Desde o nascimento, Augustin sofre da doença de Charcot-Marie-Tooth, uma doença neurológica degenerativa. Mas quando ele é hospitalizado por causa de uma infecção pulmonar aos 7 anos, ele descobre que não poderá mais viver como antes. Ele perde metade do uso de suas mãos e pernas e agora precisa se mover em uma cadeira de rodas. Sua família o cerca com benevolência, mas na escola, a solidão se instala. "Na escola e na faculdade, eu via o olhar insistente dos alunos, recebia insultos, não tinha amigos. Um dia, furamos a roda da minha cadeira de rodas", disse o jovem de 22 anos à Aleteia. No entanto, no coração desta provação, Agostinho descobre um talento inesperado: a magia. "Eu estava treinando para fazer meus truques de mágica no meu quarto e passeava pelas praias durante as férias para colher sorrisos", diz ele.
A bicicleta e Augustin, uma história de rodas adaptadas e vontade ilimitada
"Todos nós temos um momento em que nossa vida muda. Pessoalmente, escolhi seguir meus sonhos." Aos 12 anos, um objeto desperta sua curiosidade em uma praia bretã. Augustin conhece um homem em uma handbike, uma bicicleta adaptada para pessoas com deficiência. Fascinado, ele sonha em ter um também, mas os 3.000 euros necessários estão fora de alcance. "Imaginei a liberdade que essa bicicleta poderia me trazer, então, dois anos depois, criei um prêmio online e imprimi folhetos que distribuí aos comerciantes. Um dia, um restaurante me deu o equivalente a 3 dias de gorjeta", explica ele. Em uma semana, ele conseguiu arrecadar mais de 2.000 euros: uma verdadeira vitória.

Deficiência, um motor para seguir em frente
"Meus Jogos Olímpicos são meu dia a dia: engatinhar, caminhar alguns metros, carregar objetos pesados, ...", descreve Augustin. Em 2019, este jovem de 16 anos decidiu praticar esportes, contra o conselho de seu médico. Suas três sessões por semana o ajudam a ficar em forma, evitar que sua doença piore e se tornar mais autônomo: "Graças ao esporte, tenho mais estabilidade, consigo ficar de pé e andar entre 10 e 20 metros em um ambiente que conheço bem".
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Se Augustin perdeu completamente o uso de suas pernas quatro anos depois, ele continuou suas sessões esportivas e até intensificou o ritmo: "O esporte me leva aos meus limites. Estou aprendendo a me entregar e a sair da minha zona de conforto." Seu lema? Treinamento difícil, guerra fácil. Na academia, muitos o agradecem por seu sorriso e motivação: "A partir desse momento, percebi que minha presença nesses lugares poderia ter um impacto real nos outros". Este consultor comercial atualmente em alternância em Angers torna-se, sem procurá-lo, uma testemunha de tenacidade, esperança e alegria.

Desde novembro de 2025, Augustin abre um novo capítulo: organizar conferências com empresas ou centros de treinamento. A estreia em Limoges, com o tema "avançar na vida: o compromisso como motor", reuniu mais de 180 pessoas. "Não quero fazer discursos motivadores pré-fabricados. Quero compartilhar uma mensagem simples: não é o corpo que decide sua vida, é seu compromisso pessoal. Não escolhemos o que acontece conosco, mas sempre escolhemos como reagimos a isso", detalha. Porque se Agostinho vê beleza em sua vida cotidiana, é porque ele percebeu o quão preciosa é a vida: "o amanhã não é um dia comum, não nos é devido. Este dia se oferece a nós: um dia magnífico se somando à nossa vida." Seu maior orgulho permanecerá por se levantar todas as vezes e sempre seguir em frente, mesmo devagar: "Não importa sua velocidade, você pode escolher cruzar a linha de chegada todas as noites".









