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Revisando o exercícios com o ChatGPT? Cuidado com a ilusão de saber

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Mathilde de Robien - publicado em 11/06/26
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Fichas de revisão, quizzes personalizados, explicações de conceitos complexos... A inteligência artificial (IA) se impôs nos hábitos de revisão de muitos estudantes do ensino médio. Com a aproximação ENEM e exames similares no resto do mundo, ela pode oferecer um apoio útil, mas também esconde uma armadilha: a de ter a ilusão do saber.

"A IA é muito, muito útil", ressalta Paul, 17 anos, aluno de um liceu em Yvelines, que se prepara para prestar o BAC (exame semelhante ao ENEM aplicado na França) a partir de 15 de junho. Ele escolheu matemática e física-química como especialidades e deseja ingressar em uma escola de engenharia. "Eu uso o ChatGPT quando não entendo alguns conceitos, principalmente em matemática e física. O ChatGPT esclarece, explica de uma maneira diferente do professor e é muito mais rápido que um mecanismo de busca". Estudando em uma escola em Val d'Oise, Juliette, 17 anos, tem um perfil mais literário – suas especialidades são HLP (humanidades, literatura e filosofia) e HGGSP (história-geografia, geopolítica e ciências políticas) – e espera seguir uma dupla licenciatura em letras modernas e espanhol. Para suas revisões, ela prefere usar o NotebookLM e o Wooflash ao invés do ChatGPT, cujas citações de autores ela considera muito arriscadas. "Eu importo a aula ou um vídeo para o aplicativo e ele propõe mapas mentais, quizzes ou flash cards (cartões de memória com a pergunta na frente e a resposta no verso, NDLR)", explica ela.

A exemplo de quase todos os alunos do último ano (Terminale), Paul e Juliette usam a IA para fazer fichas de revisão, realizar exercícios extras, testar seus conhecimentos e também para melhorar seu próprio trabalho. "Para me preparar para o grand oral (prova oral), redigi meu texto e depois o submeti à IA perguntando quais mudanças eu poderia fazer para melhorá-lo e quais perguntas os examinadores poderiam me fazer", confidencia Paul.

Uma muleta que pode ser útil…

A IA, em parte, revolucionou os métodos de trabalho e a maneira de revisar as matérias. Apenas em parte, pois ela ainda continua sendo hoje uma ferramenta complementar: as famosas fichas de revisão, mesmo redigidas com a ajuda da IA, ainda estão em alta, e a aula de referência geralmente continua sendo a ministrada em sala pelo professor, embora muitos alunos também se apoiem em vídeos online. "A IA é utilizada pela grande maioria dos meus alunos", constata Jean Latreille, professor de Ciências Econômicas e Sociais (SES) em Vitry-sur-Seine (Val-de-Marne), em uma escola pública, e membro do coletivo Éducation Numérique Raisonnée (Educação Digital Racional). Lúcido, o professor avalia o quanto o uso da IA está integrado aos hábitos de seus alunos: "É ilusório pensar que os alunos farão suas tarefas sem ela. Eles consideram a IA um pouco como um professor particular, um tutor. Eles trabalham com a IA em modo de discussão: fazem perguntas e a IA responde a eles. Eles também pedem à IA que lhes explique as aulas, que as resuma ou que faça planos detalhados para redações."

Um uso, no entanto, surpreende o professor: muitos alunos pedem à IA conselhos sobre métodos de trabalho. "Sendo que nós os saturamos com métodos de trabalho!", exclama Jean Latreille. Ele reconhece, contudo, que em sua disciplina a IA é uma fonte de informação confiável e que pode ser uma muleta útil para as revisões. Como em qualquer tecnologia, a IA pode, portanto, ser uma ferramenta preciosa para revisar para o bac, desde que utilizada com discernimento.

O professor também vê nisso uma forma de igualdade no acesso ao conhecimento: "Nem todos os pais estão necessariamente presentes ou são competentes para responder às perguntas de seus filhos, e a IA pode apagar essa desigualdade."

