Tradicionalmente associado aos homens, o pedido de casamento também se conjuga no feminino. Algumas mulheres ousam pedir o seu amado em casamento e reinventam, à sua maneira, os códigos do compromisso
Durante muito tempo, a cena pareceu imutável: um homem ajoelha-se, abre uma caixinha e pede a mulher que ama em casamento. No entanto, esse cenário não tem nada de obrigatório. Cada vez mais mulheres tomam a iniciativa, por convicção, por impaciência às vezes, mas sobretudo porque consideram que o compromisso pertence a ambas as pessoas.
É o caso de Margaux, de 28 anos, que pediu Amaury em casamento em 2023, a 4.500 metros de altitude, no coração das montanhas do Nepal. A ideia, contudo, não lhe veio de um impulso impensado. O casal, que se conheceu em um curso preparatório, falava há muito tempo sobre casamento. "Estávamos sempre em sintonia sobre o momento em que queríamos nos casar. Para nós, era importante terminar primeiro os estudos, começar a trabalhar...", recorda Margaux. Embora, de início, a jovem imaginasse receber um pedido dito tradicional, as coisas foram mudando aos poucos. "Sou bastante romântica, então achava que ele faria isso. Mas costumava brincar dizendo: 'Se você demorar muito, eu mesma faço'." Foi assim que a ideia acabou amadurecendo. O que a fez decidir? Uma viagem surpresa que organizou ao Nepal, país onde havia feito uma missão humanitária alguns anos antes. "Pensei comigo mesma que seria a oportunidade perfeita. Por outro lado, tinha medo de que ele tivesse exatamente a mesma ideia que eu!"
Com originalidade...
Uma vez tomada a decisão, impossível voltar atrás. Margaux escolheu um relógio e o escondeu durante toda a viagem. "Agora entendo o que os homens passam quando escondem um anel. Tinha medo constante de que ele o descobrisse!", sorri. Ao final de uma caminhada, o casal se afasta discretamente dos amigos. Sentados lado a lado, de frente para as montanhas, Margaux tira o relógio e faz simplesmente a pergunta. "Ele ficou muito emocionado. Não esperava de forma alguma. Disse-me sim imediatamente", lembra ela. Do lado de Amaury, nenhuma frustração; ele aceitou o pedido com alegria. "Eu tinha planejado fazer o meu pedido dois ou trois meses depois. Mas nunca pensei: 'Que pena, eu queria ter feito'. Fiquei simplesmente muito feliz", confessa. E acrescenta: "Já tínhamos conversado muito sobre o casamento. A questão de saber quem faria o pedido nunca tinha sido um problema. No nosso casal, isso corresponde aos nossos valores: não dou importância ao fato de certas coisas deverem ser reservadas aos homens".
"Quer caminhar rumo ao casamento comigo?"
Para outros, como Anne e Thibaud, o pedido ganha a forma de uma conversa. Sem cenário grandioso, sem joelho no chão, nem surpresa cuidadosamente orquestrada: apenas uma conversa que, no desenrolar das palavras, transforma a história deles. Quando se conheceram em 2015 por meio de amigos, o casamento não era um tema de conversa recorrente no casal. Mas com o tempo, e à medida que os amigos iam se casando, o assunto começou a emergir na mente de Anne. "Eu tentava abordar o assunto, sem ter exatamente uma resposta do outro lado", lembra ela. Então, certa noite, na véspera do noivado de sua irmã, enquanto o casal jantava em um restaurante, ela decidiu ser mais direta: "Disse-lhe simplesmente: 'Vamos criar coragem? Vamos nos casar?'". Desta vez, Thibaud engajou-se plenamente na conversa. No dia seguinte, no noivado familiar, anunciaram aos parentes a decisão de se casar. Embora algumas pessoas pudessem lamentar a ausência de um pedido romântico com um belo anel, Anne confessa nunca ter "fantasiado um pedido perfeito".
