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O que faz um pai de verdade? Homens de todo o Brasil respondem

4 min de leitura
little kid girl hugging cuddling bonding at home

Crédito: fizkes / Shutterstock

<em>Pelas estradas do Brasil profundo, homens simples revelam que a verdadeira paternidade vai muito além do sustento material: é presença, escuta e o exemplo esculpido no miolo do dia a dia</em>

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Quem anda pelos interiores deste nosso imenso Brasil, cruzando estradas de poeira ou caminhando pelas periferias das grandes cidades, costuma encontrar uma sabedoria que não se ensina nos livros. É a sabedoria do homem simples, daquele que pai acorda cedo de olhos voltados para o futuro dos filhos. O poeta Vinícius de Moraes pedia: 

Meu pai, dá-me os teus velhos sapatos manchados de terra   

Dá-me o teu antigo paletó sujo de ventos e de chuvas   

Dá-me o imemorial chapéu com que cobrias a tua paciência   

E os misteriosos papéis em que teus versos inscreveste.   

Meu pai, dá-me a tua pequena chave das grandes portas   

Dá-me a tua lamparina de rolha, estranha bailarina das insônias   

Meu pai, dá-me os teus velhos sapatos. 

á uma beleza crua nisso, porque o calçado gasto pelo trabalho carrega a rota de um homem que serve de guia. E falar de pai, nos tempos de hoje, é falar de gente que descobriu que botar comida na mesa é apenas a metade da jornada. A outra metade, a mais bonita e difícil, é a de se fazer presente por inteiro.  

Nas andanças por esse país afora, a gente topa com relatos que afagam a alma. Lá no Rio Grande do Norte, na Diocese de Caicó, o José Carlos Martins da Silva lida com a realidade da Pastoral da Criança. Ele me conta que ser pai em tempo integral não é vigiar o menino o dia todo, mas assumir o compromisso diário de amar, orientar e proteger. "Pequenos gestos, como conversar, brincar e demonstrar carinho, fazem uma diferença danada", diz. É um ensinamento precioso: o pai que controla a própria raiva e expressa afeto ensina que as emoções são naturais e podem ser vividas com saúde, fazendo com que os filhos se sintam acolhidos para falar de medos e alegrias. 

Pai e porto seguro

Descendo o mapa até Uberlândia, em Minas Gerais, a conversa ganha o sotaque bom do Écio Modesto Ferreira. Para ele, o tripé que sustenta um pai de verdade é feito de presença ativa, escuta e exemplo. O Écio lembra uma coisa que muito marmanjo esquece: "não adianta estar no mesmo cômodo com a cabeça longe. É preciso olhar nos olhos do filho, criar um terreiro seguro onde as crianças se sintam validadas. O exemplo arrasta mais que qualquer sermão decorado, transmitindo valores de ética e fé através de atitudes cotidianas".  

Mas o mundo mudou, e os desafios batem na porta. Em Governador Valadares, o Gleiberson Dias Martins Pereira desabafa sobre a dificuldade de encontrar tempo de qualidade em meio à correria e de orientar a meninada diante das fortes influências das redes sociais. É nessa hora que a comunidade e o suporte da Pastoral da Criança dão o braço forte para o sujeito não desanimar.   

Herança que o tempo não apaga

Se a gente viaja até Castanhal, no Pará, encontra o diácono José Eduardo de Souza Palheta. Com a autoridade de quem vê a vida germinar, ele afirma que os pais são a principal influência na vida dos filhos, moldando o desenvolvimento físico e social. "Essa base forte define escolhas futuras e hábitos de vida, direcionando uma geração inteira. É uma responsabilidade grande, mas que enche o peito de orgulho quando dá frutos bons na comunidade", diz.  

E o fruto bom é o que move o Domingos Fausto Alves da Silva. Ele sorri ao dizer que a maior recompensa é ver o filho seguindo o caminho que Deus sonhou. Esse envolvimento, que o Celso dos Santos Coelho acompanha de perto na Lapa e na Sé, em São Paulo, mostra que a conexão paterna começa bem antes do parto, cuidando da mãe na gestação e garantindo um ambiente de paz. No fim, descobrimos que ser pai neste Brasil plural não é um peso: é o privilégio de estender a mão para que a infância caminhe firme, calçada no afeto.