Quaresma 2026
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O período da adolescência é marcado pelo desejo natural do jovem de se separar de seus pais para construir sua própria identidade. Essa distância necessária passa, muitas vezes, por uma certa oposição. Comunicar-se com um adolescente pode então tornar-se um desafio para muitos pais. No entanto, este período crucial também pode se tornar uma oportunidade para construir uma relação mais madura e respeitosa.
Anne-Claire de Pracomtal, terapeuta familiar e coach, destaca com força: "É preciso reorganizar um pouco a maneira de se comunicar com o filho". Juntamente com Erika Seydoux, em seu livro Je ne sais plus quoi faire avec mon ado (Não sei mais o que fazer com meu adolescente), ela propõe os cinco pilares da comunicação positiva a serem implementados com um jovem. São referências concretas que favorecem um diálogo mais tranquilo, reforçam a confiança e mantêm um vínculo sólido, apesar das turbulências da adolescência.
1O "você" mata, use o "eu"
A comunicação com um adolescente pode rapidamente virar um conflito quando se baseia na acusação, especialmente através do uso do "você" ("você sempre faz…", "você nunca respeita…"). Essa forma de comunicação é frequentemente contraproducente. "Mesmo quando o pai ou a mãe permanece calmo ou quer apenas ser direto, esse tipo de formulação pode ser percebido como agressivo pelo adolescente, que corre o risco de se fechar", explica Anne-Claire. Ela convida os pais a usarem afirmações com "eu", que permitem expressar emoções sem colocar o outro na defensiva. "Eu me sinto frustrado", "eu preciso de"… frases assim incentivam uma comunicação sem culpas nem discussões e permitem ser ouvido. "Quando surge um problema e a raiva é legítima, é importante expressar o que sente sem ser agressivo ou excessivamente acusador. Dizer o que sente, em vez do que o outro 'faz de errado', abre mais espaço para o diálogo", insiste a especialista.
2O co-pilotagem
Da mesma forma, uma postura autoritária demais, sem espaço para discussão, complica o diálogo. "Impor regras de forma unilateral, sem explicá-las ou construí-las juntos, limita a adesão do adolescente. Regras de convivência são necessárias, mas a maneira de apresentá-las e aplicá-las faz toda a diferença", afirma Anne-Claire. Ela observa que os pais não devem ser os pilotos da vida de seus adolescentes, mas sim seus co-pilotos. A ideia é simples: em vez de impor, colaborar para encontrar soluções. Por exemplo, no início do ano letivo, em vez de impor um cronograma, estabeleça-o juntos (horários, refeições, deveres, tempo livre). "Isso permite envolver o adolescente, dá a ele escolha e evita que ele sinta que tudo é decidido sem ele. Essa colaboração favorece a responsabilidade e reduz conflitos".
3O tempo de pausa
"Nada se resolve aos gritos ou sob o efeito da raiva", alerta Anne-Claire. A especialista em adolescência recomenda uma estratégia de comunicação simples, mas poderosa, usada para prevenir a escalada de conflitos: quando a troca se torna muito carregada emocionalmente e o diálogo perde a eficácia, é aconselhável fazer uma pausa e, se necessário, estabelecer uma distância física temporária. "Esse momento permite que cada um recupere a calma, diminua a pressão e retorne à discussão em melhores condições".
4O desapego
Atenção: desapegar não significa desistir. Trata-se de escolher suas batalhas. "Querer controlar tudo — as escolhas de roupas, resultados escolares, amizades ou hábitos — é não apenas irrealista, mas também contraproducente. Ao tentar enquadrar tudo, o pai ou a mãe corre o risco de não ser mais ouvido", explica Anne-Claire. Ela aconselha identificar o que é realmente importante, o que diz respeito aos valores e responsabilidades educativas que se deseja transmitir. "Nesses pontos, a estrutura deve ser clara e assumida. Por outro lado, para o restante, é benéfico confiar no adolescente". Essa postura favorece a autonomia, reforça a relação de confiança e torna a comunicação mais tranquila e eficaz.
5O tempo junto com o adolescente
Passar tempo juntos é essencial para manter o vínculo com o adolescente. Mesmo que essa idade seja marcada por um distanciamento, continua sendo importante interessar-se pelo universo dele e pelo que faz parte do seu dia a dia. O desafio é encontrar zonas de encontro, momentos compartilhados que permitam nutrir a relação sem forçá-la. "Isso pode passar por atividades escolhidas juntos: ir ao cinema, praticar um esporte ou uma atividade criativa", enumera Anne-Claire. Ela observa que hoje muitos adolescentes e pais vivem em mundos paralelos, especialmente por causa das novas tecnologias. "Os pais podem se sentir desconectados do que seus filhos veem ou vivem. É como se um muro invisível os separasse". Reservar um tempo para entrar no mundo deles permite reduzir essa distância e fortalecer uma relação baseada na compreensão e na presença.
Essas chaves de comunicação lembram que o vínculo com o adolescente não se constrói no confronto, mas na escuta, no respeito e na confiança. São princípios simples, aplicáveis a todas as relações (casal, trabalho, amigos), que permitem nutrir trocas mais serenas e reforçar duradouramente os laços no cotidiano.








