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Viúva, viúvo: como continuar a viver sem o outro?  

VEUF PLEURANT
© Shutterstock
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Quando um ente querido nos deixa, uma grande e tristeza nos invade. E quando essa pessoa é nosso cônjuge, nosso mundo desaba. “Um único ser vivo não está mais lá e tudo se torna vazio”. A vida parece inútil. Como viver o luto da partida da sua alma gêmea e ainda continuar a viver sem ela?   

Você não consegue viver o luto da pessoa que você perdeu? Isto não é incomum. Muitas vezes, levamos meses para perceber completamente que o outro não voltará mais. As semanas que se seguem são difíceis de viver, é um período em que a pessoa está rodeada de outros familiares e normalmente se recusa a admitir: “Não, ele(a) não me deixou…”. Mas chega o dia que é preciso enfrentar a cruel realidade: “Ele(a) não está mais entre nós e eu preciso assumir a solidão, sabendo que meus pais e meus amigos não se sentem mais obrigados a me apoiar”. Não é de admirar que, no momento que nos damos conta da irreversibilidade do drama, vivamos um sofrimento próximo ao desespero: “Não poderei me recuperar”.

O poder das lágrimas

Atreva-se a gritar! Para aqueles que são capazes de ouvi-lo, mas também para Deus. Faça como o salmista que não hesitou em gritar sua revolta ao Todo-Poderoso (Salmos 6, 13, 22…). É importante analisar e expressar emoções e sentimentos negativos sufocantes. Falar em alto e bom tom da sua angústia com o futuro, essa impressão de ter metade de si mesmo amputado, esse sentimento de abandono, a inevitável culpa diante do que não se fez e que – pensamos depois – deveríamos ter feito, esse terrível vazio da ausência, especialmente à noite.  

Dê a si mesmo o direito de chorar não apenas em solidão, mas também junto àqueles que entendem que as suas lágrimas são preciosas – “só é possível ver bem com olhos que choraram”. É então por fim possível iniciar esse processo indispensável de luto, porque o luto não é vivido para esquecer-se da pessoa amada, mas para mudar sua forma de apego para com o falecido. 

Mas no fim, lá está a solidão. A falta da presença física é imensa. Até mesmo o carinho da família não preenche esse vazio. Mas é possível que pessoas estranhas que experimentaram um sofrimento semelhante possam trazer um certo conforto. Portanto, é bom que uma viúva ou viúvo não hesite em bater à porta de uma associação, pois isso pode ajudá-los. Muitos não querem aderir a essa ideia, pois temem entrar num “grupo de sofrimento’, ao mesmo tempo que têm dificuldade em aceitar o fato de terem se tornado viúvo(a). Por fim, se trancam nessa solidão que na realidade gostariam de fugir.

Um vazio fértil

Adicionado a isso é uma sensação de inutilidade. Contudo, essa viuvez pode se tornar um tempo de rara fertilidade. Primeiro, você pode começar a se lembrar daquilo que admirava no outro. As qualidades e talentos que ele possuía podem agora se tornar seus. Há uma herança espiritual que você é chamado a transmitir aos seus filhos, netos e àqueles que estão à sua volta. Algumas pessoas também continuam a atividade social ou de caridade do cônjuge falecido. 

Existe ainda uma fecundidade que nasce da oração, em primeiro lugar ajudando seu marido ou esposa em sua caminhada em direção à Luz, e além disso, unindo a sua própria paixão ao sacrifício de Cristo durante a missa. Alguns fazem um caminho tão espiritual que finalmente passam a dedicar-se a Deus como um religioso ou junto a um movimento ou comunidade.

Somente a graça de Deus dá sentido a um grande amor que foi levado pela morte. E, neste caso, a paz pode retornar, a alegria também (e sem culpa!): afinal, não é esse o desejo daquele que já está na alegria da outra vida?

Padre Denis Sonet

 

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