiocese de São Paulo, desvendou as bases da Rerum Novarum (RN) e explicou como seus ensinamentos continuam vitais, especialmente diante da "revolução digital".
A RN, publicada em 1891, surgiu em um contexto de "capitalismo nascente, desenfreado e desumano", marcado por longas jornadas de trabalho, salários injustos e a exploração do operário. O documento é considerado a "carta fundacional da doutrina social da igreja".
Justiça social
A encíclica de Leão XIII é um contraponto direto às ideologias econômicas de seu tempo, condenando tanto a exploração capitalista quanto a solução socialista. Padre Iago ressalta um trecho-chave da RN: "A Rerum Novarum enumera os erros que provocam o mal social, exclui o socialismo como remédio e expõe... a doutrina católica acerca do trabalho, do direito à propriedade, do princípio de colaboração contraposto à luta de classe..."
O documento rejeita o socialismo, pois, segundo o Papa, ele "instiga nos pobres um ódio invejoso naqueles que possuem sua propriedade privada", além de ferir o legítimo direito à propriedade. A dignidade humana e a caridade são colocadas como o caminho para o bom ordenamento da sociedade. Leão XIII estabelece deveres para patrões e operários, sendo o principal dever do empregador o de "dar salário com digno do trabalho que se exerce".
O padre destacou que é "vergonhoso e desumano usar a força de trabalho do outro como mero instrumento de lucro", um princípio que condena qualquer forma de escravidão ou desumanização.
A era digital
A inspiração do Papa Leão XIV em Leão XIII é vista como um chamado urgente para aplicar a Doutrina Social da Igreja (DSI) à realidade contemporânea. O Padre Iago aponta o paralelo: se a RN iluminou a Revolução Industrial, seus princípios devem iluminar a "revolução digital".
Em um mundo onde a Inteligência Artificial e o lucro desenfreado ameaçam o trabalho humano, o sacerdote afirma que o trabalho que visa "somente o lucro não está imbuído do espírito cristão, é desonesto".
A Rerum Novarum convida a Igreja a "redescobrir os valores cristãos que imbuem todo o trabalho, todo o ofício", garantindo que o desenvolvimento social e tecnológico sirva à dignidade humana e não ao capital.









