Inspirados pelo lema bíblico "A esperança não decepciona", os bispos propõem um roteiro para 2026 que exige coragem para recomeçar e um compromisso inabalável com os mais vulneráveis. O documento, assinado pelo Cardeal Jaime Spengler e pela presidência da entidade, reafirma que o papel da Igreja é ser um farol de lucidez e solidariedade em tempos de incerteza.
A esperança
O balanço do ano que terminou apresenta indicadores que a Igreja recebe com entusiasmo. No âmbito da saúde, a CNBB celebra o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e o aumento da taxa de médicos por habitante. Economicamente, a queda no desemprego, a estabilidade da inflação e o crescimento do PIB são vistos como sinais de que o país caminha para uma maior estabilidade. Além disso, a realização da COP-30 em Belém foi destacada como um marco do orgulho nacional e do compromisso ambiental.
No entanto, os bispos alertam que esses números não podem mascarar as feridas que ainda persistem na estrutura social brasileira. "Como pastores, exultamos com as vitórias e conquistas e nos inquietamos — e até nos indignamos! — com alguns retrocessos no campo da ética e do cuidado com os pobres", afirma o texto oficial. A esperança cristã, portanto, é apresentada não como um otimismo ingênuo, mas como uma força que nasce da consciência da dignidade humana.
Desafios
Um dos pontos mais sensíveis da mensagem é a denúncia de tentativas de flexibilização de direitos fundamentais. A CNBB manifestou grave preocupação com propostas legislativas que visam fragilizar o combate ao trabalho escravo e com a persistência de "pautas de morte" que ameaçam a vida desde a concepção até o seu fim natural. O documento critica a priorização de interesses partidários em detrimento das necessidades urgentes da população.
Para a presidência da CNBB, a crise de confiança nas instituições é um obstáculo que precisa ser superado com ética e transparência. "Sem esperança, temos as mãos e os pés amarrados. Somos escravos sem perspectiva de libertação", diz a mensagem.
Reconciliação
Ao olhar para 2026, a CNBB aponta para a necessidade de uma "travessia" sob a proteção de Nossa Senhora Aparecida. O objetivo é ser pessoas melhores em um mundo pacificados, onde o diálogo substitua a polarização estéril. A mensagem encerra-se com um voto de confiança na capacidade de renovação do povo brasileiro, sustentado pela oração e pela prática da justiça.
"Não caminhamos na escuridão; somos peregrinos de esperança!", proclamam os bispos, convocando as famílias e comunidades a manterem acesa a coragem de transformar a realidade. Em 2026, a meta da Igreja no Brasil será provar que, com fé e compromisso social, a esperança pode sim tornar-se a realidade palpável de um país que cuida de seus filhos e protege a criação.









