Claire continua contactável, Anne resiste ao Instagram, Mona desliga tudo. Entre a desconexão total e a conexão escolhida
Mona desliga tudo. Pierre desconecta sem hesitar. Anne, por sua vez, resiste ao chamado do Instagram por duas semanas. Por outro lado, Claire continua contactável para sua família espalhada pelo mundo, enquanto Jean, um expatriado, desconecta à sua maneira, sem nunca desligar completamente. Todos contam, cada um a seu modo, sobre esse momento em que as férias costumam começar com um gesto simples: silenciar as notificações, deixar de responder imediatamente, finalmente desacelerar.
Em uma rotina marcada pela urgência, conceder-se esse tempo torna-se quase um luxo. Especialmente porque os franceses passam agora mais de 3 horas por dia conectados — fora do trabalho —, um recorde, e quase 5 horas no caso dos jovens de 15 a 24 anos, de acordo com o balanço anual do uso da Internet na França publicado pela Médiamétrie. Mas, por trás desse desejo de desconectar, as práticas variam amplamente.
Mona, parisiense de 36 anos e executiva no setor financeiro, não deixa espaço para ambiguidades. "Nas férias, eu desligo o lado profissional, desligo completamente." Uma regra estrita desde o primeiro dia. Seu telefone pessoal fica no quarto. "Eu olho para ele de manhã e à noite, mas durante o dia ele fica guardado. Gosto de não seguir o ritmo das notificações, de viver o momento presente." Ela construiu essa disciplina ao longo do tempo, quase como uma higiene de vida. "Não ter uma parte do cérebro sempre sendo solicitada é tão repousante." Sem computador nem dispositivos conectados, ela prioriza no verão dias lentos, nos quais a atenção se manifesta de outra forma. Ler, caminhar, conversar sem interrupções: gestos simples que voltaram a ser preciosos. "Estar de verdade com as pessoas com quem estou." Para ela, a desconexão não é uma obrigação, mas uma reconquista.
Pierre, de 38 anos, engenheiro na região parisiense, adota um desligamento igualmente nítido, porém menos ritualizado. "Eu não trabalho absolutamente nada durante as férias." Uma obviedade que ele defende firmemente, mesmo que para isso precise estabelecer limites claros antes de partir. Sem e-mails, sem chamadas profissionais: tudo é colocado à distância. Ele desativa suas notificações e se permite uma verdadeira pausa, sem concessões. "Caso contrário, a gente nunca desliga de verdade", resume com sua voz calma. Assim como Mona, ele vê nessa ruptura uma condição indispensável para se recuperar. Distanciar-se do fluxo contínuo de informações permite, segundo ele, reencontrar uma forma de disponibilidade mental muitas vezes ausente no restante do ano. Uma dificuldade ainda maior porque o celular se impôs como a principal tela do dia a dia: ele representa atualmente 80% do tempo gasto na Internet, chegando a mais de 90% entre os jovens de 15 a 24 anos, ainda segundo a Médiamétrie.
Desconexão total é irrealista?
Esse desligamento radical, no entanto, está longe de ser a norma. Para muitos, o telefone mantém um papel central, mas o seu uso muda. Claire, analista de negócios em um grande grupo, não trabalha durante suas férias, mas continua muito presente em seu smartphone. "Minha família está espalhada pelo mundo, então dou muitas notícias." Mensagens, ligações e fotos marcam os seus dias. Uma presença digital assumida, que responde a uma necessidade afetiva mais do que a uma pressão externa. "Não é de forma alguma invasivo, pelo contrário." Para ela, a conexão não atrapalha o descanso: ela o acompanha, mantendo um vínculo essencial. Essa necessidade de permanecer em contato também reflete usos que se tornaram massivos: hoje, quase 7 em cada 10 franceses consultam suas redes sociais e aplicativos de mensagens instantâneas todos os dias, o que equivale a 43,9 milhões de pessoas. Isso representa 68% da população, e chega a 84% entre os jovens de 15 a 24 anos.
