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4 reflexões poderosas de Santo Agostinho para um descanso sadio e santo

8 min de leitura
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Crédito: Shutterstock | Halfpoint

À l’heure des vacances, le repos estival peut devenir un chemin pour se recentrer sur ce qui compte vraiment.

O descanso pode se tornar um caminho para se concentrar novamente no que realmente importa.

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Santo Agostinho apresenta quatro conselhos para redescobrir o verdadeiro sentido do descanso. Com o "otium sanctum", o bispo de Hipona lembra que o verdadeiro repouso consiste em voltar ao essencial.

Entre o último e-mail de trabalho e o primeiro minuto de descanso, às vezes há um descompasso. Ao chegar em casa ou nos lugares de passeio, muitos mantêm o celular ligado, com a mente ainda sobrecarregada pelos assuntos deixados pendentes e com aquela sensação persistente de que seria preciso aproveitar esse tempo livre para fazer algo útil. O descanso estava na programação, mas às vezes parece difícil entrar plenamente nele.

No século V, Santo Agostinho de Hipona já havia compreendido esse paradoxo. Em A Cidade de Deus, ele dá um nome àquilo que tantas vezes falta ao descanso: "O amor da verdade busca o santo lazer; a necessidade da caridade assume uma justa atividade". Em latim, a expressão é ainda mais precisa: otium sanctum, o "santo lazer" (ou "santo ócio"). Não se trata de uma simples ociosidade, nem de um colapso devido à exaustão, mas de um descanso habitado, orientado para algo, que possui um sentido e uma finalidade. Para Agostinho, o descanso não é a ausência de trabalho, mas a sua realização. Um convite para redescobrir, por meio de quatro conselhos inspirados em seu pensamento, a arte de parar de verdade.

1O descanso não é uma recompensa

Santo Agostinho sabia disso por experiência própria. No outono de 386, recém-convertido e exausto por anos de ensino de retórica em Milão, ele aceitou a oferta de seu amigo Verecundo para se hospedar em uma propriedade em Cassicíaco, ao norte da cidade. Retirou-se para lá com alguns entes queridos, incluindo sua mãe Mônica, seu filho Adeodato, seu amigo Alípio e alguns estudantes. Durante vários meses, experimentou ali o que mais tarde chamaria de otium philosophandi, o "lazer filosófico". Um tempo dedicado a discussões, leituras e reflexões sobre a felicidade, o ceticismo ou a ordem das coisas. Desses diálogos nasceram quatro obras: Contra os Acadêmicos, Da Vida Feliz, Da Ordem e Solilóquios. Esses livros não foram escritos em um escritório, mas em uma casa de campo emprestada, ao ritmo de caminhadas, refeições compartilhadas e até mesmo passagens pelo balneum (as termas), do qual Agostinho observa nas Confissões que "lava a mente das preocupações". Mais tarde, ele se referiria a Cassicíaco como o lugar onde encontrou repouso longe da "febre do mundo". Assim, não se tratava de férias no sentido moderno do termo, mas de algo mais profundo. Um tempo voluntariamente voltado para a busca da verdade, em vez das exigências do trabalho. Esse lazer, longe de ser uma fuga ou perda de tempo, tornou-se um dos momentos mais fecundos de sua vida.

O primeiro conselho de Agostinho seria, sem dúvida, deixar de considerar o descanso como uma simples recompensa. A lógica moderna das férias baseia-se muitas vezes em uma forma de transação. Depois de trabalhar muito, acumular dinheiro suficiente e cumprir as obrigações, finalmente seria permitido parar. O otium sanctum de Agostinho insere-se em uma perspectiva diferente. O descanso não é apenas um direito concedido ao final do esforço, mas um estado no qual o homem reencontra aquilo para o qual foi feito. Um espaço onde o amor da verdade pode florescer plenamente. Como o bispo de Hipona escreve logo nas primeiras linhas das Confissões, o homem foi feito para Deus e o seu coração permanece inquieto enquanto não repousa n'Ele. Uma inquietude que quinze dias ao sol nem sempre são suficientes para acalmar, e que convida, ao contrário, a voltar a atenção para o que o coração verdadeiramente procura. Concretamente, o primeiro passo para um verão vivido segundo esse espírito não é apenas escolher um destino ou preencher uma agenda, mas questionar o sentido dado a esse tempo de descanso. Não apenas o que será feito durante as férias, mas o que elas permitirão acolher.

