A Conferência Episcopal Católica da Nigéria emitiu sua mais veemente condenação até o momento à violência que está matando nigerianos de todas as religiões.
Conferência Episcopal Católica da Nigéria emitiu uma declaração urgente em 27 de agosto, condenando dois ataques distintos que deixaram dezenas de mortos e mais de 60 pessoas sequestradas, e apelando ao governo nigeriano, às forças de segurança e aos próprios atacantes para que cessem o derramamento de sangue.
A declaração, intitulada "Parem o massacre em Borgu e Ukum, parem as mortes na Nigéria", foi assinada pelo arcebispo Matthew Man-Oso Ndagoso, arcebispo de Kaduna e presidente da conferência episcopal — uma diocese que também foi gravemente afetada pela violência nos últimos anos.
O que aconteceu
Em 21 de agosto, homens armados invadiram a Mesquita Kpenya, na Área de Governo Local de Borgu, no estado de Níger, durante as orações de sexta-feira, sequestrando mais de 60 fiéis e atacando aldeias próximas . Moradores atribuem o ataque ao grupo armado Lakurawa, uma facção notória por sequestros, roubo de gado e por forçar os reféns a aceitarem uma versão extremista do Islã. O ataque ocorreu apenas uma semana depois de um atentado semelhante a uma mesquita no estado de Sokoto, que deixou pelo menos 32 fiéis mortos, incluindo o imã.
Em um incidente separado e sem relação com o primeiro, 47 pessoas foram mortas e 17 ficaram gravemente feridas em Ukum , no estado de Benue, em um ataque atribuído a gangues armadas de pastores fulani. Os dois incidentes fazem parte de um padrão mais amplo de violência que assola o Cinturão Médio da Nigéria — a região onde o norte, de maioria muçulmana, encontra o sul, de maioria cristã — há anos.
O que disseram os bispos
Os bispos foram explícitos sobre a dimensão da crise. "Com o coração pesado e profunda tristeza, a Conferência Episcopal Católica da Nigéria denuncia mais uma vez o rastro de sangue e terror que assola nossa nação, o qual atingiu um nível intolerável", diz o comunicado.
Os bispos deixaram claro que a violência em Borgu não foi um conflito entre cristãos e muçulmanos — tanto os agressores quanto as vítimas eram muçulmanos — e expressaram solidariedade direta à comunidade muçulmana da Nigéria .
“Manifestamos nossa firme solidariedade aos nossos irmãos e irmãs muçulmanos no estado de Níger e em toda a Nigéria, orando pela libertação imediata e segura de todos os 60 fiéis sequestrados. Um ataque a qualquer local de culto é um ataque à nossa humanidade coletiva.”
Os bispos dirigiram-se ao governo nigeriano com uma frustração mal disfarçada. “As lágrimas das famílias enlutadas no Níger, em Benue e em todas as zonas geopolíticas da Nigéria devem preocupá-los o suficiente para que façam tudo o que for possível para pôr fim a esta carnificina na nossa terra.” Apelaram especificamente a operações de segurança baseadas em informações de inteligência para desmantelar as redes criminosas antes que estas ataquem, e à rápida punição dos perpetradores e dos seus financiadores, “independentemente do seu estatuto ou afiliações, pois a impunidade alimenta a repetição”.
A declaração também se dirigiu diretamente aos perpetradores. “Aos bandidos, terroristas, sequestradores e seus financiadores, imploramos que cessem o derramamento de sangue. A vida humana pertence somente a Deus, e nenhuma causa justifica tamanha crueldade. Vocês não podem construir um futuro sobre as lágrimas de inocentes.” E com uma advertência: “Conclamamos vocês a deporem as armas, a se afastarem do mal e a respeitarem a santidade da vida humana antes que o julgamento divino os alcance.”
A presença da Igreja no terreno
A Ajuda à Igreja que Sofre acompanha a situação na Nigéria há anos, trabalhando com dioceses locais para lidar com as consequências da violência — incluindo o apoio aos milhares de deslocados internos. Em um projeto recente, a ACN ajudou a reconstruir a vila de Adama Dutse, que havia sido atacada e arrasada, permitindo que seus moradores retornassem para casa em vez de permanecerem em campos de deslocados.
As comunidades cristãs da Nigéria têm enfrentado violência direcionada e contínua ao longo da última década, mas a declaração dos bispos reflete que a crise é uma emergência nacional que afeta todos os nigerianos, independentemente da fé, e exige uma resposta à altura da sua gravidade.







