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Essa simples palavra com a qual devemos começar todas as nossas orações

PRAY

Tymonko Galyna | Shutterstock

Edifa - publicado em 26/12/19

Quando oramos, às vezes temos um sentimento de vazio, misturado com insatisfação e cansaço. E se o erro estivesse escondido no início da nossa oração?

Quando estávamos de férias com os avós, a minha avó abria a oração da noite com esta fórmula solene: “Ponhamo-nos na presença de Deus e adoremo-Lo!”. Quando penso nisso, acho que é uma expressão velha, mas é certa. Demasiadas vezes nós lançamos na oração sem ter iniciado o contacto! Textos para ler, pensamentos para expressar, fórmulas para recitar, várias meditações, tudo isso se passa, mas não é garantido que seja dirigido a alguém. Seria mil vezes melhor fazer o contrário: não ter nada na cabeça, mas tudo no coração.

A primeira palavra de uma oração é a mais importante

“Um dia, num certo lugar, estava Jesus a rezar. Terminando a oração, disse-lhe um de seus discípulos: “Senhor, ensina-nos a rezar, como também João ensinou a seus discípulos.” Disse-lhes ele, então: “Quando orardes, dizei: Pai, santificado seja o vosso nome; venha o vosso Reino” (Lc 11,1-2). A primeira palavra é a mais importante: não começo por dizer algo, começo por nomear alguém.

O Beato Padre Marie-Eugène de l’Enfant-Jésus contou esta história de uma humilde carmelita: desculpando-se por ser tão ignorante, na oração como no resto, ela lhe disse: “Pai, eu não sei rezar tão bem! Quando começo a dizer “Pai Nosso”, acho-o tão belo que não consigo dizer o que vem a seguir.” Ela tem toda a razão! Desde os inícios até as mais altas experiências místicas, o orante será sempre o servo que levanta os olhos para o seu Senhor, a criança que volta o seu coração para o Pai, o discípulo que está aos pés do Mestre.

Um simples “Bom dia” para começar a oração

O próprio Jesus, segundo o testemunho dos evangelistas, inicia sempre a sua oração com a invocação do nome “Pai”: “Eu te bendigo, Pai, Senhor do céu e da terra” (Mt 11, 25); “Pai, é chegada a hora. Glorifica teu Filho” (Jo 17,1); “Pai, perdoa-lhes” (Lc 23,34); “Pai, se é de teu agrado, afasta de mim este cálice!” (Lc 22,42). Do mesmo modo, quando o anjo Gabriel, em nome de Deus, se dirige à Virgem Maria, não começa por lhe revelar o mistério nem lhe pedir uma resposta. Suas primeiras palavras são uma saudação: “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo” (Lc 1,28).

Não podemos rezar sem antes nos colocarmos em oração, isto é, colocarmos na presença. Um velho sacerdote repetia sempre: “Estejamos presentes na Presença”. Iniciar as orações pessoais e as celebrações litúrgicas com o sinal da cruz e um “bom dia” ao Senhor não é um rito arcaico nem uma escolha insignificante. Não há oração a não ser na presença de Deus. Deus está lá. Antes mesmo de me virar para ele, ele já se virou para mim.

Padre Alain Bandelier

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