2Descobrir a riqueza do silêncio

O segundo conselho de Santo Agostinho seria certamente redescobrir o silêncio e a riqueza da vida interior. Muito preenchida, a vida do Pai da Igreja era intensa. Retórico, orador e depois bispo encarregado de uma diocese e solicitado por incontáveis diálogos, sua obra retorna constantemente à imagem da interioridade como um vasto espaço onde Deus já está presente e espera o homem. "Tu estavas dentro de mim e eu estava fora", escreve ele nas Confissões. O verão, com seus dias longos e ritmo mais lento, oferece justamente a oportunidade de reencontrar esse caminho interior. Não no nosso cotidiano, mas aprendendo a habitar esse silêncio. Desligar o barulho, deixar de lado as distrações, saborear uma noite longa sem tentar preenchê-la a todo custo. Acolher o silêncio em vez de tentar preenchê-lo.

3Aprender a "perder tempo"

O terceiro conselho de Santo Agostinho seria redescobrir o valor daquilo que aparentemente não serve para nada. O bispo de Hipona distinguia o negotium (o negócio) — o tempo da vida ativa e da utilidade — do otium (o ócio) — o tempo consagrado às coisas feitas por si mesmas. Uma caminhada sem rumo preciso, uma refeição que se prolonga, uma conversa com um velho amigo... Esses momentos da vida não são necessariamente horas perdidas. Pelo contrário, para Santo Agostinho eles estão entre os instantes mais humanos, pois escapam da lógica exclusiva da utilidade para dar lugar à contemplação, ao encontro e à alegria de simplesmente estar presente, a própria essência do ser. Bem compreendido, o lazer torna-se então como uma antecipação da eternidade que, como Agostinho havia entendido, não se mede pela agitação, mas pela plenitude.

4Descansar de outra forma

O quarto conselho de Santo Agostinho poderia ser aprender a realmente parar. Hoje, o descanso é frequentemente percebido como um meio de recuperar as forças para depois ser mais eficiente. Uma visão que o bispo de Hipona provavelmente teria considerado errônea. O otium sanctum não é uma ferramenta a serviço da produtividade. Ele não visa tornar a pessoa mais performática no retorno ao trabalho, mas existe porque o amor da verdade exige tempo e disponibilidade. Um coração sempre em movimento corre o risco de passar ao largo daquilo que procura profundamente. Neste verão, a atitude mais agostiniana é talvez também a mais simples: parar. Não apenas para recuperar as forças, mas para voltar ao essencial. Pois o coração humano, como sabia Agostinho, não foi feito para uma agitação permanente. Foi feito para encontrar, finalmente, o repouso a que aspira.

Uma intuição que ia ao encontro do Papa Francisco que, na audiência geral de 5 de setembro de 2018 dedicada ao terceiro mandamento, lembrava a importância do descanso dominical. O Sumo Pontífice apontava então um paradoxo da nossa época: embora o homem nunca tenha descansado tanto quanto hoje, parece que nunca conheceu tanto vazio. Pois o verdadeiro descanso, explicava ele, não é uma fuga da realidade. "É o momento da contemplação, é o momento do louvor, não da evasão", afirmava o Papa Francisco. Um tempo para redescobrir, simplesmente, "como a vida é bela".

Uma palavra de um papa agostiniano

Essa reflexão sobre o descanso ganha uma ressonância especial no momento em que Leão XIV acaba de completar seu primeiro ano de pontificado. De fato, antes de sua eleição, o Papa era membro da Ordem de Santo Agostinho e formou-se nessa tradição espiritual marcada pela interioridade, pela contemplação e pela busca de um coração que só encontra seu verdadeiro repouso em Deus. Em sua primeira encíclica, Magnifica Humanitas, publicada em maio, Leão XIV escreveu "que na era da inteligência artificial, onde a dignidade humana é ameaçada por novas formas de desumanização, é nosso dever imperioso permanecermos profundamente humanos".

Nessa perspectiva, a encíclica pode ser lida como uma defesa de tudo o que o otium sanctum procura preservar: a interioridade, a atenção e a riqueza insubstituível de uma vida humana que não pode ser automatizada nem acelerada. A inteligência artificial, alertou o Papa, corre o risco de se tornar "um instrumento de dominação, de exclusão e de morte" quando se encontra cortada dos valores humanos que devem guiá-la. Diante desse alerta, a resposta agostiniana não é apenas regulatória ou política; ela é também pessoal. Recuperar a vida interior, redescobrir o silêncio e praticar esse lazer sagrado que lembra ao homem o que constitui a sua humanidade. Desconectar-se neste verão pode, então, tornar-se muito mais do que um simples detox digital: um verdadeiro ato espiritual no qual Santo Agostinho teria, sem dúvida, reconhecido uma busca essencial.