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Tom emocional: o código invisível no casal

4 min de leitura
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Crédito: Roman Samborskyi | Shutterstock

Por trás de muitas discussões de casal não há falta de amor, mas sim volumes emocionais diferentes. Descubra como encontrar uma frequência própria.

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Existem conversas que não aparecem nos cursos de noivos, mas que acabam tendo mais peso na convivência do casal do que muitas das grandes questões que costumam ser tratadas. Uma delas é o volume emocional com o qual falamos.

Não estamos falando do tom de voz, mas do tom vital. Esse código invisível que cada um traz de casa e toma como certo que "é assim que se fala", "é assim que se reclama", "é assim que se pede" ou "é assim que se discute". O curioso é que quase ninguém tem consciência de que esse código existe até ir morar com alguém que utiliza outro completamente diferente.

Diferentes famílias, diferentes termômetros

Há famílias onde uma reclamação é feita com energia, várias vozes ao mesmo tempo e uma certa veemência que ninguém interpreta como uma agressão. Cinco minutos depois, estão todos rindo e o assunto já foi esquecido. Em outras casas, uma frase dita com essa mesma intensidade seria suficiente para que alguém se sentisse profundamente magoado. Não por ser mais sensível, mas porque seu termômetro interno está calibrado de outra forma.

O início de muitos desentendimentos

Não estamos falando de violência, nem de maus-tratos, nem de relacionamentos tóxicos. Falamos de pessoas boas que se amam e que, no entanto, chegam exaustas ao final do dia porque falam linguagens emocionais diferentes.

Às vezes acontece, inclusive, de quem vem de uma família numerosa ter aprendido desde criança a se fazer ouvir em meio a muitas vozes. Ali, erguer a voz, interromper ou defender o próprio espaço faz parte da rotina diária. Ninguém vê isso como uma falta de respeito. É simplesmente a maneira que aquela família encontrou para organizar o caos. Por outro lado, quem cresceu em um ambiente muito mais calmo recebe essa mesma intensidade como uma invasão. Sente-se intimidado, embora o outro não tenha a menor intenção de intimidar.

Ambos acreditam estar agindo com absoluta normalidade.

Talvez o erro esteja justamente aí: em pensar que existe uma única normalidade. Aqui podemos fazer uma comparação com a pressão arterial. Há pessoas cuja pressão habitual é 12 por 8. Outras vivem normalmente com valores diferentes. Se você muda repentinamente esses valores em alguém, essa pessoa provavelmente se sentirá mal. Não porque o valor seja objetivamente insuportável, mas porque não é o dela.

Na convivência acontece algo parecido. Cada um chega ao casamento com valores de referência que nem sabia que trazia consigo. Até que o outro os questiona sem querer.

A situação costuma ficar especialmente evidente quando aparecem os sogros, os cunhados ou os avós. Nesse momento, não entra apenas uma pessoa em casa; entra um estilo completo de se relacionar. Uns falam ao mesmo tempo. Outros esperam a sua vez. Alguns acham normal discutir durante a refeição. Outros não concebem elevar a voz na frente das crianças. Ninguém quer incomodar. Estão simplesmente reproduzindo o ecossistema de onde vêm.

Em direção a uma frequência própria

Talvez fizéssemos um grande favor a muitos casais se, além de ensiná-los a resolver conflitos, os ajudássemos a descobrir qual é o seu ponto de partida. A reconhecer que, muitas vezes, o problema não é a falta de amor, mas sim a diferença de calibração.

Porque conviver não consiste em decidir quem tem razão, mas sim em construir um código novo que não pertença totalmente a nenhum dos dois. Haverá quem precise diminuir alguns decibéis emocionais. Haverá quem aprenda a não interpretar cada frase enérgica como uma ameaça. Uns vão suavizar as coisas. Outros vão medir melhor o impacto de suas palavras.

Com o tempo, quase sempre acontece algo lindo

O casal encontra uma frequência própria. Uma forma de se falar que já não é exatamente a da família dele, nem a da família dela, mas sim a daquele novo lar que decidiram construir juntos. E talvez esse seja um dos sinais mais discretos do amor maduro: descobrir que aquilo que para mim sempre foi normal não precisa ser a medida do mundo.