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Banco do Vaticano: ano recorde, o IOR e a reforma de Papa Francisco

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I. Media - publicado em 12/05/26
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Banco do Vaticano registra excelentes resultados no primeiro ano de Leão XIV<br>

Um "ano recorde": é o que anuncia o relatório anual do Instituto para as Obras de Religião (IOR), publicado em 11 de maio de 2026 pela instituição financeira do Vaticano. Com um lucro líquido de € 51 milhões, o IOR pôde pagar um dividendo de € 24,3 milhões ao Papa Leão XIV.

Em seu último ano à frente do Instituto, o francês Jean-Baptiste de Franssu — que presidiu o instituto durante quase todo o pontificado de Francisco — se mostrou muito satisfeito com os resultados financeiros, marcados por um aumento de 55,5% no lucro líquido em comparação com o ano anterior. Este é o melhor resultado do IOR em 10 anos. Ao mesmo tempo, o banco fortaleceu sua posição financeira, com o Índice de Capital Nível 1 atingindo agora 71,9% (+3,5 pontos percentuais em um ano).

Segundo o relatório, esses resultados podem ser atribuídos a quatro fatores: melhoria dos resultados operacionais, gestão ativa e rigorosa da carteira e condições de mercado favoráveis. Por fim, a rentabilidade foi impulsionada pela "evolução favorável das reservas do fundo de pensões do Vaticano" — um tema que o Papa Francisco havia citado como uma grande preocupação em 2024.

Uma instituição reformada sob Francisco

Ao contrário da crença popular, o IOR não é o "Banco do Vaticano" em sentido estrito, pois não administra os ativos financeiros do Estado. Estes são geridos pela Administração do Patrimônio da Sé Apostólica (APSA). O IOR é, contudo, a única entidade autorizada a exercer atividades financeiras profissionais dentro do Estado da Cidade do Vaticano, enquanto os ativos da APSA são geridos por parceiros financeiros externos.

O IOR administra 5,9 bilhões de euros em ativos para seus 12.000 clientes em 112 países, incluindo inúmeras congregações e dioceses religiosas, funcionários do Vaticano (ativos e aposentados) e embaixadas junto à Santa Sé.

Em 2022, o Papa Francisco ordenou que a gestão de todos os ativos financeiros e líquidos das entidades do Vaticano fosse confiada exclusivamente ao IOR. Essa medida, mal recebida pela APSA e amplamente ignorada na prática, foi finalmente revogada pelo Papa Leão XIV em outubro passado, com o novo pontífice defendendo a "responsabilidade compartilhada" entre as duas instituições financeiras.

No relatório, Jean-Baptiste de Franssu prestou homenagem ao Papa Francisco, falecido em 21 de abril de 2025, destacando a "transformação significativa" da instituição durante seu pontificado. "Sua ambição era fazer do IOR um modelo de excelência em gestão financeira, e não uma fonte recorrente de escândalos", afirmou.

O IOR esteve no centro de diversos escândalos financeiros, desde a falência do Banco Ambrosiano na década de 1980 até a sentença de quase nove anos de prisão imposta ao seu ex-presidente, Angelo Caloia, em 2021. No caso do chamado "Edifício de Londres", um grande escândalo financeiro durante o pontificado do Papa Francisco, foi, no entanto, um executivo do IOR que alertou as autoridades do Vaticano em 2018.

Lucros a serviço da caridade papal

O pontífice americano se beneficiará enormemente dessa saúde financeira: o Conselho de Cardeais, que supervisiona o Instituto, decidiu doar € 24,3 milhões para as obras de caridade do Papa, um aumento de 76% em comparação com o ano anterior. O IOR, cuja direção-geral foi confiada ao luxemburguês François Pauly em 28 de abril, também doou € 600.000 a outras instituições de caridade em 2025.

O relatório também destaca a consistência da política de investimento do instituto. Em janeiro de 2026, o IOR lançou dois novos índices de mercado de ações desenvolvidos em parceria com a Morningstar, uma empresa americana sediada em Chicago. Esses índices, destinados aos clientes do IOR, foram "projetados de acordo com as melhores práticas do setor e em total conformidade com os princípios éticos católicos". Entre as empresas selecionadas para essas carteiras estão gigantes como Apple, Tesla, Netflix, Intel, Deutsche Telekom, Vinci, Orange e Hermès.

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