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Lourdes: Leão XIV reconhece o “caráter sistêmico” dos abusos sexuais na Igreja

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Crédito: LIONEL BONAVENTURE | AFP

Pope Leo XIV (L) waves and acknowledges the audience after celebrating a holy mass at the Prairie of the Shrine of Our Lady of Lourdes, southwestern France, on September 27, 2026 on the third day of his visit to France. (Photo by Lionel BONAVENTURE / AFP)

Vítimas de abuso sexual que se encontraram com Leão XIV afirmaram que o Papa reconheceu diante delas o "caráter sistêmico" das violências sofridas no seio da Igreja, neste dia 27 de setembro de 2026, em Lourdes.

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O Papa dedicou quase duas horas de sua tarde a essas sete pessoas, no terceiro dia de sua viagem apostólica à França. Em uma coletiva de imprensa com a participação da I.MEDIA, elas elogiaram as qualidades de "empatia e escuta" do Pontífice, que havia se "preparado" antes de encontrá-las.

Na tarde deste domingo, Leão XIV encontrou sete vítimas de abuso sexual, das 17h30 a aproximadamente 19h, na residência episcopal de Lourdes, informou a Sala de Imprensa da Santa Sé. As vítimas, por sua vez, contabilizaram 1 hora e 57 minutos de visita, embora a previsão inicial fosse de uma hora.

Das sete pessoas recebidas pelo Papa, cinco revelaram suas identidades e participaram da coletiva de imprensa. Entre elas, havia vítimas de casos que ganharam grande repercussão nos últimos anos, como os envolvendo o Padre Preynat, o Padre Pierre e os padres de Bétharram. Uma vítima destes últimos relatou, inclusive, ter solicitado ao Papa a "dissolução" daquela congregação.

Um formato de encontro único

O encontro ocorreu em um formato escolhido pelas próprias vítimas. O Papa reuniu-se primeiramente com cada pessoa individualmente, antes de conversar com o grupo como um todo. Esses encontros, de "cerca de quinze minutos cada", permitiram abordar assuntos "íntimos", mais difíceis de compartilhar em grupo. O 267º papa teria parecido "abalado" por essas conversas.

Nenhum papa havia se encontrado com vítimas de abusos nesse formato antes. Durante sua viagem apostólica à Espanha, havia sido organizado apenas um encontro coletivo, com seis pessoas.

Os cinco franceses que participaram da coletiva de imprensa elogiaram unanimemente as qualidades de "escuta e empatia" do pontífice. Jean-Marie Delbos, vítima dos padres de Bétharram, descreveu o encontro como um "momento de grande emoção" que o deixou "abalado". Jérôme Guillement, por sua vez, declarou ter sentido "sinceridade" em Leão XIV.

Diante da imprensa, as cinco vítimas relataram que o papa reconheceu o "caráter sistêmico" da violência sexual na instituição católica. Jérôme Guillement afirmou que Leão XIV tem uma opinião "muito clara sobre o assunto". "Para ele, os agressores são indivíduos, mas a maneira como podem agir — e como agiram durante anos — está ligada ao caráter sistêmico", acrescentou.

Serão necessários "anos" para que as coisas mudem

Véronique Garnier reagiu às declarações de Dom Pierre-Antoine Bozo, porta-voz da CEF, que afirmou, em 25 de setembro, que a França havia superado a "dimensão sistêmica" dos abusos sexuais na Igreja. Ela contou ter dito ao papa que isso não era verdade: "Não superamos isso". O papa teria concordado com esse ponto de vista, reconhecendo que seriam necessários "anos e anos para que isso mude". "

Embora muito tenha sido feito na França, ele avaliou que a Igreja ainda tinha um enorme trabalho pela frente no país", acrescentou Jérôme Guillement, ressaltando "o trabalho que resta a fazer além de nossas fronteiras".

Satisfeitas com a conversa com o chefe da Igreja Católica, as cinco pessoas destacaram, no entanto, que esse diálogo "é uma etapa importante, mas não o fim do caminho". Jérôme Guillement reconheceu os benefícios dos diversos "relatórios" sobre a questão dos abusos e da comissão pontifícia para a proteção de menores — liderada pelo francês Dom Thibault Verny —, mas afirmou esperar, agora, "ação".

Essas pessoas tiveram a oportunidade de "apresentar pedidos concretos" ao Papa e sentiram que ele estava ciente de que precisava, dali em diante, "trabalhar" com as vítimas. "Sentimos que o compromisso dele é real", acrescentaram, declarando que ele havia "trabalhado antes" e que iria "trabalhar depois".