Para Jean, de 40 anos, expatriado em Taiwan e pai de quatro filhos, a questão se coloca de outra maneira. A distância e os fusos horários impõem uma relação diferente com o digital. "Eu dou muitas notícias e não desconecto de verdade." Entre ligações, mensagens e organização familiar, continuar contactável é uma necessidade. No seu caso, a desconexão total parece quase irrealista. As férias não significam desligar, mas sim adaptar os seus usos, tornando-os mais pessoais do que profissionais.
Anne, por sua vez, oscila entre essas duas abordagens. Moradora de Metz na faixa dos trinta anos, ela é muito ativa no Instagram, onde compartilha regularmente os seus achados. Ela também passa muito tempo garimpando objetos online no resto do ano. "Eu adoro isso, é quase um reflexo." Um hábito instalado, alimentado pelo imediatismo das plataformas. Mas, durante as suas férias, ela decide romper com esse ritmo. "Por duas semanas, eu desligo de verdade." Uma forma de "detox digital" que ela se impõe voluntariamente, embora reconheça que nem sempre é simples. "No começo, dá vontade de olhar, por automatismo." Muito rapidamente, porém, a mudança acontece. Menos solicitações, menos dispersão, mais presença. "Estamos realmente juntos." Uma maneira de se dedicar plenamente ao seu cônjuge e ao seu filhinho, sem telas pelo meio.
Para Dominique e Nathalie, recém-aposentados, o desafio é de outra natureza. Para eles, desconectar não é uma obrigação, mas uma evidência. "Nas férias, voltamos ao essencial", explicam. Em sua casa no sul da França, perto de Avignon, o verão se organiza ao ritmo das visitas de seus filhos e netos. Poucas telas, poucas solicitações: os dias se preenchem naturalmente com momentos compartilhados, entre refeições que se prolongam, passeios e jogos em família. O telefone permanece ligado, mas quase esquecido. "Podemos passar horas sem olhar para ele." Uma relação serena com o digital, longe da urgência e da hiperconexão. A visão deles contrasta com a das gerações mais jovens: menos controle a ser conquistado, mais distância natural.
Reconectar-se consigo mesmo e com os outros
François, por sua vez, não se vê desligando completamente. Parisiense de adoção e muito conectado no resto do ano, ele acompanha as notícias continuamente, consulta alertas e consome formatos curtos de conteúdo um atrás do outro. Mas, durante as férias, ele muda de ritmo. "Continuo informado, mas de outra maneira." Fora o fluxo permanente: ele escuta o rádio e compra jornais que tira tempo para ler de manhã, acompanhados de um bom café. Uma maneira mais lenta, mais escolhida, de se informar. "Para mim, a desconexão é isso." Não se trata de cortar tudo, mas de reencontrar o tempo longo e uma atenção mais focada.
Esses depoimentos desenham várias formas de vivenciar as férias na "era digital". Entre desligamentos categóricos, conexões escolhidas e ajustes permanentes, cada um lida com suas restrições e seus desejos. A desconexão total, muitas vezes erguida como um ideal, não é acessível nem desejada por todos. Ela depende das profissões, das situações pessoais, mas também da relação que cada um mantém com suas ferramentas. O que está em jogo, no fundo, vai além da simples questão das telas. Trata-se de retomar o controle da própria atenção. De decidir o que merece ou não interromper um momento de descanso. Em um cotidiano saturado de estímulos, essa capacidade de filtrar torna-se essencial.
Todos, no entanto, compartilham a mesma aspiração: desacelerar. Sair de um ritmo imposto, reencontrar uma temporalidade mais pessoal, mais flexível. Quer desliguem completamente ou reinventem os seus usos, as férias aparecem como um momento decisivo. Um parêntese onde se torna possível reconectar-se de outra forma: com os outros, consigo mesmo e com o que realmente importa.











![[Receita] Bolo de Amêndoas de Santa Rita de Cássia](https://wp.pt.aleteia.org/wp-content/uploads/sites/5/2025/05/casa-santa-luzia.jpeg?resize=150,150&q=75)
