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Porque é que uma missa em latim voltou a abrir uma ferida na Igreja?

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Misa tridentina, novo ordus, misa, papa Juan Pablo II, Benedicto XVI

Crédito: Xavier Boudreau

Modo de celebrar a Missa que vigorou na Igreja Católica por 400 anos volta a ser debatido.

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Nas sombras imponentes das montanhas de Écône, na Suíça, a manhã chuvosa de 1º de julho de 2026 carregava o peso de uma decisão histórica para a Igreja Católica. Ali, no coração da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, o perfume do incenso misturava-se ao som de preces seculares ditas em latim. Para os olhos desatentos, parecia apenas mais uma solene missa tradicional; para Roma, contudo, desenhava-se ali o contorno de uma nova e dolorosa fratura eclesial.

Ao erguerem as mãos para sagrar quatro novos bispos — Pascal Schreiber, Michael Goldade, Michel Poinsinet de Sivry e Marc Hanappier —, os prelados lefebvrianos cruzavam uma fronteira teológica da qual sabiam não haver retorno simples. A resposta do Vaticano veio sem hesitação. No dia seguinte, um decreto do Dicastério para a Doutrina da Fé, assinado pelo cardeal Víctor Manuel Fernández definia o ato como de natureza cismática. A consequência foi a excomunhão ipso facto e latae sententiae, ou seja foram excomungados automaticamente em consequência dos próprios atos, de todos os envolvidos, incluindo o bispo co-consagrante Bernard Fellay. Trinta e oito anos depois que Dom Marcel Lefebvre assombrou o catolicismo com a mesma insubordinação, a história se repetia. Para compreender essa ruptura na túnica de Cristo, é preciso decifrar o mistério de uma liturgia antiga e compreender a solidez da fé.