Localizada entre os oceanos Atlântico e Ártico, a nordeste do Canadá, a Groenlândia é a maior ilha do mundo. Este território autônomo do Reino da Dinamarca está atualmente no centro das atenções devido a problemas relacionados à sua autonomia, seus recursos naturais e as ambições estratégicas das grandes potências, em particular os Estados Unidos. Mas nesta vasta ilha ártica, longe do frenesi diplomático e midiático, vive uma pequena e discreta comunidade católica.
É lá, em Nuuk, a capital, que o padre franciscano esloveno Tomaž Majcen exerce seu ministério. Seu testemunho, compilado pela equipe editorial eslovena de Aleteia, oferece uma perspectiva única sobre a vida, a fé e os desafios de uma população muitas vezes ignorada.
Os groenlandeses são pessoas de silêncio e natureza. Vivem em um ambiente onde o silêncio está mais presente do que as palavras, onde o espaço é maior que as populações.

Aleteia: Você pode nos contar sobre seu caminho para o sacerdócio e por que escolheu a ordem franciscana?
Padre Tomaž : Desde muito jovem, senti que Deus me chamava para algo especial, mas meu caminho para o sacerdócio não foi fácil. Eu tinha dúvidas, perguntas, e às vezes me perguntava se era realmente para mim. Mas Deus tem seu tempo e seu caminho para cada um. Quando conheci os franciscanos, fui atraído por sua simplicidade e pelo espírito de São Francisco. O que me atraiu foi que São Francisco não havia cursado o ensino superior, mas amava a Deus e toda a criação com grande alegria. Essa fraternidade e simplicidade me atraíram muito.
Como você chegou à Dinamarca e depois à Groenlândia? Você já tinha o desejo de ser missionário lá?
Para ser honesto, a Groenlândia não estava nos meus planos. Quando me perguntaram se eu queria ir para a Dinamarca, imaginei Copenhague, uma cidade linda e cheia de cultura... Mas não a Groenlândia! A vida missionária é cheia de surpresas. Em 2017, os franciscanos retornam a Copenhague após quase um século de ausência. No século XIII, tínhamos 26 conventos lá, mas a Reforma nos expulsou. Agora estamos de volta.
Então surgiu a oportunidade de servir na Groenlândia: em 2023, me tornei pároco da igreja de Cristo Rei em Nuuk. É incrível: a maior ilha do mundo só tem uma paróquia católica! E eu, um padre esloveno, sou seu pároco. É claramente obra de Deus, não minha.
Aqui você tem que escolher sua fé. Você não é católico porque seus pais eram, mas porque você decidiu.
Você gosta de frio e neve? Como você suporta temperaturas extremas?
No começo, eu pensei que sabia o que era frio; afinal, na Eslovênia temos inverno. Mas a Groenlândia é outra história: um frio que penetra nos ossos, um vento gelado que te arrasta. Me acostumei. Os humanos podem se adaptar quando necessário. Este silêncio, esta pureza quando tudo está coberto de neve, é muito especial. Às vezes, fico na costa, observo os icebergs flutuando no mar e penso: "Que sorte eu tenho de ver essas obras de arte divinas!". Esses icebergs têm milhares de anos, suas cores: azul turquesa, branco... É como se o próprio Deus estivesse pintando. Nesses momentos, você esquece o frio e o vento. Você só vê a beleza.
Como vivem os católicos groenlandeses? A sua fé é diferente da dos eslovenos?
Os católicos na Groenlândia são muito poucos. Em Nuuk, nossa comunidade tem cerca de 500 pessoas, a maioria imigrantes: filipinos, vietnamitas e europeus. Os católicos groenlandeses nativos são muito escassos.
Eles vivem sua fé com simplicidade e sinceridade. Na Eslovênia, a fé é muitas vezes parte da cultura e da tradição. Aqui, você tem que escolher a própria fé. Você não é católico porque seus pais eram católicos, mas porque você decidiu ser católico. Isso fortalece sua fé.

As pessoas do norte costumam ser reservadas. Como o receberam?
É verdade que os dinamarqueses e os groenlandeses não são muito comunicativos. Não são como nós, os eslovenos, que amamos conversar, nos abraçar... Mas eles são quentes à sua maneira. São pessoas de silêncio e natureza. Vivem em um ambiente onde o silêncio está mais presente do que as palavras, onde o espaço é mais vasto do que as pessoas. Este silêncio os moldou. Não são frios, apenas diferentes. Seu calor é discreto, profundo. Aprendi que o silêncio não é um inimigo, mas que Deus o escolhe, o preenche, habita nele. Os groenlandeses sabem disso.
Deus trabalha em todos os lugares: no frio e no calor, no silêncio e na música, entre os eslovenos e os groenlandeses. Seu amor não conhece fronteiras.
O que o Extremo Norte lhe ensinou?
Essa é uma grande pergunta... O Norte está me transformando de maneiras que ainda não entendo completamente. Primeiro, aprendi humildade. Quando você está no meio da Groenlândia, em frente às imensas geleiras, você se sente tão pequeno. Você lembra que é um ser humano, não Deus.
Então, aprendi o silêncio. Em silêncio, você ouve a Deus, ouve seu coração. Não é fácil. Às vezes, você preferiria música ou telefone para escapar do silêncio, mas aqui você tem que enfrentar a si mesmo, Deus e a verdade. Também aprendi paciência. Aqui tudo é lento. O clima pode mudar em um instante e você pode ficar confinado em casa por três dias. As pessoas chegam quando chegam; o tempo não importa. Você aprende a esperar e estar presente no momento.
Finalmente, aprendi a gratidão. Por um quarto quente, pelo sol quando nasce, por cada pessoa que vem à Missa, por cada sorriso. Nada é garantido. O Norte me torna mais humano, mais sacerdotal, mais franciscano: São Francisco amava a natureza, a simplicidade e a paz. Aqui, seu espírito está muito presente.
Você tem alguma história sobre sua vida na Groenlândia? ¡
Sim! No primeiro ano, em dezembro, fazia -20 °C. Ao descer do avião, o frio me atingiu com tanta força que mal conseguia respirar; meu nariz estava gelado! Esse vento do norte é muito forte. Eu me perguntava no que eu tinha me metido. Mas não me desanimou. A vida no norte é um presente; às vezes difícil, às vezes frio, mas um presente afinal.
Aprendi que Deus está presente em todos os lugares: no frio como no calor, no silêncio como na música, entre os eslovenos como entre os groenlandeses. Seu amor não conhece fronteiras









