Com a recente adição de um mosaico polonês, este labirinto espiritual serve como um imenso santuário a céu aberto, unindo as diversas culturas dos povos católicos.
Os Jardins do Vaticano, que abrangem aproximadamente 23 hectares (um pouco mais da metade da área do menor Estado do mundo), são um vasto espaço de meditação muito apreciado pelos papas. Abriga também um notável legado de devoção mariana, que foi enriquecido na terça-feira, 30 de junho, com a inauguração de um mosaico representando Nossa Senhora de Gietrzwałd.
O Cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado do Vaticano, abençoou a obra de arte, criada na oficina de mosaicos de Castel Gandolfo. Vários bispos poloneses também estiveram presentes. A inauguração marcou o início das comemorações do 150º aniversário das aparições de Gietrzwałd. A cerimônia, realizada nos Jardins do Vaticano, destacou o profundo vínculo espiritual entre o Vaticano e a Polônia, um vínculo que se fortaleceu particularmente desde o pontificado de São João Paulo II.
A devoção a Nossa Senhora de Gietrzwałd é resultado das aparições marianas que ocorreram entre 27 de junho e 16 de setembro de 1877. Os eventos aconteceram em uma cidade no nordeste da Polônia, que na época estava sob domínio alemão, daí o nome de sonoridade alemã.
Segundo relatos, a Virgem Maria apareceu a duas jovens, Justyna Szafryńska e Barbara Samulowska. Ela transmitiu uma mensagem convidando os fiéis a rezar o Rosário, a se converterem, a fazerem penitência, a viverem com sobriedade e a permanecerem fiéis. Durante essas aparições, Maria falou em polonês, idioma proibido pelas autoridades prussianas na região. Consequentemente, esses eventos adquiriram grande significado nacional. O Papa Leão XIV foi convidado a visitar a Polônia no próximo ano para comemorar o aniversário.
Uma réplica da gruta de Lourdes.
O novo mosaico junta-se a inúmeras representações da Virgem Maria provenientes de importantes santuários do mundo católico. Juntos, transformam os jardins num labirinto espiritual onde estátuas, réplicas de grutas e mosaicos coexistem com monumentos que evocam as aparições mais significativas e as devoções nacionais.
A mais antiga e famosa dessas representações é uma réplica muito fiel da gruta de Lourdes em Massabielle. O bispo François-Xavier Schoepfer de Tarbes e Lourdes a presenteou ao Papa Leão XIII, e ela foi inaugurada em 1902. A gruta recria a paisagem rochosa, o nicho onde a Virgem Maria apareceu e a atmosfera do santuário francês. Uma estátua de Nossa Senhora de Lourdes preside a gruta, enquanto uma figura de Santa Bernadette Soubirous ajoelha-se em oração a seus pés.
Para o centenário das aparições, em 1958, o altar de mármore original da gruta de Lourdes foi doado ao Vaticano. Ele foi instalado na réplica, reforçando assim o vínculo simbólico entre os dois santuários. O Papa Bento XVI tinha um carinho especial por este lugar. Ele adorava visitá-lo tanto como pontífice reinante quanto como papa emérito. Existem até mesmo fotografias encantadoras dele brincando com gatos por lá!
São João Paulo II e Nossa Senhora de Fátima
Outra importante imagem mariana é a de Nossa Senhora de Fátima. Embora sua instalação evoque as aparições de 1917 aos três pastorinhos portugueses, ela também está intimamente ligada à vida de São João Paulo II. O Papa polonês foi gravemente ferido em uma tentativa de assassinato em 13 de maio de 1981, aniversário da primeira aparição em Fátima. Ele atribuiu sua sobrevivência à intercessão da Virgem Maria.
Após uma peregrinação ao santuário português no ano seguinte, ele cultivou uma devoção especial a Nossa Senhora de Fátima no Vaticano. A presença da estátua nos jardins evoca tanto a mensagem de conversão transmitida em Fátima quanto a profunda piedade mariana de João Paulo II.
Mosaicos que refletem a piedade latino-americana
As Américas estão amplamente representadas por um monumento dedicado a Nossa Senhora de Guadalupe. Outras representações de Maria também se multiplicaram durante o pontificado do Papa Francisco, criando uma verdadeira rota mariana latino-americana.
Entre elas estão Nossa Senhora Aparecida (Brasil), Nossa Senhora de Luján (Argentina), Nossa Senhora de Chiquinquirá (Colômbia), Nossa Senhora de Coromoto (Venezuela), Nossa Senhora de El Quinche (Equador), Nossa Senhora de Copacabana (Bolívia), Nossa Senhora de Caacupé (Paraguai), Nossa Senhora de Suyapa (Honduras) e Nossa Senhora da Caridade de El Cobre (Cuba), entre outras importantes devoções nacionais. Esses países instalaram seus mosaicos ou outras imagens com o apoio de suas respectivas embaixadas no Vaticano ao longo dos anos.
Em janeiro deste ano, o Papa Leão XIV inaugurou um mosaico mariano e uma estátua de Santa Rosa de Lima nos Jardins do Vaticano, trazendo assim sua segunda pátria para o Vaticano.
As devoções italianas também ocupam um lugar de destaque. Estátuas de Nossa Senhora da Guarda, Nossa Senhora do Sagrado Coração e Nossa Senhora da Misericórdia podem ser encontradas nos jardins. Os visitantes também podem encontrar uma representação de Nossa Senhora do Divino Amor. Seu santuário romano permanece um dos principais locais de peregrinação da Diocese de Roma. Vários papas, incluindo Pio XII, São João Paulo II e Francisco, professaram profunda devoção a ela.
Um santuário ao ar livre para católicos de todo o mundo.
Outras imagens marianas estão discretamente integradas aos jardins, a ponto de não haver um inventário completo. Algumas estão incorporadas em pequenos oratórios, enquanto outras decoram fontes ou espaços tranquilos para reflexão.
Elas frequentemente testemunham doações feitas por dioceses, conferências episcopais ou comunidades religiosas para comemorar um jubileu, um aniversário pontifício ou uma visita oficial. Sua diversidade iconográfica é notável. Maria aparece representada de várias maneiras: como a Imaculada Conceição, Rainha do Céu, Mãe da Igreja, Nossa Senhora das Dores ou padroeira de um povo específico.
Cada estátua ou mosaico evoca uma história local, um milagre, uma aparição reconhecida ou uma tradição nacional. Juntos, formam um rico panorama do lugar de Maria na espiritualidade católica. Os visitantes viajam simbolicamente dos Pirenéus a Portugal, do México à Polônia e da Ligúria à Argentina sem nunca saírem dos caminhos do jardim. Dessa forma, os Jardins do Vaticano funcionam como um imenso santuário mariano a céu aberto, onde a diversidade dos povos católicos se expressa através da proteção mariana.









![[RECEITA] Do mosteiro para a sua mesa](https://wp.pt.aleteia.org/wp-content/uploads/sites/5/2017/10/web3-cinnamon-buns-cooking-food-healthy-ideas-shutterstock_697923091-sivaporin-suphomin-ai.jpg?resize=150,150&q=75)
![[RECEITA] O tradicional pão de mel dos monges beneditinos](https://wp.pt.aleteia.org/wp-content/uploads/sites/5/2025/07/vista-laterale-di-soffici-e-morbidi-panini-con-miele-su-un-barattolo-di-vetro-e-un-cucchiaio-di-miele-legno-su-uno-sfondo-bianco.jpg?resize=150,150&q=75)

