A viagem do Papa Leão XIV à França, de 25 a 28 de setembro, gera enorme interesse na mídia. Cerca de 2.500 pedidos de credenciamento foram recebidos pelos organizadores da viagem, e mais de 80 jornalistas acompanharão o voo papal. Entre eles, jornalistas credenciados no Vaticano — vindos da Espanha, Itália, Países Baixos e Estados Unidos — compartilharam com a Aleteia suas perspectivas sobre essa visita tão aguardada.
"Será difícil para os franceses igualarem esse desempenho". Apesar do incidente com a pane no avião do Papa Leão XIV, essas palavras — ouvidas no retorno de sua viagem à Espanha, em 12 de junho passado — refletiram o sentimento de muitos jornalistas após aquele giro de grande sucesso por Madri, Barcelona e as Ilhas Canárias. Para Eva Fernandez, jornalista espanhola e correspondente da rádio COPE em Roma, essa proximidade de datas não é irrelevante. Ambas as grandes nações católicas europeias, que há décadas enfrentam uma profunda secularização, veem agora sinais de renovação.
"Na Espanha, a visita do Papa permitiu constatar uma certa busca religiosa, particularmente visível entre os jovens e os adultos que se aproximam da fé", observa Eva Fernandez. Ela nota que, na França também, "fala-se de um interesse renovado pelas raízes cristãs do país, de um aumento no número de catecúmenos e de uma retomada das peregrinações". "A França é verdadeiramente um laboratório europeu", avalia a jornalista espanhola. Pois, por trás da imagem de uma França profundamente ligada à laicidade, algo parece estar mudando. O crescimento do número de catecúmenos adultos, a participação dos jovens e a vitalidade de locais como Lourdes revelam uma realidade mais complexa. "Talvez esse protótipo da 'França laica' não seja, afinal, tão simples quanto pensamos", observa ela.
A promoção da dignidade humana
A questão da dignidade humana será outro ponto de atenção.
A França acaba de adotar uma lei sobre o suicídio assistido e a eutanásia, após um intenso debate sobre o fim da vida. Eva Fernandez acredita que será particularmente interessante observar a maneira como Leão XIV abordará essa questão. A Igreja da França, ressalta ela, parece ter escolhido não adotar uma postura "puramente defensiva".
O Papa poderia, portanto, ser levado a desenvolver um discurso mais amplo sobre a vida e a dignidade humanas.
Essa reflexão encontrará um eco particular em Lourdes, a segunda grande etapa francesa da viagem, onde o Papa encontrará pessoas doentes e vulneráveis. A cidade será também o local de um encontro particularmente delicado: o encontro com vítimas de abusos sexuais na Igreja. Essa etapa permitirá ao Papa avaliar o caminho percorrido pela Igreja da França no enfrentamento dessa crise, mas também dar uma dimensão internacional a essa experiência.
Para Iacopo Scaramuzzi, vaticanista do jornal italiano La Repubblica, o trabalho realizado na França poderia inspirar outras Igrejas, a começar pela Igreja italiana, que ele considera "um pouco atrasada" nessa questão.
"A ausência de Francisco em Paris criou um certo mal-estar na Igreja francesa", afirmou o jornalista Scarmuzzi
Sem renegar a opção pelas periferias assumida por seu antecessor, Leão XIV parece querer, por sua vez, "tranquilizar, fortalecer e, em certa medida, consolar". Sua visita a Notre-Dame e seu encontro com as autoridades francesas constituem, assim, um retorno. "O fato de ir a Paris, ao coração da capital, ao Eliseu, é também, creio eu, uma maneira de tranquilizar e fortalecer tanto a tradição católica quanto a tradição institucional da França", analisa Iacopo Scaramuzzi.
Um novo olhar sobre a secularização
Essa França institucional é, contudo, também uma França profundamente secularizada, e essa relação com a laicidade e a secularização será um dos principais fios condutores da viagem. Para Hendro Munsterman, teólogo holandês e vaticanista do Nederlands Dagblad, Leão XIV poderia justamente trazer um olhar diferente sobre essa realidade. Ele avalia que Francisco "não havia conseguido compreender plenamente a secularização". Devido à sua idade e à sua formação em universidades americanas, Leão XIV poderia, segundo ele, compreender melhor essa experiência ocidental de perda de influência social do cristianismo e as diferentes formas de responder a ela.
Para o jornalista americano-equatoriano e correspondente do National Catholic Reporter Justin McLellan, a visita do Papa representa também uma via entre os Estados Unidos e a China. Ele destaca a dimensão geopolítica desta viagem. De fato, a França busca apresentar-se como uma potência capaz de propor uma via original, especialmente no que diz respeito à defesa do multilateralismo e à regulamentação da IA.












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