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Dicas de calçados para peregrinação 

5 min de leitura
Camino de santiago guadalajara rutas peregrinos

Crédito: Formatoriginal | Shutterstock

Seja uma procissão na festa do padroeiro, ou uma peregrinação de alguns dias, é importante preparar a mente, o coração e os pés 

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Caminhar longas distâncias ou encarar uma peregrinação é uma das atividades mais benéficas para o corpo e para a mente, mas a saúde dos pés determina se a jornada será uma experiência gratificante ou um calvário. Recentemente encontrei na internet uma pessoa que explica com calma e em detalhes os segredos, tanto espirituais quanto técnicos de uma peregrinação. A Ana Wanke acompanha grupos e mostra que uma peregrinação pode trazer muitas lições para a vida.  

Na hora de se preparar para uma peregrinação ou para uma procissão, surge a dúvida clássica sobre o calçado. Muitos pensam se é melhor uma bota reforçada ou um tênis mais leve. A bota oferece a vantagem do cano alto, que sustenta a articulação do tornozelo e previne torções graves, sendo a opção mais indicada para quem carrega uma mochila pesada nas costas, como em trechos longos do Caminho de Santiago. Já o tênis garante leveza e flexibilidade, reduzindo o desgaste muscular ao longo do dia. No entanto, ao optar pelo tênis, é indispensável realizar um trabalho prévio de fortalecimento muscular nos tornozelos, já que o calçado não possui a estrutura alta de proteção. Vale lembrar que tênis de corrida ou botas pesadas de alta montanha não servem para longas caminhadas de turismo; o ideal é buscar calçados flexíveis e com boa absorção de impacto. 

Detalhes da peregrinação

Outro ponto fundamental para evitar a interrupção do trajeto é o controle da umidade e da fricção, os dois grandes vilões na formação de bolhas. O erro mais comum é utilizar meias de algodão, um tecido que retém o suor contra a pele, deixando os pés úmidos e fragilizados. O correto é investir em meias de fibras técnicas ou lã merino leve, que garantem transpiração e secagem rápida. Uma excelente estratégia contra o atrito é o uso do sistema de dupla camada, combinando uma meia fina interna com uma meia de trekking mais encorpada por cima, fazendo com que o atrito ocorra entre os tecidos e não na sua pele — técnica que deve ser evitada apenas em dias de calor extremo. A aplicação de géis ou cremes antiatrito antes de colocar as meias reforça a proteção nos dedos, calcanhares e planta dos pés. Caso uma bolha apareça, a regra de ouro é nunca estourá-la: mantenha a área limpa, seca e protegida com um curativo. 

No que tange à higiene e preservação dos calçados, existem hábitos bastante difundidos que prejudicam a saúde dos pés e estragam o calçado. Usar talco em pó dentro do sapato ou entre os dedos é um erro sério: o pó entope os microporos de ventilação do tecido técnico e se transforma em uma massa com o suor, criando o ambiente perfeito para a proliferação de bactérias. Para combater o mau cheiro e irritações, o indicado é aplicar um antisséptico em creme na pele dos pés e utilizar um spray antiodor específico no interior do calçado. Na hora da limpeza, lave o sapato de forma suave, sem deixá-lo de molho e sem usar produtos químicos agressivos ou máquina de lavar. A secagem deve ser feita sempre à sombra e em local ventilado; colocar sapatos para secar ao sol forte ou perto de fontes de calor, como aquecedores e secadores, resseca os materiais, derrete as colas e destrói o solado e a impermeabilidade. 

Para amarrar direito tudo

Por fim, o conforto durante a caminhada depende do ajuste correto dos cadarços. Isso mesmo, se você achou que já tinha aprendido a amarrar os cadarços quando era criança, saiba que uma peregrinação vem ensinar pra gente até isso. Um nó frouxo obriga o caminhante a parar repetidamente, tornando a técnica do nó forte indispensável para manter a amarração firme o dia todo. Em trechos de descida íngreme, o pé tende a escorregar para a frente, chocando os dedos contra a ponta do calçado; para evitar lesões nas unhas, faça laçadas duplas nos ganchos superiores da bota para travar o tornozelo e manter a estrutura estável. Se notar pontos de pressão ou dor na lateral do pé, basta pular o cruzamento do cadarço na região afetada para aliviar o aperto. Cuidar da biomecânica dos pés e do calçado não é vaidade: é a garantia médica e prática de que você chegará ao seu destino inteiro e disposto a continuar caminhando.