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Como ajudar seu filho adolescente a lidar com a morte de um jovem

8 min de leitura
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Crédito: BAZA Production | Shutterstock

O atentado contra a própria vida de um jovem pode abalar até mesmo adolescentes que mal o conheciam, levantando questões difíceis sobre a morte, a amizade e a própria vulnerabilidade

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Embora ouvir que alguém morreu jovem seja insuportável, o choque é de certa forma intensificado quando a morte ocorre por suicídio, e seu impacto pode ir muito além dos amigos mais próximos. Um adolescente pode mal conhecer o estudante que morreu e, ainda assim, ser profundamente afetado pela notícia. De repente, alguém que sentava nas mesmas salas de aula, jogava no mesmo time ou aparecia no mesmo feed das redes sociais não está mais lá, e a morte se aproximou assustadamente do seu convívio.

Em uma idade em que ainda existe aquele maravilhoso sentimento de invencibilidade, isso pode ser particularmente perturbador. Também pode trazer medos difíceis de expressar: "Se isso aconteceu com alguém da minha idade, poderia acontecer comigo? E quanto ao meu amigo que está lutando contra a depressão? Como alguém podia estar sofrendo tanto sem que ninguém soubesse?"

De forma alarmante, o suicídio foi a segunda principal causa de morte entre americanos de 10 a 14 anos e de 15 a 24 anos em 2023, enquanto dados do CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA) mostram que 20% dos estudantes do ensino médio nos Estados Unidos consideraram seriamente tentar o suicídio no ano anterior, e 9% haviam feito uma tentativa.

Com o mês de setembro marcando o Mês Nacional de Prevenção do Suicídio nos Estados Unidos (Campanha do Setembro Amarelo), este se mostra um momento especialmente importante para refletir sobre como podemos ajudar os jovens afetados quando alguém que eles conhecem morre tragicamente por suicídio. Isso pode ser especialmente difícil para os pais, que talvez também estejam lutando para compreender a morte enquanto tentam ajudar os filhos a assimilá-la.

Quando o “isso nunca aconteceria” de repente acontece

Parte do choque se deve ao fato de que a morte de um jovem desestabiliza a ordem reconfortante que esperamos que a vida siga. Os adolescentes não deveriam morrer antes de seus pais e avós; eles deveriam estar se preocupando com provas, amizades, cortes de cabelo ruins e quem gosta de quem.

Um suicídio também pode fazer o adolescente olhar de forma diferente para as pessoas ao seu redor. Se o jovem que morreu parecia feliz, popular ou bem-sucedido, pode haver perplexidade pelo fato de ninguém aparentemente saber o quanto ele estava sofrendo. Se ele lutava abertamente contra a depressão, o adolescente pode começar a se preocupar com outro amigo que esteja passando por um momento difícil.

Esses medos não devem ser descartados com um automático: “Não se preocupar, isso não vai acontecer”. Em vez disso, eles podem se tornar uma oportunidade para conversa. O que seu filho ouviu? O que os amigos dele estão dizendo? Ele está preocupado com alguém em particular? E, talvez o mais importante: como essa morte o fez se sentir em relação à própria vida?

Você não precisa conduzir essa conversa do outro lado de uma mesa, com a solenidade de um interrogatório policial. Os adolescentes costumam falar de forma mais livre quando a atenção não está totalmente voltada para eles. Por isso, uma viagem de carro, uma caminhada com o cachorro ou um assalto à geladeira tarde da noite podem oferecer uma oportunidade melhor do que anunciar que é hora de ter uma conversa séria.

Cuidado com o “porquê”

Após um suicídio, todo mundo quer saber o porquê. Entre os adolescentes, os boatos podem fornecer uma resposta de forma surpreendentemente rápida: um término de namoro, bullying, pressão por causa de exames, problemas familiares ou algo que alguém supostamente disse no dia anterior. É importante não deixar que um único evento se torne a explicação definitiva.

Na verdade, a realidade raramente é simples assim. O suicídio geralmente não pode ser reduzido de forma direta a um único evento, por mais desesperadamente que aqueles que ficaram queiram uma explicação. Reduzir a morte de um jovem a um relacionamento que terminou ou a uma discussão também pode enviar uma mensagem assustadora para outros adolescentes que estejam vivenciando exatamente essas turbulências comuns da adolescência.

Pode ser mais verdadeiro admitir que não sabemos totalmente por que alguém morreu, ao mesmo tempo em que se explica que o sofrimento emocional grave pode afetar a maneira como uma pessoa enxerga tanto os seus problemas quanto a possibilidade de as coisas melhorarem.

