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A doença é uma maldição de Deus?

WOMAN IN HOSPITAL BED
KieferPix | Shutterstock
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Seja súbita ou gradual, uma doença grave é muitas vezes vista como um julgamento ou castigo divino. Por mais revoltante que possa parecer à primeira vista, pode, no entanto, ser um tempo de graça… 

A própria doença é um mal. “A doença é às vezes tão profunda dentro de nós que se instala como uma força exterior e vitoriosa”, disse São João Paulo II. Este mal nos parece particularmente absurdo e intolerável quando atinge uma criança. Daríamos tudo para que a sua doença nos tomasse, para sofrer em seu lugar, mas permanecemos como espectadores indefesos, frequentemente devorados pela angústia, revolta ou culpa. No entanto, a doença não é um mal absoluto. Assim como a saúde não é um bem absoluto. 

Doença: um castigo divino? 

“A saúde, escreveu São Basílio de Cesaréia, na medida em que não faz bem àqueles em quem se encontra, não é boa por natureza”. O que fez outro Padre da Igreja, S. Gregório de Nazianzus, dizer: “Não admiremos todo tipo de saúde, nem abominemos todo tipo de doença”. Em outras palavras, tudo depende de como se usa a saúde ou a doença. Mais profundamente, depende da forma como encaramos a doença, da perspectiva em que nos colocamos.

A doença não é uma maldição. Embora seja uma consequência da queda original, não é um castigo pessoal enviado por Deus. Recordamos a pergunta dos discípulos sobre o homem que nasceu cego: “Caminhando, viu Jesus um cego de nascença. Os seus discípulos indagaram dele: “Mestre, quem pecou, este homem ou seus pais, para que nascesse cego?” (Jo 9,1-2). Jesus nos diz sempre a mesma coisa quando, frente à doença, nos perguntamos: “O que eu fiz para merecer isto?”. Ele nos diz a mesma coisa quando, frente à desgraça dos outros, pensamos: “É bem feito para ele, ele está sendo castigado”.

“Quando me sinto fraco, então é que sou forte”

Jesus também sofreu e sofre conosco. A doença se torna uma oportunidade para se aproximar de Deus, para penetrar mais profundamente no mistério do seu amor. Claro, isto é fácil de dizer. É infinitamente mais difícil viver, tanto para o próprio doente como para os que lhe são próximos. Mas é possível porque Deus o torna possível, mesmo para crianças muito pequenas, e mesmo quando a dor é tão violenta ou a fadiga tão pesada que não se pode fazer mais nada a não ser sofrer.

Deus não nos pede outro esforço senão o de dizer “sim” ao que está acontecendo, minuto a minuto, sem lamentar o passado, sem apreender o futuro. Um “sim” que se baseia na força de Cristo: “Quando me sinto fraco, então é que sou forte” (2 Cor 12,10). Frente à doença, especialmente se for grave, pedimos a Deus que faça um milagre. E Deus, mais de uma vez, parece ser surdo. Mas será Ele que não nos ouve ou nós que não sabemos como ouvi-Lo? Apesar das aparências, Ele não nos quer dar o melhor?

Christine Ponsard

 

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