… mas que tem limites

As IAs generativas podem, de fato, inventar fatos, citações, datas ou raciocínios que parecem críveis, mas estão incorretos. De tanto usar a IA, os próprios alunos percebem que as respostas fornecidas pela inteligência artificial são falsas ou "sempre as mesmas". "É preciso sempre verificar as citações de autores porque o ChatGPT às vezes 'inventa' citações", alerta Juliette. Planos de redação, métodos de trabalho..., a IA funciona em looping e se renova pouco. O método de revisão aclamado pelo ChatGPT? O "método da folha em branco", que consiste em restituir de memória o que se sabe sobre um assunto em uma folha em branco, sem consultar o material de estudo. "Por que não! É um método como qualquer outro, há tantas maneiras de aprender quanto há alunos na Terra", confidencia Jean Latreille, "mas não adianta muito procurar o melhor método se não nos esforçarmos para aprender de cor."

Para Jean Latreille, a armadilha mais importante da IA é o abandono, por parte dos alunos, do aprendizado de cor, sob o pretexto de que a matéria foi compreendida. Uma atitude contra a qual o professor de economia é totalmente contrário. "O cérebro deles funcionará tão bem no dia da prova, sem o apoio da IA, se não tiverem aprendido de cor? Há grandes chances de que não!", destaca Jean Latreille. Compreender não é memorizar. Ler uma resposta bem formulada muitas vezes dá uma impressão de compreensão. No entanto, compreender uma solução não é a mesma coisa que saber reproduzi-la. O perigo é ter a ilusão de saber. "Não basta compreender; se o aluno não aprende de cor, o que ele vai colocar na sua folha de prova durante o exame? Em SES, no currículo do último ano (Terminale), há 150 conceitos para dominar. A partir do momento em que a matéria é compreendida, é justamente o momento certo para aprender de cor!" O aprender de cor permite adquirir uma base de conhecimentos sólidos.

O aprender de cor e o esforço de reflexão. Pois o risco de revisar com a IA é copiar fichas ou explicações dadas, sem fazer o esforço de refletir. Ora, é buscando, tentando, fazendo você mesmo um trabalho de síntese, até mesmo errando, que se aprende melhor. Quando a resposta chega imediatamente, "pronta", sem esforço de reflexão prévia, ela geralmente é menos compreendida e esquecida mais rapidamente.

Um último limite: o uso excessivo da IA, sem conhecimentos sólidos, pode gerar nos adolescentes uma perda de autoconfiança. "Ver a IA fornecer produções das quais eles próprios seriam incapazes pode gerar um sentimento de inferioridade e desencorajamento", adverte Jean Latreille.

Desenvolver suas capacidades

"Raciocinar", "pensar de forma crítica" e "memorizar conhecimentos". Todas essas são capacidades próprias do ser humano, hoje ameaçadas pela IA, que o Papa Leão XIV destacou nesta quarta-feira, 3 de junho, ao receber a Association of Catholic Colleges and Universities (ACCU), que representa 230 instituições de ensino superior nos Estados Unidos. O Papa, que acaba de publicar sua primeira encíclica Magnifica Humanitas, dedicada à proteção da pessoa na era da IA, destacou ainda esta manhã os "numerosos desafios" ligados às evoluções tecnológicas no sistema educacional. Ele, inclusive, observou que "o uso prolífico da inteligência artificial torna cada vez mais difícil a avaliação do trabalho dos estudantes". "Devemos estar preparados para investir generosamente na educação das gerações futuras", insistiu Leão XIV. Para ele, é particularmente "essencial" que os estudantes "aprendam a se apropriar das novas tecnologias de maneira construtiva, desenvolvendo plenamente, ao mesmo tempo, as aptidões e as capacidades que Deus lhes deu para raciocinar, pensar de forma crítica e memorizar conhecimentos".

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