Ir para o conteudo principal

Preferindo as trevas, encontrei a luz

5 min de leitura
Encontrar empleados únicos y talentosos, mano con lupa, mano con bombilla. Collage contemporáneo.

Crédito: beast01 | Shutterstock

Quando comecei a faculdade, eu teria dito a você que a verdade era uma mentira — e eu preferia as trevas

Compartilhar em :

A terceira promessa que você faz quando renova as promessas do batismo é: “Renunciais a Satanás, pai da mentira e príncipe das trevas?”

A assembleia responde: “Renuncio”, mas quando comecei a faculdade, eu não renunciava. Eu teria dito a você que a verdade era uma mentira — e eu preferia as trevas.

No meu primeiro ano na Universidade do Arizona, minha vida se passava quase toda no escuro.

Eu tinha tudo o que a faculdade deveria oferecer — aulas politicamente corretas, uma namorada e festas com os amigos.

Mas minhas aulas me enchiam de dúvidas — e a maior parte do meu tempo com amigos era passada do lado de fora, no escuro, segurando copos descartáveis, tentando me fazer ouvir por cima do som da música.

Li O Coração das Trevas com um professor de literatura de meia-idade, vestindo uma jaqueta de cotelê, que citava Albert Camus e The Moody Blues. Ele disse: “Não me importo se vocês vêm à aula; apenas entreguem os trabalhos.” E foi isso que eu fiz.

Fiz uma disciplina de Introdução à Filosofia com um assistente de ensino que vestia uma blusa de gola alta verde. Ele nos disse que nada era verdadeiro. Então, decidi que tudo o que ele dizia também não devia ser verdade, inclusive a afirmação de que nada era verdadeiro.

Percebi que não conseguia dormir na maioria das noites e saía para longas caminhadas, ruminando meus pensamentos.

Eu caminhava pelo campus, pela alameda da Universidade do Arizona, passando pelo prédio Old Main, depois saía do campus passando pela Zip’s Records e pela Bentley’s, e voltava em direção ao meu apartamento passando pelo Greasy Tony’s.

Sem planejar conscientemente, muitas vezes eu acabava na capela do Newman Center do campus. Era um local coberto, tinha bancos e ficava aberto até tarde. Nunca tinham me ensinado sobre a presença real, mas algo parecia diferente ali.

Eu me sentava ali no escuro e me perguntava por que era tão infeliz.

De volta à luz

Quando me transferi para uma universidade católica no outono seguinte, foi como emergir das trevas para a luz.

Entrar no programa de Grandes Livros Católicos em São Francisco foi como o homem da caverna de Platão emergindo para o sol ou Dorothy desembarcando em Oz. Minha vida passou do cinza para o colorido — de uma noite perpétua para a luz intensa do dia.

Os alunos do meu programa costumavam vir de famílias católicas numerosas — meu colega de quarto era um de 13 filhos — e eles me acolheram imediatamente como um deles. De repente, eu me via envolvido em passeios pela Chinatown, piqueniques no Golden Gate Park e, quando nos reuníamos no escuro, era na praia, ao lado de uma fogueira gigante.

Passei a comungar diariamente, voltei a me confessar e comecei a viver uma vida católica.

Quando chegou a minha vez de rezar a Ave-Maria na aula de Antigo Testamento do Padre Joseph Fessio, passei vergonha ao revelar que não sabia a oração — mas a aprendi naquele mesmo fim de semana rezando o terço na clínica de aborto com meus colegas de classe.

A maior mudança aconteceu na sala de aula.

O currículo da minha nova escola era intencional e integrado. Eles não acreditavam que nada era verdade; acreditavam que a Verdade era uma pessoa e que gerações vinham buscando a Verdade em um grande diálogo sobre grandes ideias.

O currículo ia dos antigos aos contemporâneos — de Platão a Flannery O’Connor — e isso reconfigurou meu cérebro. Descobri os diálogos de Platão, a Ética de Aristóteles e São Tomás de Aquino. As discussões da sala de aula transbordavam para conversas no dormitório, enquanto tentávamos juntar as peças do que é verdadeiro e do que não é.

Uma aula fundamental para mim foi Revelação e Cristologia, ministrada pelo padre jesuíta Joseph Fessio, um dos cofundadores do instituto. A disciplina tinha apenas três textos: O Homem Eterno, de G.K. Chesterton, Milagres, de C.S. Lewis, e a Lumen Gentium, do Vaticano II. O dever de casa era sempre de apenas um capítulo, mas éramos testados sobre a leitura em todas as aulas. Isso significava que realmente líamos tudo com atenção total (exceto quando eu estudava com minha colega de classe April Beingessner, que hoje é April Hoopes).

Erasmo Leiva-Merikakis ministrou outra aula essencial: O Renascimento Literário Católico do Século XX, que me ensinou a amar Charles Péguy, Léon Bloy, Gertrude von Le Fort e Evelyn Waugh. Ainda me lembro do que li em ambas as aulas, 35 anos depois.

Se alguém na sala não era católico, essas duas disciplinas costumavam mudar isso.

Finalmente encontrei o que procurava naquelas caminhadas noturnas e inquietas.

Isso me deu uma comunidade de pessoas que me acolheram, uma vida de fé que não precisou ser imposta a mim e uma vida intelectual que me deu a humildade e a confiança de saber que a verdade é real e acessível.

Eu estava aprendendo os pré-requisitos para a fé: primeiro a liberdade, depois a autenticidade e, agora, a luz da fé. Tudo isso faz parte de como encontrei minha fé.