A escalada de violência no Oriente Médio e a crescente instabilidade internacional motivaram a Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) a publicar, em 10 de março de 2026, uma nota oficial sobre a urgência do desarmamento e da retomada do diálogo. Em sintonia com o Papa Leão XIV, o corpo eclesiástico brasileiro manifestou profunda preocupação com as consequências dos conflitos para a população civil e reforçou que a estabilidade entre as nações não pode ser edificada sob ameaças mútuas ou pelo uso de armas.
A manifestação é um apelo direto aos líderes mundiais para que abandonem a lógica da escalada militar e priorizem a negociação responsável, fundamentada na justiça e na busca pelo bem comum da família humana.
Diplomacia e o primado do diálogo razoável
A nota da CNBB ecoa as recentes declarações do Papa Leão XIV, que recordou que a paz autêntica é fruto de um "diálogo razoável, autêntico e responsável". Para os bispos brasileiros, a guerra jamais deve ser vista como solução para as divergências entre os povos, pois sua prática aprofunda feridas sociais que comprometem o futuro das próximas gerações. Em um cenário onde o medo e a insegurança imperam, a Igreja reafirma sua solidariedade com as vítimas e com as comunidades que vivem sob o peso dos bombardeios.
O posicionamento institucional também recorre à tradição da Doutrina Social da Igreja para enfatizar que a paz não se resume à mera ausência de guerra. Os signatários da nota — que incluem Dom João Justino de Medeiros Silva (1º Vice-Presidente), Dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa (2º Vice-Presidente) e Dom Ricardo Hoepers (Secretário-Geral) — incentivam o povo brasileiro a intensificar as orações, pedindo que o Senhor inspire os governantes a escolherem caminhos de reconciliação e respeito à dignidade de todos os povos.
A mobilização de 19 de março e a "Reza com o Papa"
Como ação prática deste apelo, a CNBB convida todas as comunidades católicas do Brasil para uma mobilização espiritual no dia 19 de março de 2026, Solenidade de São José. Durante as celebrações eucarísticas e momentos de oração, os fiéis são incentivados a aderir à iniciativa "Reza com o Papa", utilizando uma súplica específica voltada ao desarmamento. A escolha da data remete a São José como o guardião da Sagrada Família, pedindo sua intercessão para que os líderes das nações tenham sabedoria e coragem para optar pela vida.
A oração proposta pelo Pontífice e endossada pela CNBB pede que os corações sejam desarmados do ódio e do rancor. Entre os pontos centrais da súplica, destaca-se o pedido para que o futuro da humanidade não seja condicionado por ameaças nucleares e para que os projetos de morte sejam substituídos pelo cuidado com os mais vulneráveis. Com essa jornada, a Igreja no Brasil busca unir-se espiritualmente ao clamor global por um mundo onde cada gesto de reconciliação seja uma semente para uma nova realidade internacional.








