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Quando os jovens buscam identidade: um olhar sereno sobre o fenômeno therian

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Aleteia Espanha - publicado em 11/03/26
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Nas Redes Sociais e em espaços juvenis cresce a visibilidade daqueles que se identificam como “therians”. Mais do que uma raridade passageira, o fenômeno convida a olhar mais profundamente para as perguntas que habitam no coração dos jovens de hoje

Até algumas semanas atrás, o nome ou o fenômeno não eram reconhecidos, mas de repente o termo "therian" começou a circular nas redes sociais e conversas de adolescentes (do grego therion, "besta"). Trata-se principalmente de jovens e adolescentes que expressam uma profunda identificação com um animal, seja no plano simbólico, emocional ou de autoimagem.

O fenômeno, amplificado pela mídia digital, tem despertado curiosidade, perplexidade e, em alguns casos, preocupação, principalmente por pais e educadores. Além das reações imediatas, a situação oferece uma oportunidade para olhar com mais atenção a busca que as novas gerações passam.

E o que muitos jovens estão procurando hoje?

A adolescência sempre foi uma fase de perguntas intensas: quem sou eu?, onde me encaixo?, com quem me identifico e quero ser visto? O que muda em nosso tempo não são as perguntas, mas o contexto cultural em que são feitas.

A maioria dos jovens hoje cresce em ambientes digitais onde os rótulos de identidade se multiplicam e se espalham rapidamente. Nesse ecossistema, assumir um nome, uma categoria, pertencer a uma comunidade online, pode oferecer algo muito valioso para o adolescente: pertencimento, visibilidade e uma história concreta sobre si mesmo.

Alguns especialistas em questões psicológicas afirmam que - embora não seja um distúrbio, porque ainda não é reconhecido pela Associação Americana de Psiquiatria - merece uma análise clínica - e social - séria.

Visto assim, o fenômeno therian deixa de ser apenas um rótulo marcante e se torna um sinal do nosso tempo: o profundo anseio de identidade e pertencimento.

O olhar cristão sobre a identidade humana

Diante desses cenários culturais, a fé cristã propõe uma visão da pessoa que busca iluminar sem desqualificar. O Catecismo da Igreja Católica lembra que o ser humano possui uma dignidade única, fruto de ter sido criado à imagem e semelhança de Deus. Esta afirmação não é abstrata: significa que cada pessoa é querida, conhecida e amada em sua singularidade.

Além disso, a tradição cristã convida a abordar cada situação humana com respeito e caridade. A verdade do ser humano não se propõe a partir do confronto, mas do encontro. Por isso, quando surgem esses fenômenos culturais que geram perguntas ou preocupações, a primeira atitude cristã não é a rejeição ou a zombaria, mas a compreensão acompanhada de caridade.

O papel dos pais e educadores

Sua presença se torna indispensável e decisiva. Reações impulsivas, sejam ridículas ou indiferentes, raramente ajudam os jovens a integrar suas preocupações mais profundas.

A experiência pastoral e educacional mostra que muitos adolescentes precisam ser ouvidos sem medo, mas também acompanhados sem abrir mão da verdade. A confiança é construída no diálogo cotidiano, no interesse genuíno pelo outro e na capacidade de propor horizontes mais amplos de significado.

Aqui aparece novamente a missão insubstituível da família. O lar continua sendo o primeiro espaço onde uma criança aprende quem é e quanto vale. Quando esse vínculo se fortalece, muitas buscas de identidade encontram canais serenos e abrangentes.

A escola, por sua vez, cumpre um papel complementar de grande importância. Professores atenciosos, próximos e bem treinados podem ajudar os jovens a desenvolver pensamento crítico, maturidade afetiva e senso de realidade, elementos-chave para navegar em uma cultura saturada de estímulos.

Chaves de discernimento para os pais hoje

Diante de fenômenos emergentes como o dos therians, pode ser útil que as famílias mantenham uma atitude de vigilância serena. Algumas perguntas podem orientar o acompanhamento:

  • Estou gerando espaços reais de conversa com meus filhos?
  • Conheço os ambientes digitais em que eles se movem?
  • Eu os ajudo a descobrir seu valor além de rótulos passageiros?
  • Estou oferecendo testemunho de identidade e coerência em casa?

Esse discernimento não busca controlar cada passo do adolescente, mas fortalecer o vínculo que lhe permite crescer com raízes firmes e amplo horizonte.

Sem perder a esperança

Cada época traz consigo novas linguagens e expressões juvenis. Em nosso tempo, esse desejo de identidade é ampliado pela busca por validação digital e viralidade. Mas no fundo, as grandes perguntas do coração humano permanecem surpreendentemente estáveis.

O desafio para as famílias, a escola, a comunidade eclesial, não é reagir com medo a cada tendência, mas aprender a ler o que elas revelam sobre a sede de sentido dos jovens. Onde há confusão, também há busca, e onde há busca sincera, também há esperança.

Acompanhar com paciência, propor com clareza e amar com perseverança continua sendo o melhor caminho, o mais frutífero porque, além de qualquer rótulo, cada jovem continua sendo uma história sagrada em construção.

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