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A mídia de todo o mundo se interessa pela viagem de Leão à França

4 min de leitura
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Crédito: Antoine Mekary | ALETEIA

“Nunca se viu tantos jornalistas” em um voo do Papa. A febre midiática toma conta da viagem de Leão XIV à França

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A ida de Leão XIV à França desperta um interesse midiático excepcional, muito além de Paris, Lourdes e Metz, cidades que o Papa deve visitar. É um fenômeno que envolve não apenas a imprensa francesa, mas também a internacional.

Na sexta-feira, 25 de setembro, o avião da ITA Airways que levará o Papa a Paris estará provavelmente um pouco mais pesado do que o habitual. A lista de jornalistas autorizados a acompanhá-lo de perto nesta jornada atingiu números recordes, com 85 profissionais a bordo — cinco a mais do que na viagem anterior à Espanha, em junho passado. Esta última, no entanto, é considerada em Roma um marco de referência desde o início do pontificado de Leão XIV. Naquela ocasião, um colaborador próximo do Papa confidenciou aos jornalistas, com um toque de ironia, que os espanhóis haviam elevado muito a fasquia (dando a entender que talvez a tivessem elevado demais) para os franceses…

Porque a visita do Papa a França cria tanto interesse?

"Acredito que esta será uma viagem mais importante do que a da Espanha", avalia hoje Franca Giansoldati, vaticanista do jornal romano Il Messaggero. Para ela, a visita é interessante tanto do ponto de vista político, devido às próximas eleições, quanto pelos "sinais de resistência à secularização" que surgiram recentemente na sociedade francesa — país, aliás, conhecido por seu laicismo. A jornalista italiana, que estará a bordo do avião do Papa, também observa a diferença no nível de interesse em relação às visitas anteriores: a Marselha, em 2023, e a Ajaccio, em 2024. Naquela época, menos de 70 jornalistas acompanharam Francisco em seus deslocamentos em solo francês.

Quanto às credenciais, a comparação com essas duas visitas é ainda mais evidente: cerca de mil para a cidade de Marselha e algumas centenas para a Córsega, contra 2.500 para a próxima visita. Esse número se aproxima rapidamente da marca de mais de 3.000 solicitações registrada na Espanha, três meses atrás. Os grandes veículos de comunicação católicos estão na linha de frente: Aleteia, Famille Chrétienne, KTO e RCF Notre Dame anunciaram esquemas que permitirão uma cobertura especial e inédita da visita papal.

Mas o mesmo ocorre com a grande mídia nacional — liderada pela France Télévisions, emissora responsável pela transmissão da viagem —, que habitualmente acompanha pouco o noticiário do Vaticano. O assunto também movimenta as páginas de jornais diários e semanais, os programas de televisão e as redes sociais, tanto na França quanto no exterior. "Para a mídia, será fantástico, pois haverá momentos visualmente muito impactantes", observa a experiente vaticanista mexicana Valentina Alazraki, mencionando, em particular, o trajeto do Papa em seu papamóvel pelas ruas de Paris.

Um detalhe a surpreende especialmente: o fato de que 30% de seus colegas a bordo do avião papal (25 de um total de 85 jornalistas) serão franceses. "Nunca tínhamos visto tantos jornalistas do país visitado pelo Papa em um mesmo voo; é realmente um número extraordinário, muito alto", ressalta a jornalista, que acompanha os papas pela emissora N+ desde 1974.

Esse entusiasmo também sugere que a viagem será uma oportunidade de ver a Igreja para além do fenômeno da secularização, ao qual ela é frequentemente associada. Para o vaticanista Javier Martinez-Brocal, do jornal espanhol ABC, o sucesso da visita de Leão XIV à Espanha revelou, sobretudo, «o impacto que a Igreja tem sobre a sociedade civil». «Poderemos, então, ver até que ponto a sociedade civil francesa também está impregnada de valores cristãos — ou de ações realizadas pela Igreja —, e isso não apenas de um ponto de vista confessional, mas também no plano concreto, por meio dos valores de defesa da dignidade humana e de respeito às pessoas, inclusive àquelas de outras religiões», analisa ele.