Vestido elegantemente com um terno e gravata, Jérôme parecia quase como um cliente regular no Vaticano. Sob o pontificado do Papa Francisco, o jovem, que tem síndrome de Down, já havia visitado para uma reunião de servidores de altar.
“Nós também deveríamos encontrá-lo para a canonização de St. Carlo Acutis, mas o Papa morreu. Então, em vez disso, participamos do funeral do Papa Francisco. Foi muito bom — um momento histórico”, lembra ele.
Quando perguntado o que ele pediu ao Papa Leão XIV esta manhã, o jovem — que compartilha um primeiro nome com o descobridor da trissomia 21 — simplesmente responde: “Pedi a ele para abençoar toda a minha família”.
Um alegre espírito familiar reinou entre os 80 membros da Fundação Jérôme Lejeune recebidos no Vaticano nesta segunda-feira, 22 de junho. É, em primeiro lugar, uma família do coração, caracterizada por uma atmosfera fraterna entre a equipe. Quase 10 crianças com síndrome de Down estavam presentes, acompanhadas por seus pais. Eles representaram simbolicamente as quase 14.000 famílias apoiadas pelas clínicas da fundação na França, Espanha e Argentina.

A medicina não deve servir à morte
A família biológica do geneticista também estava presente, incluindo seus filhos. Seu filho mais novo, Thomas Lejeune, ficou impressionado com o discurso do Papa. Ele ficou particularmente comovido quando Leão XIV afirmou que “a medicina nunca pode se tornar o servo da morte programada”.
“Um médico nunca deve se permitir, com base em algoritmos de laboratório, decidir a vida de um embrião ou de uma pessoa idosa”, enfatizou o Papa. Essas observações têm um peso particular, pois a Assembleia Nacional Francesa também está examinando um novo rascunho do projeto de lei de "fim de vida" hoje.
“O Papa sabia do que estava falando; ele estava expressando uma profunda convicção”, diz Thomas. “Meu pai começou seu serviço à vida quando percebeu que sua descoberta seria usada para eliminar crianças em vez de curá-las.” Ele observa que o geneticista decidiu “entrar na briga” após uma consulta em que um jovem paciente com síndrome de Down, traumatizado por um programa de televisão sobre aborto, implorou que ele protegesse a vida de crianças não nascidas com a mesma condição.
Levando as pessoas com trissomia a sério
Jean-Marie Le Méné, presidente da Fundação Jérôme Lejeune, viu o público como uma continuação do forte vínculo entre o professor e os papas anteriores, particularmente St. João Paulo II, que tinha uma amizade próxima com ele. A cultura popular mostrou recentemente uma onda de simpatia por pessoas com síndrome de Down — notadamente através do sucesso do filme francês Un p'tit truc en plus (A Little Something Extra). No entanto, Le Méné acredita que mais trabalho é necessário para garantir que sua integração seja levada a sério.
“Pessoas com trissomia não estão aqui apenas para nos fazer rir”, adverte Le Méné. “Há uma batalha a ser travada, especialmente em relação à lei de fim de vida [na França]. É apresentado como um 'texto sábio', mas abre a porta para muitos abusos. Devemos rejeitar radicalmente qualquer legislação que leve ao tipo de sofrimento que vemos na Bélgica entre as famílias com as quais trabalhamos.”

Além de apoiar famílias, a Fundação Jérôme Legune se envolve em defesa internacional. É credenciado pela ONU em Genebra e contribui para o Comitê das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Em seu relatório de 2020-21, o comitê destacou a discriminação na França contra aqueles com deficiência intelectual, citando baixas taxas de escolaridade e triagem pré-natal que muitas vezes leva à sua eliminação.
Santidade
Aude Dugast, o postulador da causa de beatificação de Jérôme Lejeune, explica que o caso está atualmente aguardando um milagre autenticado. Reconhecido como Venerável desde 2021, o Professor Lejeune continua sendo uma pedra de toque para Leão XIV, que citou a convicção do geneticista: “A medicina é o ódio à doença e o amor pelo paciente”.
Dugast também observa que o discurso do Papa ecoou sua recente encíclica sobre inteligência artificial. “Jérôme Lejeune frequentemente observou que, embora a tecnologia seja cumulativa, a sabedoria não é. A medicina só permanecerá a serviço da pessoa humana se a sabedoria a regular”, diz ela, traçando um paralelo com os atuais debates sobre eutanásia na França e além.
Uma simplicidade desarmante
Esta visita ocorre no delicado preceder da visita programada de Leão XIV à França em setembro. “Suas palavras de vida são muito esperadas lá”, disseram os membros da delegação a ele.
No entanto, mais do que testemunho de especialista, foram as palavras cheias de fé e ternura das crianças com síndrome de Down na primeira fila que ganharam o coração do Papa. Apesar de uma agenda matinal lotada, Leão XIV passou um tempo com cada um, inclinando-se para o seu nível e abraçando-os. Esses embaixadores da graça divina pareciam ser adequados para apoiar o Santo Padre em sua missão.
Théophile, de onze anos, era tímido com os repórteres, mas entendia o coração da reunião. Ele não veio apenas pelo apoio do Papa; ele ofereceu o seu próprio durante um abraço que comoveu toda a delegação. “Acabai de dizer a ele que o amo”, diz ele com uma simplicidade que encantou os oficiais do protocolo. Os olhos de Leão XIV brilharam com essa alegria “desarmada e desarmante” que tornou esses membros da delegação não apenas embaixadores do direito à vida, mas também testemunhas do direito à alegria de viver.









