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Crianças: O desafio de desconectar para crescer

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Paulo Teixeira - publicado em 26/02/26
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O uso excessivo e precoce de telas está diretamente ligado a um fenômeno preocupante: a adultização infantil.

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O cenário é comum em lares brasileiros: crianças pequenas, muitas vezes ainda bebês, manejando tablets e celulares com uma destreza que impressiona os adultos. No entanto, o que parece ser um sinal de inteligência precoce tem acendido um alerta vermelho entre especialistas em saúde e educação.

Labirinto da adultização

De acordo com o Dr. Eduardo Jorge Custódio da Silva, membro do Grupo de Trabalho de Saúde Digital da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a adultização ocorre quando a criança é sobrecarregada com tarefas ou obrigações que pertencem ao mundo adulto. Um exemplo clássico da atualidade é a transformação de crianças em "mini-influenciadores" ou provedores da família através de canais de vídeo.

Além da carga de responsabilidade, o médico alerta para a mistura entre adultização e erotização, onde ocorre a sexualização precoce da criança muito antes do tempo natural. "As telas devem ser sempre supervisionadas e mediadas pelos pais", reforça o pediatra, citando a inexistência de uma legislação que limite o tempo de uso, mas enfatizando a necessidade de um marco regulatório de idade e supervisão constante.

O cérebro em desenvolvimento

A preocupação não é meramente comportamental, mas biológica. Maria Inês Monteiro de Freitas, coordenadora nacional da Pastoral da Criança, explica que a primeira infância é o período de desenvolvimento cerebral mais intenso. A exposição prolongada ao mundo digital pode comprometer funções vitais:

  • Sono e Concentração: As telas interferem diretamente na qualidade do repouso e na capacidade de foco da criança.
  • Vínculos Afetivos: O isolamento digital prejudica a formação de laços com cuidadores e colegas.
  • Estímulo Sensorial: Diferente do mundo real, a tela não oferece os estímulos táteis e motores necessários para o crescimento saudável.

Realidade das crianças

Mudar essa realidade exige mais do que apenas "tirar o celular". Dom Frei Severino Clasen, presidente da Pastoral da Criança, destaca que as famílias precisam estabelecer limites claros, mas, acima de tudo, dar o exemplo.

Para Jair Francisco dos Santos, coordenador da Pastoral em Araçatuba, a regra de ouro é: "quanto menos contato com equipamentos eletrônicos, melhor para o desenvolvimento". Ele sugere que o tempo de uso seja monitorado por um adulto e que se ofereçam alternativas atraentes.

A substituição das telas passa pelo resgate da simplicidade. O Dr. Eduardo sugere práticas ao ar livre, como visitas a parques e praias, além de atividades culturais gratuitas. A Pastoral da Criança incentiva o "brincar livre": inventar histórias, fabricar os próprios brinquedos e explorar o mundo com a curiosidade típica da idade.

Em suma, a tecnologia não é a vilã, mas o modo como é utilizada. O papel dos pais e educadores em 2026 é ser o filtro entre o bombardeio digital e a pureza da infância, garantindo que as crianças vivam plenamente cada fase de seu crescimento natural.

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