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Sábado 31 Outubro |
Beato Domingos Collins

Como se reconciliar após uma briga mesmo quando estamos convencidos de que temos razão?

DISPUTE

© Fancy Studio - shutterstock

Edifa - publicado em 09/10/19

Fazer as pazes com alguém pode ser difícil, especialmente quando a gente pensa que o erro vem do outro. Aqui vão atitudes a serem adotadas e erros a serem evitados ao considerar a reconciliação com o seu próximo

É preciso antes de tudo perceber a diferença entre o perdão e a reconciliação. O perdão precede a reconciliação ou ao menos a acompanha. A reconciliação completa o perdão. O perdão pode ser unilateral pois para perdoar, nós não precisamos de ninguém, exceto do Espírito Santo. É Ele quem põe em nosso coração a misericórdia, essa forma eminente de amor. “Sede misericordiosos como vosso Pai é misericordioso” (Lc 6,36). Para se reconciliar, é preciso do engajamento de ambas as partes, é preciso união. A reconciliação é necessariamente algo recíproco. Podemos perdoar, podemos ter piedade de quem está longe, podemos amar quem não nos ama, mesmo nosso inimigo, mas não podemos nos reconciliar com ele sem ele mesmo, sem a sua vontade.

“Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão a misericórdia”  

O perdão é um dom, um presente. A reconciliação é uma troca. Ela, no entanto, sempre envolve o perdão – caso contrário, seria na melhor das hipóteses uma convivência pacífica. É o perdão que chama à reconciliação, mas nem sempre de início as duas partes concordam em se reconciliar. É difícil particularmente quando entre as duas pessoas existe um sentimento de injustiça. Dizemos, ou pelo menos mostramos, que estamos prontos para perdoar, mas ao mesmo tempo, não podemos consentir na injustiça, porque é legítimo defender os seus direitos ou interesses, e ainda mais os de outros, se houver outras pessoas envolvidas. É uma tensão que só pode ser vivida através da esperança.

As coisas vão se resolvendo, mas nós não somos os “mestres”. Por outro lado, somos servos, através da nossa oração, confiança, testemunho, caridade, dos quais nunca devemos desistir. À parte essa situação, será que saber qual lado está errado é realmente importante? Se nós estamos verdadeiramente na misericórdia, nós não precisaremos mais ficar pesando o erro de cada um. Pode-se até dizer que o perdão é maior, mais bonito e mais puro, quando os erros estão majoritariamente do outro lado. Quando Jesus nos perdoou, os erros certamente não estavam do seu lado! É a mesma coisa no caso da reconciliação. Nós devemos ir além, perdoando inteiramente e buscando a reconciliação.

É precisamente nossa humildade, nossa benevolência, nosso esquecimento das ofensas, nossa disposição para “adiar dívidas”, como diz o Evangelho, que ajudarão nosso próximo a reconhecer aquilo que não é justo nele mesmo. É isso que o fará esperar e desejar a reconciliação. É sempre difícil pedir perdão, mas se o outro sente em nós um olhar de julgamento, aí será para ele impossível. Por trás dessa pergunta, existe uma tentação que nós todos conhecemos: nós desejamos voltar a entrar em contato, dar uma chance ao outro, mas com a condição de que “ele reconheça seus erros”, que ele tome a iniciativa para fazer as pazes. Em outras palavras, que ele se humilhe frente a nós e que possamos saborear discretamente a nossa superioridade, nossa justiça, nossa… misericórdia. Neste caso, será que não seríamos nós os principais “errados” na história?

Padre Alain Bandelier

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