Assim como Anne, Mathilde também escolheu tomar a iniciativa. Com Geoffrey, ela imaginava inicialmente um pedido mais tradicional… "Ele imaginava me fazer um pedido meio à americana. Mas quando lhe fiz entender que queria algo mais simples, menos público, acho que ele se sentiu um pouco perdido", relata. Assim, em novembro de 2019, foi ela quem decidiu criar seu próprio momento. Naquele dia, o casal precisava ir à casa de campo dos pais de Geoffrey para buscar um 2CV. Nas pequenas estradas rurais e em meio aos caminhos cercados de florestas, Mathilde sentiu que a ocasião era perfeita. Ela não escolheu, porém, as palavras tradicionais. "Eu não queria perguntar: 'Quer se casar comigo?'. Para mim, essa é uma pergunta que se faz no dia do casamento. Então lhe perguntei: 'Quer que caminhemos juntos rumo ao casamento?'". Geoffrey, por sua vez, não entendeu imediatamente que se tratava de um pedido oficial. "Ele me respondeu: 'É o que já estamos fazendo', sem perceber que eu estava realmente fazendo a pergunta", recorda Mathilde com um sorriso. Quando finalmente percebeu o alcance da pergunta, Geoffrey acolheu o pedido com emoção e respondeu que sim.
"Não foi o pedido mais clássico", reconhece Mathilde. O casal escolheu, contudo, guardar esse momento para si durante dois meses para aproveitar esse parêntese a dois. O noivado ocorreu finalmente em julho de 2020, antes do casamento em julho de 2021. O 2CV que os havia conduzido até aquele momento simbólico ganhou inclusive um lugar especial no dia da cerimônia, como uma piscadela de olho a esse pedido fora do comum. Hoje pais de um menininho de 15 meses e em breve de um segundo filho, Mathilde e Geoffrey releem essa história com a mesma felicidade.
O sentido por trás do gesto
Duas histórias, duas formas de tomar a iniciativa. Mas uma mesma pergunta permanece: o que essa inversão de papéis diz sobre o casal? Seria ela simplesmente o reflexo da evolução das mentalidades ou revelaria também uma forma singular de viver o compromisso?
Para Laurence Sédille, conselheira conjugal e familiar no consultório Mots Croisés, em Paris, a resposta encontra-se menos no gesto em si do que na intenção que o motiva. Fazer o pedido pode traduzir uma dificuldade em esperar que o companheiro esteja pronto. "Talvez ele precise apenas de mais algumas semanas ou meses para amadurecer o seu próprio pedido. Essa diferença de ritmo merece ser observada e respeitada." Por outro lado, essa iniciativa também pode responder à necessidade de colocar em palavras um compromisso já bastante presente. "É uma forma de expressar claramente o desejo de construir a vida com esse homem", nota Laurence Sédille. Pois, embora os casais frequentemente acumulem projetos comuns — oficializar o relacionamento, morar juntos, comprar um imóvel ou ter um filho —, alguns sentem, apesar de tudo, a necessidade de uma palavra explícita.
A especialista convida também a refletir sobre como esse pedido será recebido. "Se compararmos o pedido de casamento a um presente, como o homem vivencia o fato de receber esse presente que ele talvez esperasse oferecer?" Uma questão que não coloca em dúvida a iniciativa da mulher, mas que destaca a importância de levar em consideração o desejo e o ritmo de cada um. "Os compromissos comuns já respondem em parte à pergunta: 'Você quer comprometer a sua vida comigo?'", observa Laurence Sédille. "Mas o pedido de casamento vem responder também a outra indagação: 'Você quer comprometer a sua vida por mim?'". Uma nuance que remete à liberdade de escolha e à doação de si.
No fundo, que o pedido seja feito por um homem ou por uma mulher importa talvez menos do que aquilo que ele revela: uma vontade comum de se comprometer, no momento em que ambas as pessoas se sentem prontas. Pois, por trás do símbolo, não é quem faz a pergunta que constrói o casamento, mas sim a liberdade de cada um e o projeto de vida que ambos escolhem edificar juntos.








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