O Larousse define apatia como indolência ou indiferença levada ao ponto da insensibilidade total. Uma forma de indiferença, de inércia individualista que ameaça a humanidade perigosamente. O Papa Leão XIV mirou em particular a apatia causada pelo "fluxo incessante de imagens e vídeos". "Compaixão e empatia infelizmente correm o risco de desaparecer hoje", disse ele aos participantes de uma conferência no Vaticano coorganizada pelo Dicastério para o Diálogo Inter-religioso e pelo Instituto Real de Estudos Inter-religiosos.
Apatia, um "desafio do nosso tempo"
Comentando sobre o tema da reunião, dedicado à empatia e compaixão, o Papa enfatizou que as tradições muçulmana e cristã valorizam a compaixão. "Para nossas tradições, a compaixão e a empatia humanas não são elementos incidentais ou opcionais, mas um chamado de Deus para refletir Sua bondade em nossas vidas diárias", disse ele.
No entanto, Leão XIV alertou contra o aumento da indiferença resultante dos excessos tecnológicos. "Compaixão e empatia infelizmente correm o risco de desaparecer hoje", alertou. Ele disse que "o fluxo interminável de imagens e vídeos mostrando as dificuldades que outros estão enfrentando pode endurecer nossos corações em vez de nos emocionar."
O Papa descreveu a "apatia" como um dos "desafios mais sérios do nosso tempo." Leão XIV encorajou cristãos e muçulmanos a realizar uma "missão comum". Pedindo que aproveitassem a riqueza de suas respectivas heranças, ele os exortou a "devolver a vida à humanidade onde ela esfriou, fazer ouvir as vozes dos que sofrem e transformar a indiferença em solidariedade".
Perguntas para medir seu nível de compaixão
Seu antecessor, Papa Francisco, havia denunciado repetidamente a "globalização da indiferença." Em sua mensagem para o Dia Mundial da Missão em 2021, o Papa Francisco chamou a compaixão de "marca registrada" do discípulo missionário. "Ela faz as realidades parecerem como elas são", em vez de virar a cabeça ou cair na indiferença. O papa argentino então nos convidou a responder a uma série de perguntas para medir seu grau de compaixão:
- Eu geralmente faço vista grossa? Ou deixo o Espírito Santo me guiar pelo caminho da compaixão, que é uma virtude de Deus?
- Na família, com amigos, no trabalho, mostro compaixão com os mais fracos, com quem sofre, com quem é rejeitado? Ou estou abandonando alguém de lado?
- Eu me envolvo nos problemas dos outros? Eu sei como me colocar no lugar dele?
- Eu escolho a próxima pessoa por quem vou ter compaixão? Ou sou aberto o suficiente com os outros para me deixar tocar?
- Será que me deixo levar para o estômago? Eu sei amar?
- Vamos nos fazer a pergunta e deixar nossos corações responder: Acredito que o Senhor tem compaixão por mim? Como eu sou, um pecador, com tantos problemas e tantas coisas pesadas para carregar?
Compaixão não é "um sentimento de tristeza" que sentimos, por exemplo, quando vemos um cachorro morrer na estrada, explicou o Papa Francisco. Mas é "se envolver nos problemas dos outros", como Cristo. Compaixão "não é um sentimento vago, mas significa cuidar da outra pessoa a ponto de pagar o preço por conta própria. Significa se comprometer tomando todas as medidas necessárias para se aproximar até se colocar no lugar deles."









