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Dia de finados : Como falar da morte com os seus filhos?

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No dia 2 de novembro, após o dia de todos os santos, costumamos celebrar o dia de finados – ou, como é conhecida em alguns países, o dia dos mortos. A lembrança dos familiares falecidos e a visita ao cemitério podem levantar muitas questões no interior das crianças. Como falar com elas sobre o mistério da morte e da esperança da vida eterna?

O dia de finados nos reúne – vivos e mortos – em uma mesma oração: o louvor junto aos santos que já desfrutam da felicidade infinita prometida por Jesus Cristo. A intercessão por todos aqueles que, esperando gozar da plenitude do Reino de Deus, estão ainda imersos no estado misterioso pós morte que chamamos de purgatório. O dia de finados nos convida a olhar a morte como uma entrada para a vida eterna.

A morte infelizmente é vivida com muita dor. É o sentimento de separação e de inquietude perante o desconhecido. Também nós somos às vezes tentados a deixar nossos filhos o maior tempo possível longe desse mistério. Pensamos: “Eles descobrirão tudo isso em breve, eles terão muito tempo para sofrer”. Nem sempre é possível, é claro, mas será que é desejável? E se precisarmos falar, como fazer?

Não esconder a verdade às crianças

Todos sabemos que é possível que a criança se depare com a morte ainda muito pequena. A morte de seu pai, sua mãe, de um irmão, uma irmã, dos avós, etc. Ela também pode ser colocada diante de sua própria morte. É claro que não vamos falar sobre a morte da mesma forma para uma criança que tem os seus dias contados, para outra que sofre por causa da morte de um ente querido, ou uma outra que se depara com a morte de alguém que ela não conhece tão bem. De toda forma, nunca é fácil falar sobre a morte com uma criança, quais sejam as circunstâncias. Mas as palavras, ainda que desajeitadas, são melhores do que o silêncio, pois todas as crianças sem exceção se perguntam sobre a morte, mesmo se elas não falam sobre isso com os pais. Isso acontece comumente quando elas sentem que seus pais não estão prontos a responder, ou pior, quando elas descobrem que eles mentiram sobre esse assunto.

Em tudo a criança precisa de verdade. O que quer dizer que não é possível esperar que você mesmo esteja totalmente sereno e equilibrado diante da morte de alguém para ousar falar. Nós choramos pela morte de um ente querido? Sem externar todo o nosso sofrimento, sem fazer de nossos filhos os confidentes da nossa angústia, nós podemos lhes mostrar que nós também choramos e que viver a morte também é difícil para nós. Em particular, é muito importante que uma criança saiba bem que a esperança cristã, a confiança em Deus e a fé na vida eterna nos transformam e transformam o sofrimento embora não o suprimam. O próprio Jesus chorou no túmulo de seu amigo Lázaro. A morte é ao mesmo tempo a deslumbrante passagem para encontrar-se face a face com Deus, e o horror da separação.

Encontrar as palavras certas

Ao falar de morte para as crianças, precisamos tomar cuidado para não utilizar termos ou palavras que elas não entendam, ou que possam distorcer o sentido das coisas. O “céu” é aquilo que está acima de nossas cabeças, por isso, se a criança não entender que esse termo quer dizer “o Reino de Deus”, ela imaginará que os mortos estão suspensos lá no alto. Da mesma forma, evitemos dizer frases como: “Deus levou o meu pai”. A criança pode se revoltar contra esse Deus que “leva” seu pai.

Como sempre, e especialmente quando se trata dessas questões fundamentais relacionadas à morte (ou início da vida), deve-se lembrar que a criança registra apenas o que lhe interessa. Ela entende e assimila as coisas gradualmente. Dessa forma, é normal que as crianças tenham dificuldade de entender que, na espera da ressurreição, a alma e o corpo ficam separados pela morte. Não deve nos surpreender, então, o fato de precisarmos repetir coisas que pareciam já ter sido adquiridas.

Falar da morte para as crianças é, acima de tudo, falar sobre a vida. Esta vida, iniciada aqui e que floresce na vida eterna. Precisamos falar para despertar neles a atenção à realidade da presença discreta e silenciosa, mas também verdadeira, de todos os mortos – a comunhão dos santos, que num mesmo amor se unem, os vivos da Terra e os vivos do Céu. Não devemos esquecer de repetir que, se não sabemos nada sobre o além, esse desconhecido após a morte, é porque Deus quer “nos surpreender”. E como Deus é o pai mais amoroso de todos, podemos ter certeza de que a surpresa será muito bonita!

Christine Ponsard

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