Sob o sol ou sob a chuva, os peregrinos não hesitam em esperar a sua vez de serem banhados na água milagrosa que jorrou debaixo da gruta de Lourdes em 1858. Sua alegria e suas emoções são perceptíveis em seus rostos quando cruzam as cortinas azuis e brancas que os separam do restante do santuário. Relato e encontros
“Vão beber na fonte e lavar-se nela”, foi a mensagem que a Virgem deu a Bernadete durante suas aparições em Lourdes, em 1858. Muitas pessoas passam sem parar para encher cantis, garrafas, galões ou frascos com a água de Massabielle. É o caso de Justine, que confidencia de bom grado ao Aleteia não conhecer as piscinas, pensando que fossem reservadas aos doentes. Caminhando ao longo do Gave e passando diante da gruta, alguns metros adiante, uma placa indica sua localização. Todas as manhãs, entre 9h e 11h, os peregrinos individuais são acolhidos ali com doçura e um sorriso pelos hospitalários; o acolhimento da tarde é reservado às hospitalidades diocesanas.
Com benevolência, os hospitalários e as hospitalárias cuidam dos peregrinos e dos doentes para fazê-los viver uma experiência de fé muito forte. Duas mulheres em peregrinação a Lourdes durante a semana confidenciam ao Aleteia sua impaciência e sua alegria com a ideia de poderem se banhar na água milagrosa. Enquanto esperam para entrar no interior, a oração e o silêncio reinam na mesma proporção que a emoção. A meditação dos mistérios do rosário dá o ritmo à espera dos homens e mulheres presentes.
Um gesto tão esperado
Um certo receio pode ser sentido, mas quando os doentes e peregrinos entram no espaço reservado à preparação desse grande banho, é a impaciência que toma conta. De fato, esse gesto de fé é esperado por cada um. Antes desse banho de água fria de cerca de doze graus, durante uma última espera, os peregrinos, cobertos apenas por uma capa azul, desejam responder ao chamado de Maria. Esse gesto também é vivenciado como um alívio, sobretudo para os doentes, cujo corpo às vezes é só dor. Diante dessa piscina, bem acompanhados e amparados de cada lado, homens e mulheres são convidados a se deixarem levar, tal como uma criança é abraçada fortemente por sua mãe.
Banhar-se na água de Lourdes não é como usar um amuleto da sorte; é um parêntese espiritual intenso no coração de uma peregrinação e um tempo esperado, às vezes há vários meses ou anos, por todas as pessoas presentes e, em particular, pelas pessoas que sofrem.
Renovado em sua fé e em seu corpo
Aurélia, uma hospitalária, compartilha com o Aleteia "o bem-estar misterioso e consolador" de quem passa por essa experiência. Ela recomenda realizar esse gesto, embora não saiba se poderá se banhar este ano. Uma vez mergulhado nessa água impressionante e totalmente límpida, é hora de sair, com a pele já seca, o coração apaziguado e alegre. Alguns peregrinos se banham na água milagrosa pela primeira vez, como Jeanne, uma jovem que descobriu o santuário este ano. Ela resume esse gesto imersivo nestas três palavras: "experiência interior, paz e entrega".
Este lugar do santuário não é tão famoso quanto a fonte que atrai tantas pessoas, mas é, antes de tudo, uma resposta a um chamado do coração, a um desejo de conversão e ao de se deixar consolar pela Virgem Maria. Este banho pode ser vivenciado como um "coração a coração" com a Bela Senhora da gruta, um tempo privilegiado para cada um.












