Quaresma 2026
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As palavras que foram ditas, as decisões tomadas, os caminhos escolhidos — tudo isso pertence a um tempo que já não existe mais. Ainda assim, muitas pessoas continuam vivendo como se pudessem voltar atrás, corrigir falas, escolher diferente, evitar dores.
Essa tentativa silenciosa de negociação com o passado costuma gerar culpa, vergonha e autocrítica excessiva. “Eu deveria ter percebido.” “Eu não podia ter aceitado isso.” “Se eu tivesse escolhido diferente…”. Mas existe um ponto essencial que precisa ser lembrado: naquela época, você fez o melhor que podia com o nível de consciência, maturidade emocional e recursos que tinha.
Hoje, talvez você enxergue alternativas que antes não via. Hoje, talvez reconheça limites que antes não sabia impor. Mas isso não significa que você errou deliberadamente — significa que você cresceu.
1O passado como fotografia, não como prisão
O passado é como uma fotografia: ele registra quem éramos naquele momento. Não somos mais aquela pessoa. Carregamos experiências, aprendizados, cicatrizes e também forças que nasceram justamente das dificuldades vividas.
Quando tentamos lutar contra o que já aconteceu, permanecemos presos a uma versão antiga de nós mesmos. Aceitar o passado não é concordar com tudo o que foi vivido, nem minimizar dores. Aceitar é reconhecer: “Foi assim. E, a partir disso, eu vou seguir.”
A aceitação abre espaço para algo profundamente transformador: Responsabilidade pelo presente.
2Crescer é reconhecer que não sabíamos
Muitas escolhas que hoje parecem equivocadas foram, na época, tentativas legítimas de sobreviver emocionalmente, de pertencer, de ser amado, de evitar conflitos ou de proteger-se.
É injusto julgar o “eu” do passado com a consciência do “eu” de hoje.
O amadurecimento traz uma ampliação de repertório. Passamos a enxergar limites, padrões repetitivos, relações que nos diminuíam ou decisões que nos afastavam de nós mesmos. Essa clareza é sinal de evolução — não de fracasso.
3Seguir em frente não é esquecer
Seguir em frente não significa apagar memórias ou fingir que nada aconteceu. Significa integrar a história à própria identidade de forma mais gentil.
Quando não elaboramos o passado, ele se infiltra no presente: nos medos, nas inseguranças, nos relacionamentos, nas escolhas profissionais, na forma como nos enxergamos. Já quando o compreendemos, ele deixa de ser um peso e se torna aprendizado.
É nesse ponto que a ajuda psicológica pode ser decisiva.
4A importância da ajuda psicológica
A psicoterapia oferece um espaço seguro para revisitar experiências, compreender padrões e reconstruir narrativas internas. Muitas vezes, não sofremos apenas pelo que aconteceu — sofremos pelo significado que atribuímos ao que aconteceu.
Com acompanhamento psicológico, é possível:
• Elaborar culpas antigas.
• Identificar padrões que se repetem.
• Desenvolver autocompaixão.
• Aprender a fazer escolhas mais conscientes.
• Fortalecer recursos emocionais para o presente.
O processo terapêutico não muda os fatos, mas transforma a forma como nos relacionamos com eles. E isso muda tudo.
Esperança é movimento:
Existe esperança quando entendemos que o passado explica, mas não determina. Ele influencia, mas não define quem somos ou quem podemos nos tornar.
Você não é apenas o que viveu. Você é também aquilo que escolhe construir a partir disso.
Seguir em frente é um ato de coragem. É aceitar que, naquele tempo, você fez o que sabia fazer. E que, agora, com mais consciência, pode fazer diferente.
O passado está cristalizado — mas o futuro continua em aberto. E sempre haverá possibilidade de novos caminhos, novas escolhas e novas formas de existir.
A esperança não está em mudar o que foi. Está em reconhecer que ainda há muitos capítulos a serem escritos até que o seu livro termine.
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