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Os mártires de Jaén e o “Kolbe” espanhol

FRANCISCO DE PAULA PADILLA GUTIÉRREZ

FRANCISCO DE PAULA PADILLA GUTIÉRREZ

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Aleteia Espanha - Cibele Battistini - publicado em 12/12/25
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O padre espanhol que se ofereceu no lugar de um pai de família para morrer<br>Jaén acolhe neste sábado a beatificação de outros 124 mártires do século XX na Espanha

Um pároco que se ofereceu para ser executado no lugar de um pai de família, uma viúva que abriu um refeitório para os pobres, uma pessoa com deficiência, um sacerdote ordenado apenas dez dias antes de sua morte… Outros 124 mártires da perseguição religiosa do século XX na Espanha serão beatificados neste sábado em Jaén.

Eles não foram super-heróis nem tiveram vidas perfeitas, mas souberam entregar a própria vida por Aquele que antes a havia entregado por eles.

É o que destaca o bispo de Jaén, Sebastián Chico Martínez, por ocasião da celebração de 13 de dezembro de 2025.

O prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos, cardeal Marcello Semeraro, presidirá a cerimônia de beatificação na catedral da Assunção, na cidade andaluza.

Esses 124 mártires se unem a um grande grupo de beatos assassinados durante a perseguição religiosa do século XX na Espanha.

“O Kolbe espanhol”

Entre os novos mártires está o sacerdote Francisco de Paula Padilla, a quem alguns chamam de “o Kolbe espanhol”.

Francisco de Paula tinha 44 anos e era pároco do município jienense de Arjona quando entregou sua vida, explica a Aleteia o então postulador de sua causa, Rafael Higueras.


O Servo de Deus Francisco de Paula Padilla, de 44 anos, pároco de São Martinho de Tours. Da prisão de Arjona foi transferido para Jaén. Estando preso na Catedral-Cárcere de Jaén, em 3 de abril de 1937, após um bombardeio à cidade, organizou-se uma “saca” de represália na prisão. Viveram-se momentos muito duros quando, à meia-noite, os guardas começaram a chamar os nomes incluídos na trágica lista.

Ao chamarem certo José, seu companheiro de cela, ele chorava amargamente e resistia a sair (alegava ter seis filhos). Foi então que, de um salto, nosso dom Francisco saiu e colocou-se na fila para que lhe atassem as mãos. O chefe que fazia a chamada disse: “Você não é o convocado”. Ao que ele respondeu: “Eu sou Francisco Padilla Gutiérrez, sacerdote. Não tenho esposa nem filhos, por isso peço que me levem a mim e não a este pobre homem”.

Então o padre pediu aos milicianos que o deixassem ir em seu lugar. E assim entregou sua vida, como fez Maximiliano Kolbe no campo de concentração de Auschwitz.

Em fila, saíram em direção ao caminhão que os levaria ao cemitério de Mancha Real. Quando chegaram ao lugar do martírio, junto ao muro do cemitério, começaram a cantar: “Salvai-me, Virgem Maria… Perdão, ó meu Deus”. Dom Francisco Padilla Gutiérrez e dom Francisco Solís Pedrajas, os dois párocos e conterrâneos, dirigiram algumas palavras de perdão aos seus assassinos.

Deram absolvição aos companheiros e os animaram a enfrentar a morte: “Estamos prontos! Quando quiserem!”. O pelotão decidiu não fuzilá-los, até que um miliciano conhecido como “O Corcunda” disse: “Deixem comigo, eu faço isso”, e disparou a metralhadora, fazendo seus corpos caírem ao chão. Testemunhas ainda vivas dizem: “Ouvimos tudo no silêncio da noite — gritos de dor e perdão — ‘Viva Cristo Rei!’”.

Ao amanhecer, procuraram outro homem de Mancha Real, chamado “El Bolo”, e, como a outro Cirineu, obrigaram-no com sua burrinha a arrastar os corpos ainda quentes dos mártires até a vala comum. De lá, seus restos foram posteriormente transferidos, junto com os dos companheiros, para a Cripta da Catedral de Jaén.

“Senhor, concede-nos ser sempre como teus servos Francisco de Paula Padilla e seus companheiros, testemunhas valentes do teu Evangelho, e entregar cada dia a nossa vida em serviço aos nossos irmãos. Amém.”

Uma viúva dedicada aos pobres

Obdulia Puchol Merino recebeu dos pais a fé católica e o compromisso com a Igreja.

Colaboradora ativa de sua paróquia, intensificou suas obras de apostolado e caridade depois da morte do marido.

Trabalhava com as Conferências de São Vicente de Paulo, fundadas em sua paróquia e presididas por seu pai.

Obdulia criou um abrigo para pessoas em situação de passagem, oferecendo comida, alojamento e cuidados de saúde aos necessitados.

No dia de seu martírio, vestia o hábito de São Francisco, como terciária franciscana.

Testemunhos

Entre os mártires deste novo grupo de beatos está um sacerdote martirizado dez dias após ser ordenado e uma pessoa com deficiência intelectual conhecida como “Bernabé, o dos majitos”.

Também há dois jovens da Ação Católica, uma religiosa, a irmã do bispo junto com o marido, numerosos sacerdotes e alguns leigos.

Para o bispo Chico Martínez, “recordá-los não é olhar para o passado com tristeza, mas abraçar o futuro com valentia”.

“Porque o testemunho martirial deles brilha acima das sombras da história e da fragilidade do mundo.”

E inspira, nas palavras do bispo emérito de Jaén, Ramón del Hoyo, durante o tríduo preparatório para a beatificação, a “estarmos em paz conosco mesmos e com nossa vida para enfrentar a morte”.

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