“O olhar deve agora projetar-se para o futuro”: durante a conferência sobre o balanço do Jubileu de 2025, na segunda-feira passada, o Arcebispo Rino Fisichella apresentou o Ano Santo que acabava de terminar como uma “propedeutica” ao Jubileu extraordinário que deverá ocorrer em 2033.
“Este Ano Santo orienta o caminho para outra comemoração fundamental para todos os cristãos. Em 2033, de fato, celebraremos os 2.000 anos da Redenção realizada através da Paixão, da morte e da ressurreição do Senhor Jesus”, explicou o arcebispo italiano que liderou o seu segundo Jubileu, tendo já estado à frente durante o Ano Santo da Misericórdia, em 2015-2016.
Questionado sobre as modalidades práticas deste evento, Monsenhor Fisichella mostrou-se prudente, precisando que se trata de uma “opção”, mas que caberá ao Papa convocá-lo através de uma bula de indicação que delineará os contornos. Sete anos antes, é cedo demais para fazer uma programação precisa.
A opinião foi compartilhada durante a conferência de imprensa pelo prefeito de Roma, Roberto Gualtieri, que explicou que nenhuma planificação tão distante é possível para o seu município, pressionado por prazos eleitorais. Apenas tocou, questionado sobre grandes obras, a possibilidade de um “túnel sob a Via della Conciliazione”, ainda muito hipotética.
De Roma a Jerusalém
Em Spes non confundit, a bula de indicação do Jubileu de 2025, o Papa Francisco havia aberto o caminho ao explicar que “este Ano Santo guiará a marcha para outro aniversário fundamental para todos os cristãos”, aquele da Redenção, em 2033. “Estamos diante, assim, de um percurso marcado por grandes etapas nas quais a graça de Deus precede e acompanha o povo que caminha com zelo na fé, atua na caridade e persevera na esperança”, insistiu o Papa argentino.
Ele também mencionou o Jubileu de 2033 em encontros com os sacerdotes de Roma.Mas Roma será também central quanto ao ano passado? Nada é certo nesse sentido. Por enquanto, a única menção a essa data por Leão XIV cingiu-se ao projeto de uma grande peregrinação ecumênica a Jerusalém, um tema abordado por ocasião da recente comemoração do Concílio de Niceia, em novembro passado.
Durante a sua viagem à Turquia, Leão XIV convidou os líderes cristãos “a percorrerem juntos o caminho espiritual que conduz ao Jubileu da Redenção, em 2033”.
O pontífice norte-americano-peruano mencionou “a perspectiva de um retorno a Jerusalém, ao Cenáculo, lugar da Última Ceia de Jesus com seus discípulos – onde Ele lhes lavou os pés – e lugar de Pentecostes”.A Terra Santa deveria, portanto, constituir um ponto de atenção especial para esse Jubileu de 2033.
Alguns observadores imaginam que uma Porta Santa poderia ser instalada em Jerusalém, em um lugar específico que ainda precisa ser definido: a presença de uma Porta Santa na Basílica do Santo Sepulcro traria grandes dificuldades logísticas e eclesiológicas, neste local compartilhado entre várias confissões.
Um local diretamente administrado pela Igreja Católica poderia ser mais adequado. Mas esse “retorno às fontes comuns” poderia, em qualquer caso, representar um símbolo forte e dar motivação para apoiar as comunidades cristãs da Terra Santa.
Um Jubileu descentralizado?
Uma Porta Santa em Jerusalém poderia coexistir com as portas santas tradicionais em Roma, nas basílicas maiores, pois uma forma de descentralização é perfeitamente viável.
Durante o Jubileu da Misericórdia, em 2015, portas santas foram abertas em todas as catedrais do mundo. Em sinal de atenção às periferias, o Papa Francisco abriu a porta da catedral de Bangui, na República Centro-Africana, poucos dias antes da da Basílica de São Pedro, em Roma.
Diferentes formatos são, portanto, possíveis, ampliando a linha norteadora proposta pelos jubileus extraordinários de 1933 e 1983, que também haviam celebrado a Redenção oferecida por Cristo. O jubileu de 1983 deixou um legado bem visível: a Cruz da Redenção, exibida naquela ocasião na Basílica de São Pedro, foi depois oferecida por João Paulo II aos jovens e viajou pelo mundo inteiro. Tornou-se a “coroa das JMJ” (Jornadas Mundiais da Juventude), e hoje circula pela Coreia do Sul, em preparação para o encontro programado em Seul no ano que vem.
O Papa atual, ainda relativamente jovem, tem ainda tempo para refletir sobre os contornos que deseja propor para este Jubileu, cuja organização também dependerá da situação internacional. Leão XIV, que teria 77 anos na abertura, seria o quarto papa a vivenciar dois jubileus. Os anteriores foram Pio XI, que recebeu os fiéis em Roma em 1925 e 1933; João Paulo II, soberano durante os anos santos de 1983 e do ano 2000; e Francisco, criador do Jubileu da Misericórdia em 2015-2016, e que abriu o Jubileu de 2025.









