O ataque terrorista na comunidade judaica de Sydney (Austrália), em 14 de dezembro, deixou pelo menos 16 mortos. Em meio ao horror, várias pessoas se destacaram pela coragem, como esta mãe de família, Jessica, que protegeu uma criança que não era seu filho diante do perigo.
Os momentos mais trágicos frequentemente dão origem a verdadeiras ações de coragem. Após o gesto heroico de Ahmed, que desarmou com as próprias mãos um dos autores do tiroteio em Sydney (Austrália) no dia 14 de dezembro, durante a celebração judaica do Hanucá, Jessica Rozen, uma mãe de família, também se destacou por sua bravura, segundo relata o The Guardian.
Procurando desesperadamente seu filho de três anos no meio da multidão, ela imediatamente se deitou sobre uma menina que também estava sozinha, até que o pai dela chegasse. A mãe ouviu a criança gritar e se colocou como escudo no momento em que um dos atiradores, a partir de uma passarela, apontava seu fuzil para o grupo que tentava se esconder entre cadeiras.
“I got you, I got you” (“Eu estou com você, eu estou com você”), repetia várias vezes Jessica à menina enquanto os tiros continuavam, misturados aos gritos das vítimas. “Nós vamos ficar aqui até estarmos em segurança, e ninguém vai nos machucar.” Deitados no chão, alguns não sobreviveram. Jessica conta ter visto uma mulher morta com um tiro na cabeça, a poucos metros dali.
Seu filho de três anos estava no parquinho com a avó, fora da principal zona de tiros. “Ela estava deitada sobre ele”, declarou Jessica ao The Guardian. “Um grupo de homens reuniu todas as crianças e mulheres da área de lazer e as levou até o clube de surfe. Não sei quem eles são, mas sou infinitamente grata a eles.”
Ideologia islamista
Pelo menos 16 pessoas morreram neste atentado e mais de 40 ficaram feridas, segundo os números mais recentes. As vítimas tinham entre 10 e 87 anos. Um balanço dramático que poderia ter sido ainda mais grave se várias pessoas não tivessem se interposto para tentar desarmar os atiradores. Três delas morreram nessas tentativas, entre elas um casal de cerca de 60 anos, que imobilizou um dos terroristas na Campbell Parade, quando ele saía de seu carro. De acordo com o Le Monde, imagens feitas posteriormente por um drone mostram o casal deitado e imóvel na calçada. Reuven Morrison, de 62 anos, também foi morto ao tentar intervir. “Pelo que entendo, ele correu assim que o tiroteio começou. Ele conseguiu lançar tijolos contra o terrorista”, declarou sua filha, Sheina Gutnick, à emissora CBS News. O comissário de ambulâncias de Nova Gales do Sul, Dominic Morgan, elogiou o “heroísmo extraordinário” dos primeiros socorristas.
Os dois autores do tiroteio são pai e filho, Sajid Akram e Naveed Akram, de 50 e 24 anos, respectivamente. O primeiro foi morto pela polícia, enquanto o segundo, ferido, permaneceu em coma até a manhã de terça-feira, quando despertou. Ambos estariam “motivados pela ideologia” do grupo Estado Islâmico, declarou o primeiro-ministro australiano na terça-feira, 16 de dezembro. O veículo encontrado próximo à praia de Bondi continha, entre outros itens, duas bandeiras do Estado Islâmico e artefatos explosivos improvisados, informou posteriormente Mal Lanyon, responsável pela polícia de Nova Gales do Sul.









