No começo, não é perceptível. Não há uma decisão clara, nem um momento preciso em que se diga: "Vou deixar de ser quem eu sou". Na verdade, ocorre em doses pequenas, quase imperceptíveis. Você mantém uma opinião para evitar discussões. Você cede a algo importante para não se deixar desconfortável. Você prefere se adaptar a correr o risco de perder. E assim, pouco a pouco, sem perceber, você começa a ficar menor dentro do relacionamento e se perde.
Por fora, tudo parece bem. Não há grandes conflitos, não há rupturas, não há gritos. Mas por dentro, algo está saindo. Porque o amor, quando é verdade, não deveria pedir para você desaparecer... E ainda assim, muitas vezes é exatamente isso que acontece.
Amor que se confunde com renúncia
De fato, amar implica um compromisso e, embora haja desafios e sacrifícios que precisarão ser feitos – como ceder às vezes – devemos estar atentos e cautelosos com o que abrimos mão.
Há gestos que parecem amor, mas não são. Adaptar-se, ceder e entender fazem parte de todo relacionamento. Mas quando é sempre um que se ajusta, o equilíbrio se quebra no silêncio.
Quando o medo de perder nos faz nos perder a nós mesmos
A psicóloga Anna Gill aponta que o conflito surge quando uma pessoa "abre mão de aspectos essenciais de si mesma", o que gera frustração e arrependimento.
Quando a perda de identidade começa, eles também perdem seus próprios gostos ou decisões, colocando a identidade nas mãos um do outro.
Amar não é desaparecer
O amor autêntico não apaga, não diminui, não se apaga. Pelo contrário: ela afirma, respeita e faz crescer. Você não é chamado a amar deixando de ser você mesmo, mas a amar sendo plenamente quem você é.
Amar nunca deve significar deixar de ser. Na verdade, o Papa Francisco nos lembra em Amoris Laetitia: "o amor pelo outro implica o prazer de contemplar e apreciar a beleza e a sacralidade de seu próprio ser pessoal, que existe além das minhas necessidades." Ou seja, o amor verdadeiro não reduz o outro ao que espero dele, nem o molda à minha medida. Ele reconhece, respeita e deixa ser.