No entanto, existe outro “porquê” que também pode atormentar os jovens: “Por que eu não percebi?”. Uma mensagem deixada sem resposta, uma discussão ou algo dito em tom de brincadeira podem, de repente, ser revividos com um peso terrível. Um adolescente próximo da pessoa que morreu pode precisar ouvir repetidamente que ele não era responsável por reconhecer ou curar o sofrimento de outra pessoa.

Mas essa questão também pode criar um novo sentimento de responsabilidade em relação aos amigos que estão enfrentando dificuldades. Um adolescente que sabe que um amigo está deprimido pode começar a monitorar cada mensagem, silêncio ou mudança de humor, aterrorizado com a ideia de perder o sinal que faria toda a diferença. Incentive-o a contar a você, a um professor ou a outro adulto de confiança se estiver preocupado com alguém, e lembre-o de que ser um bom amigo não significa ser o único responsável por manter essa pessoa em segurança.

Deixe-os vivenciar o luto à maneira dos adolescentes

Esse luto pode não parecer muito com o nosso. Um adolescente pode chorar, se fechar no quarto, descer perguntando o que há para o jantar e estar rindo com os amigos uma hora depois. Nada disso significa que a morte não o tenha afetado.

Nem todo adolescente que conhecia a pessoa precisa demonstrar o mesmo grau de sofrimento. As redes sociais podem criar uma pressão estranha e própria após uma morte, com fotos, homenagens e publicações intensamente emocionais surgindo de pessoas que tinham relações muito diferentes com quem faleceu.

Dê ao seu filho a permissão para sentir o que quer que seja genuinamente dele: tristeza, raiva, confusão, medo, apatia ou até mesmo muito pouco. E ajude-o a se lembrar de que a vida de uma pessoa foi maior do que o seu fim. Se ele conhecia o jovem que faleceu, deixe-o falar também sobre as histórias engraçadas e as memórias do dia a dia. O suicídio não deve ter o poder de retroceder e engolir toda uma vida.

Faça a pergunta assustadora

É compreensível que os pais fiquem mais atentos após o suicídio de um adolescente, especialmente se o próprio filho já estiver enfrentando dificuldades ou for próximo da pessoa que morreu.

Se algo realmente o preocupa, este não é o momento para eufemismos. Pergunte diretamente: “Você está pensando em suicídio?” — conforme recomendado pelo Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA (NIMH). Pesquisas mostram que fazer essa pergunta não coloca a ideia na cabeça de ninguém nem aumenta o comportamento suicida. Se a resposta for sim, leve a sério e ajude seu filho a buscar apoio profissional adequado imediatamente.

Também vale a pena manter a conversa mesmo depois que o choque inicial passar. O funeral termina, as aulas recomeçam e as redes sociais seguem em frente com uma rapidez impressionante, mas o luto e a ansiedade não seguem necessariamente o mesmo cronograma.

E para os adolescentes católicos...

Pode haver mais um medo que um jovem católico hesite em expressar: o que aconteceu com a pessoa depois que ela morreu?

Ideias antigas sobre suicídio e condenação podem persistir de forma surpreendentemente forte, e os adolescentes podem ter assimilado essas noções em filmes, redes sociais ou pelo que alguém lhes disse no passado. Aqui, a Igreja oferece muito mais esperança do que eles imaginam.

O Catecismo reconhece que um grave sofrimento psicológico pode diminuir a responsabilidade de uma pessoa pelo suicídio e diz explicitamente aos católicos que “não devemos desesperar da salvação eterna das pessoas que se mataram”. Deus, afirma o texto, pode dar a oportunidade de um arrependimento salutar “por caminhos que só Ele conhece”, e a Igreja continua a rezar por aqueles que morreram dessa forma. Para um adolescente que enfrenta o suicídio de alguém da sua idade, essas palavras podem ter um significado especialmente profundo.

Não podemos responder a todos os “porquês”, nem os pais podem prometer a um adolescente assustado que mais ninguém a quem ele ama irá sofrer. O que podemos fazer é garantir que o medo não precise ficar guardado em silêncio na cabeça dele, lembrar-lhe que pedir ajuda nunca é motivo de vergonha e continuar conversando muito tempo depois de todos os outros suporem que a vida voltou ao normal.

Acima de tudo, se eles amavam o jovem que faleceu, podemos ajudá-los a continuar a amar e a recordar a pessoa por inteiro, em vez de permitir que um único e terrível ato final se torne toda a sua história.