Quaresma 2026
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Em uma cultura que exalta a autossuficiência, a produtividade e a ideia de que "dar conta de tudo" é sinônimo de força, a independência tornou-se quase uma virtude inquestionável, dando lugar à cultura da hiperindependência.
Quando essa autossuficiência se torna extrema e vem acompanhada de uma resistência constante em pedir ou receber ajuda, ela pode se transformar em um padrão silencioso que afeta o bem-estar emocional e as relações pessoais.
Fechamento de vínculos e desconfiança
O excesso de independência traz consigo certos comportamentos gerados a partir de algum trauma durante a infância ou em alguma etapa da vida, o que provoca uma falta de confiança nos outros. Isso acaba fechando vínculos com as pessoas, desde uma amizade até um relacionamento amoroso.
Esse medo é, portanto, o polo oposto da dependência afetiva. É por isso que as pessoas que têm hiperindependência tendem a se afastar dos outros e a fazer tudo por si mesmas.
Um estudo do Newport Institute deduz que "a hiperindependência não é um transtorno de saúde mental diagnosticável; é considerada uma resposta ao estresse desencadeada com maior frequência por trauma crônico ou agudo".
Sinais de hiperindependência
Estes são os pontos que o Newport Institute identificou para detectar quando não existe uma dependência saudável:
1. Assumir toda a responsabilidade Neste ponto, as pessoas que vivem com esse excesso de independência costumam se comprometer mais do que a realidade permite, além de viverem imersas em projetos pessoais ou serem pessoas que trabalham o tempo todo.
Portanto, esse traço se torna uma obsessão por manter-se ocupado o máximo de tempo possível. Dessa forma, se permanecerem ocupadas a maior parte do tempo, poderão evitar vínculos com outras pessoas, sejam parceiros, família ou amigos.
2. Dificuldade em delegar Diante dessa situação, para as pessoas que carregam tal trauma, é difícil aceitar que o outro pode ajudá-las. Preferem fazer as coisas sozinhas, mesmo sabendo que seria mais fácil se aceitassem ajuda.
Isso ocorre porque, em alguma etapa passada — seja na infância ou em outra circunstância —, elas não obtiveram o cuidado nem o apoio de seus pais, no trabalho, etc. Mesmo que estejam sobrecarregadas, mantêm-se firmes na ideia de que "podem com tudo".
3. Desconfiança total nos outros As pessoas com hiperindependência tendem a desconfiar dos demais por medo de serem traídas ou rejeitadas. Por isso, preferem não se aproximar ou não confiar em ninguém e enfrentar as situações sozinhas, mantendo um perfil hermético e reservado.
4. Poucos relacionamentos próximos ou duradouros A personalidade daqueles que têm alta independência costuma construir barreiras muito altas, de modo que é difícil se aproximar delas e derrubar esses muros para conseguir ter uma relação significativa.
5. Dificuldade com a necessidade Neste caso, elas não permitem que as pessoas dependam delas, nem vice-versa. Resistem a isso e podem até chegar a sentir ressentimento.
Como abordar o trauma da hiperindependência?
6. Realizar um processo terapêutico Nesses casos, os especialistas recomendam iniciar uma terapia com abordagem cognitivo-comportamental focada em trauma, já que o terapeuta poderá ajudar a reconhecer e, depois, processar as experiências prévias que alimentam esse trauma.
7. Trabalhar o autocuidado Sob o ponto de vista dos especialistas, é importante implementar o autocuidado, onde a pessoa possa praticar técnicas de relaxamento, contato com a natureza ou receber uma massagem relaxante, já que tudo isso pode aliviar os sintomas do referido trauma.
Reconhecer e aceitar nossa humanidade nos permite potencializar nossas habilidades para manter uma dependência correta, sendo conscientes de nossas limitações humanas. Recordar que aprender a pedir ajuda, permitir a proximidade e aceitar a vulnerabilidade não nos torna mais fracos, mas sim mais humanos.









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