Como sabemos, o Papa americano-peruano tem ascendência crioula – imigrantes na Louisiana – e talvez se possa pensar que ele esteja se reconectando com suas raízes africanas ao caminhar pelo continente. De qualquer forma, o "homem de branco" se sente à vontade em meio às vestimentas tradicionais, danças e generosidade do continente africano. Ele profere seus discursos com convicção, abandonando a discrição que o caracterizara até então, e faz gestos que rompem com sua reserva habitual.
Nem mesmo o calor úmido e o sol escaldante conseguiram arrefecer o entusiasmo de Leão ao retornar a um território familiar: como Prior Geral dos Agostinianos, ele visitava frequentemente países africanos. É uma região particularmente querida para ele: "Em maio [quando foi eleito], eu disse que queria que minha primeira viagem fosse à África", disse ele a repórteres no voo de Roma para Argel na última segunda-feira.
Papa de todos
"O Papa Leão XIV não está presente apenas para os europeus", comentou o policial camaronês Thomas Armel Bikay, que se ofereceu para ajudar a organizar a última missa do 267º Papa em Yaoundé. "O Papa está presente para cada ser humano, para o mundo inteiro. Ele é um bom pai. E vemos essa demonstração de amor pelos africanos", acrescentou.
Uma imagem em particular tocou o povo do país da África: a de uma menina com tranças castanhas que correu em sua direção com leveza infantil, seu vestidinho azul de mangas bufantes esvoaçando ao vento. O Papa, que estava prestes a voltar para o carro, curvou-se, abrindo os braços e acolhendo em seu coração a criança que o acompanhara naquela inocente corrida – arrancando um sorriso terno de todos os presentes.
“Vimos essa menininha em Bamenda, vimos como ele a beijou. Se ele não fosse amor, se não fosse um Papa que ama a todos, ele não teria feito isso!”, afirmou enfaticamente Thomas Armel Bikay. “Li sobre sua história e é interessante descobrir que ele veio para Camarões e teve experiência missionária no Sul Global”, observa Desmond G. Este protestante do norte de Camarões acredita que seu país “realmente precisa de sua mensagem de paz, de sua maneira clara e direta de falar”. “O senhor, Papa Leão, ama a África, e a África o ama!”, exclama ele com um largo sorriso.
“Sim, ele ama a África!”, concorda a jovem Ada Suzanne, que assistiu à missa de encerramento em Yaoundé, sem hesitar. “Esta é a primeira visita dele à África, e acho que ele voltará”, acrescenta ela, enquanto o Papa continua sua longa viagem por Angola.








