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Após ataque a mesquita, bispos nigerianos dizem que já chega.

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NIGERIA-EVEQUE-VATICAN-AFP

Crédito: Andreas SOLARO / AFP

Le cardinal Peter Ebere Okpaleke (Nigeria).

A Conferência Episcopal Católica da Nigéria emitiu sua mais veemente condenação até o momento à violência que está matando nigerianos de todas as religiões.

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Conferência Episcopal Católica da Nigéria emitiu uma declaração urgente em 27 de agosto, condenando dois ataques distintos que deixaram dezenas de mortos e mais de 60 pessoas sequestradas, e apelando ao governo nigeriano, às forças de segurança e aos próprios atacantes para que cessem o derramamento de sangue.

A declaração, intitulada "Parem o massacre em Borgu e Ukum, parem as mortes na Nigéria", foi assinada pelo arcebispo Matthew Man-Oso Ndagoso, arcebispo de Kaduna e presidente da conferência episcopal — uma diocese que também foi gravemente afetada pela violência nos últimos anos.

O que aconteceu

Em 21 de agosto, homens armados invadiram a Mesquita Kpenya, na Área de Governo Local de Borgu, no estado de Níger, durante as orações de sexta-feira, sequestrando mais de 60 fiéis e atacando aldeias próximas . Moradores atribuem o ataque ao grupo armado Lakurawa, uma facção notória por sequestros, roubo de gado e por forçar os reféns a aceitarem uma versão extremista do Islã. O ataque ocorreu apenas uma semana depois de um atentado semelhante a uma mesquita no estado de Sokoto, que deixou pelo menos 32 fiéis mortos, incluindo o imã.

Em um incidente separado e sem relação com o primeiro, 47 pessoas foram mortas e 17 ficaram gravemente feridas em Ukum , no estado de Benue, em um ataque atribuído a gangues armadas de pastores fulani. Os dois incidentes fazem parte de um padrão mais amplo de violência que assola o Cinturão Médio da Nigéria — a região onde o norte, de maioria muçulmana, encontra o sul, de maioria cristã — há anos.

O que disseram os bispos

Os bispos foram explícitos sobre a dimensão da crise. "Com o coração pesado e profunda tristeza, a Conferência Episcopal Católica da Nigéria denuncia mais uma vez o rastro de sangue e terror que assola nossa nação, o qual atingiu um nível intolerável", diz o comunicado.

Os bispos deixaram claro que a violência em Borgu não foi um conflito entre cristãos e muçulmanos — tanto os agressores quanto as vítimas eram muçulmanos — e expressaram solidariedade direta à comunidade muçulmana da Nigéria .

“Manifestamos nossa firme solidariedade aos nossos irmãos e irmãs muçulmanos no estado de Níger e em toda a Nigéria, orando pela libertação imediata e segura de todos os 60 fiéis sequestrados. Um ataque a qualquer local de culto é um ataque à nossa humanidade coletiva.”

Os bispos dirigiram-se ao governo nigeriano com uma frustração mal disfarçada. “As lágrimas das famílias enlutadas no Níger, em Benue e em todas as zonas geopolíticas da Nigéria devem preocupá-los o suficiente para que façam tudo o que for possível para pôr fim a esta carnificina na nossa terra.” Apelaram especificamente a operações de segurança baseadas em informações de inteligência para desmantelar as redes criminosas antes que estas ataquem, e à rápida punição dos perpetradores e dos seus financiadores, “independentemente do seu estatuto ou afiliações, pois a impunidade alimenta a repetição”.

A declaração também se dirigiu diretamente aos perpetradores. “Aos bandidos, terroristas, sequestradores e seus financiadores, imploramos que cessem o derramamento de sangue. A vida humana pertence somente a Deus, e nenhuma causa justifica tamanha crueldade. Vocês não podem construir um futuro sobre as lágrimas de inocentes.” E com uma advertência: “Conclamamos vocês a deporem as armas, a se afastarem do mal e a respeitarem a santidade da vida humana antes que o julgamento divino os alcance.”

A presença da Igreja no terreno

A Ajuda à Igreja que Sofre acompanha a situação na Nigéria há anos, trabalhando com dioceses locais para lidar com as consequências da violência — incluindo o apoio aos milhares de deslocados internos. Em um projeto recente, a ACN ajudou a reconstruir a vila de Adama Dutse, que havia sido atacada e arrasada, permitindo que seus moradores retornassem para casa em vez de permanecerem em campos de deslocados.

As comunidades cristãs da Nigéria têm enfrentado violência direcionada e contínua ao longo da última década, mas a declaração dos bispos reflete que a crise é uma emergência nacional que afeta todos os nigerianos, independentemente da fé, e exige uma resposta à altura da sua gravidade.